sábado, 29 de abril de 2006

Ele: o tempo! É... o POETA estava certo...

As semanas passam como a batida das asas de um beija-flor; questão de milésimos. Eu vou passando os dias a acordar às 7h; tomar um banho para espantar a única coisa que consegue me derrubar - o sono. Luto com meu guarda-roupas...faço as demais atividades da manhã, comuns a qualquer ser humano, e sigo meu caminho. Ingrata rota da rotina...

Passando pelas pontes que cortam os rios da minha cidade, chego ao seu lado mais antigo. Deparo-me todos os dias com aqueles lindos sobrados centenários e faço um enorme esforço para que não se tornem comuns aos meus olhos. Passeio a vista em busca de uma novidade naquelas paredes que viram o tempo passar, erguidas em suas estruturas. Velha nostalgia daquilo que não vivi. Cores, rachaduras e as marcas Dele...

Tenho os mesmos amigos de 15 anos atrás. Hoje, diferentes daqueles moleques que costumavam correr e jogar bola pelos pátios do colégio, eles têm barbas e falam de trabalho. Uns contabilizam suas recentes conquistas, outros fantasiam o desejo de serem pais. Eu observo tudo maravilhada com a força do Dele; ele muda tudo, e tem o poder de petrificar aquilo que é bom. E eu acho bom.

Fazendo a assessoria da Festa da Lavadeira, deparei-me com pernambucos que nunca sonhei que podiam existir. Entre um release e outro, eu descrevia a gradiosidade do evento que nunca conheci, mas que já me sentia parte. Hoje acompanhei um grupo de maracatu a uma gravação para a tv, na praia do Pina. Pessoas de uma comunidade pobre da cidade, vestindo trajes de reizado... vi-me prostrada em frente a uma verdadeira família real afro-pernambucana-brasileira. Enquanto meu colega fazia sua chama pra tv, eu acompanhava com os olhos as batidas das alfaias, que parecia imitar os músculos de todos os corações... e do meu.

Fascinada. Bairrista... mergulhada nessa tradição que atravessou o oceano, e o tempo! Ele!

É...
O amor atravessa o tempo.
A amizade é atemporal.
A beleza, imortal...
Que será de nós então?

"Sabe lá..."

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Amado leitor...sinto sua falta!
Passarinho, "te amo do umbigo"

Continue lindo... faltam 8 meses....
2 kg a menos...

domingo, 9 de abril de 2006

Conversas à beira mar...

Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim, tão diferente

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber que o pra sempre sempre acaba

Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém só penso em você
E aí, então, estamos

Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como
Nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa

Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa

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Triste, não? Mas é verdade...

Passarinho, "te amo do umbigo"
Faltam 9 meses... continue lindo!!

domingo, 26 de março de 2006

Mais um Domingo..

Os domingos vão e vêm e fico pensando no que seria deles não fosse a sempre agradável companhia dos meus amigos-irmãos de tantos anos. Contabilizamos quase 9 anos de uma amizade intensa, com todos os benefícios e malefícios que ela é capaz de trazer...

Ao mesmo tempo que dá uma certa irritação vê-los se metendo na sua vida, vêm as lembranças daquelas vezes que você chorou e tinha sempre um deles por perto pra não te deixar completamente só... mesmo que de nada adiantasse, entre uma lágrima e outra, abria os olhos e deparava-se com aquela paciente companhia... era reconfortante.

Ao tentar corrigir algum erro seu, são capazes de passar sermões dignos de pai. Você chega a questionar silenciosamente quem teria dado tal autoridade àquela pessoa. - É, foi você mesmo, e a vida...

Enfim, os dias passam. Aliás, os anos voam, mas ficam os sorrisos e aquela certeza boa de que a solidão não existe... pelo menos equanto você puder ver aquelas mesmas caras das fotos antigas bem na sua frente...

Ainda dos 10 meses.... que passarão rápido.

Ainda nenhum quilo a menos...

Passarinho, "te amo do umbigo"!

sábado, 25 de março de 2006

Uma sexta-feira comum...

Hoje eu passei por uma das grandes vergonhas que já fui capaz de me meter. Sala da faculdade cheia, um texto de Marcelino Freire na mão e todo mundo olhando pra minha cara... e eu, muito cara de pau, encarando todo mundo mesmo...

Minha mão tremia tanto que pensei que não fosse dizer palavra alguma. A empreitada começou num 'ônibus imaginário'; passou por mim, que praguejava contra maridos e filhos; deu uma parada em Lídio (e seu pinto misterioso); chegou perto de uma maluca que também tentou se desfazer do seu bebê, e terminou em Cirlene que, muito mais doida, tentava convencer a já incrédula e crítica platéia a prestar atenção nela...

Enfim... foi um mico! Coisas que só uma pessoa completamente fora do seu estado normal seria capaz de fazer... acabou-se minha reputação séria e comedida dentro da faculdade... tsc, tsc!

Ah, Lidio... ainda iremos ao cinema!

Hoje foi o final da minissérie do JK. Caramba... preciso urgente do livro dele! Como ser brasileira e futura jornalista sem saber a rota inteira de Juscelino e tudo que o rodeou durante vida pré, durante e pós mandato? Lembrarei-me disso. Vou passar na livraria...

Esse post hoje não tem nada de literário. Devo ter guardado meu lado tendêncioso e enveredador da ABL... putz, eu viajo. Enfim, tenho escrito malditos releases, pautas e - pasme - notinhas sociais. Isso me deixa profundamente aborrecida, completamente intediada e extremamente convencida de que deveria começar a escrever minhas memórias. Seria algo do tipo: "Calma, você não é o únicou louco desse planeta" ou "Tal como Raul, eu sou uma metamorfose ambulante".

Fico feliz de que tenha abandonado as minhas inúmeras interrogações quanto ao meu curso. Tentei me livrar das drogas, me mantive longe delas por 2 anos... mas cá estou eu, novamente, a me dar picos jornalísticos todo santo dia. E o pior, em horário integral.
O professor de Rádio I falou que jornalista é tão chato e trabalha tanto que, por certo, acaba casando com um da mesma espécie. "Deus me defenda", pensei em bom nordestinês.

O sono bate e agora me lembrei que tenho aula amanhã... até as próximas linhas!

Caro leitor... sinto profudamente sua falta. Há tempos não o vejo.

Passarinho, "te amo do umbigo"!
Rio de Janeiro... continue lindo. Faltam 10 meses!!!!

quinta-feira, 16 de março de 2006

P A L A V R A S...

Numa tristeza latente, chego à conclusão que as pessoas não têm a menor idéia do poder das palavras....

Se soubessem, pensariam muito antes de tentar ferir alguém. É quase letal...

Acho que a solidão é a melhor saída, caminho mais curto... ou sem volta.

Maneira mais fácil de se proteger daquilo de que não se pode esquivar-se...

É, vento... me leve...

segunda-feira, 13 de março de 2006

"Me leve pra qualquer lugar... mas não me faça voltar"

Vento, ventania, me leve para as bordas do céu
Pois vou puxar as barbas de Deus

Vento, ventania, me leve para onde nasce a chuva
Pra lá de onde o vento faz a curva

Me deixe cavalgar nos seus desatinos
Nas revoadas, redemoinhos
Vento, ventania, me leve sem destino
Quero juntar-me a você e carregar os balões pro mar
Quero enrolar as pipas nos fios
Mandar meus beijos pelo ar

Vento, ventania,
Me leve pra qualquer lugar
Me leve para qualquer canto do mundo
Ásia, Europa, América

Vento, ventania, me leve para as bordas do céu
Pois vou puxar as barbas de Deus

Vento, ventania, me leve para os quatro cantos do mundo
Me leve pra qualquer lugar

Me deixe cavalgar nos seus desatinos
Nas revoadas, redemoinhos
Vento, ventania, me leve sem destino
Quero mover as pás dos moinhos
Abrandar o calor do sol
Quero emaranhar o cabelo da menina
Mandar meus beijos pelo ar

Vento, ventania,
Me leve pra qualquer lugar
Me leve para qualquer canto do mundo
Ásia, Europa, América
Me deixe cavalgar nos seus desatinos
Nas revoadas, redemoinhos
Vento, ventania, me leve sem destino

Quero juntar-me a você e carregar os balões pro mar
Quero enrolar as pipas nos fios
Mandar meus beijos pelo ar
Vento, ventania, agora que estou solto na vida
Me leve pra qualquer lugar
Me leve mas não me faça voltar.

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Nos meus reais desatinos... se eu for, não volto mais! "Me leve, mas não me faça voltar..."...
Voltar... pra onde?

segunda-feira, 6 de março de 2006

Eu, Jornalista?!

Acabo de descobrir-me jornalista. Depois de uma conturbada relação de amor e ódio, abandono e reencontro, eis-me aqui assumindo-me uma verdadeira apaixonada pela arte de escrever. Poderia engolir a modéstia e definir-me como poetisa. Comparar-me a uma nova Clarice ou reencarnação de Raquel, mas não. Minha necessidade de tornar público aquilo que penso me dá o ilustre título de jornalista. Tanto que, se pudesse sugerir ao Aurélio como definir tal palavra em seus dicionários, diria: substantivo comum, singular, que designa pessoas incomuns, capazes de manipular o mundo com a força das palavras. Seres capazes de criar o fato e transformar o hoje no “para sempre”.

Voltando ao meu desejo de tornar minhas palavras públicas, surgiu-me a dúvida: a quem eu iria importunar nesse trajeto rumo às estrelas? Quem seria eleito meu primeiro leitor assíduo, embora nunca tenha sido questionado se aceitaria tal encargo – ou carga? Muitos vieram à mente. Meu pai foi descartado de cara, já que a paternidade poderia contaminar sua opinião sobre a arte literária do seu espermatozóide aqui. Minha mãe também foi excluída da lista de possíveis leitoras, já que, assim como o genitor, seria incapaz de uma crítica mais ferrenha aos absurdos escritos. Pensei em outros, mas a cada um deles atribuí um defeito, o que acabava por eliminá-lo da disputa.

Desisto de tentar encontrar o meu primeiro leitor. Pego meu novo livro, espírita, que narra as aventuras do meu Passarinho em sua vida pós-morte e ponho-me a ler. Como sempre, vou trocando umas idéias com meu cérebro sobre o que é descrito nas linhas e questiono: “Nossa! Ele é um anjo desencarnado?” – embora qualquer atitude angelical esteja a léguas das suas. Levanto-me do chão e ponho o livro sobre a estante, onde está um porta-retratos. Fito a foto e deparo-me com um sorriso pacífico e uns olhos que pareciam brilhar – “meu leitor”, pensei. Disparei pro computador. Ordenei as idéia que brotavam sem parar e cá estou a escrever para meu primeiro eleito-leitor.

Desejo-me um punhado de críticas; desejo-lhe uma viagem aos meus pensamentos mais profundos...

Seria pretensão minha? Não creio. Apenas desejo que as letras tenham sabor de toddy ou ‘nescau prontinho’ e que as palavras fluam ‘tal água corrente’ – parafraseando-me. Um elo de letras nos une!

"Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim..."

domingo, 5 de março de 2006

Em pensamentos intra-coronários...

ME CHAMA - Lobão

Chove lá fora e aqui, faz tanto frio
Me dá vontade de saber
'Aonde' está você
Me telefona
Me chama, me chama, me chama

Nem sempre se vê
Lágrima no escuro, lágrima no escuro
Lágrima
Cadê você...?

Nem sempre se vê, mágica no absurdo, mágica no absurdo
Mágica...
Cadê você?

Tá tudo cinza sem você
Tá tão vazio
E a noite fica sem por quê...

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quarta-feira, 1 de março de 2006

Meu Nescau Prontinho...

Decidi escrever sem rascunhos dessa vez, para que fiquem registradas todas as bobagens que minha mente fértil for capaz de produzir.

Navegando em blog alheio, lendo as peripécias de um amigo o qual muito prezo, deparei-me com frases tão bonitas que me inpiraram a também pôr o meu eu dia. As palavras dele se encaixam com uma perfeição tão grande, que chego a questionar minha capacidade de produzir algo parecido. Texto fluido, tal água corrente, de uma transparência comovente e, ao mesmo tempo, uma riqueza tão grande de detalhes que transporta quem lê para a situação descrita... Senti-me tomando vodka com gelo e refri, ouvindo a risada das pessoas e imaginando as conversas...

Ah, a bela e incomparável arte de escrever. Sorte de quem a tem, e com tanto primor. Mais sorte de quem a lê? Garanto!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Municipalize-se o Carnaval de todo dia...

Frustradamente, perco o baile de carnaval que queria ir. Fui protelando, até deixar para o último dia, a compra do ingresso. Ao chegar na loja, o vendendor disse que haviam acabado. Desolada, mas não triste, optei por passar o velho sábado em casa.

Mas eis que surge a outra opção carnavalesca. Encontro uma das figuras mais peculiares que apareceram na minha vida e ela, sim, topa a tal empreitada. Pois estávamos as duas, sábado à tarde, ainda decidindo o que vestir. Duas horas depois, como por mágica, eramos duas ridículas 'meninas superpoderosas' embora desprovidas de qualquer poder... mas, poderosos foram somente as risadas que dei durante toda a noite. Não fossem pelas fantasias, eram pelas falas completamente insanas da minha comparsa. À cada verso, uma deixa crítica...

"Madeira do Rosarinho
Venha à cidade
Sua fama mostrar..."

"Olinda, quero cantar
À ti essa canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar.."

"Quando fevereiro chegar
Saudade já não mata a gente
A chama continua..."
Carnaval é bom. Faz fantasia dos problemas, realiza as fantasias e ameniza aqueles amores desencontrados que a vida insiste em nos impor. Daí chega a segunda-feira e sua cruel realidade.
Aí você acorda, ainda meio sonolento, e percebe que tudo não passou de um sonho.
(Continua na 'segunda-feira', embora esta já esteja se acabando. O problema é que a inspiração foi-se com as horas que se adiantam. Desisto! Fica pra amanhã...)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

"Poema", de Cazuza... Cantando a dor e a perda

Cazuza fez esta música quando sua avó, a quem ele amava muito, morreu. É o saudosismo do poeta, que acaba por adoçar um pouco a dor... como se fosse possível...

Em homenagem à alguém que se foi. Mas eu nem mesmo conheci.

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de chôro
Desculpa para um abraço ou consolo

Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro

Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim (que não tem fim)
De repente a gente vê que perdeu

Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás.
(Cazuza/Frejat)