terça-feira, 7 de agosto de 2007

Percepções

Confusões a respeito do mundo são comuns, assim como confusões a respeito do mundo, das pessoas.
Costumo dizer que problema é aquilo para o quê há solução. Pense bem. Quantas vezes você se depara com um fato e, talvez por não racionaliza-lo, o super ou subestima?
Ok. Não estou conseguindo me expressar bem. Vou direto ao ponto.
Há exatamente um ano atrás, eu nem imaginava o que estava para me acontecer, e talvez hoje nem tenha idéia do quanto aqueles acontecimentos me modificaram.
Há um ano atrás, eu me deitei e mantive o rádio ligado, coisa que nunca faço. Tenho medo de ouvir música do escuro. Mas naquele dia, apesar dos compromissos que me aguardavam logo ao amanhecer, eu fiquei observando a penumbra até as duas horas da manhã. Ao acordar, deparo-me com uma seqüência de cenas que até hoje estão nos meus pensamentos todos os dias, de tão surreais que pareciam, e ainda parecem ser.
Era 8 de agosto, o dia em que eu vi a morte de perto. Talvez ela tenha passado por mim às duas da manhã, mas eu não entendi. E não, ela não é um problema, percebe?
Eu nem desconfiava, mas dali a 12 dias eu passaria por um outro fato, também sem explicação, propósito ou solução, que me transformou, irremediavelmente, em quem sou hoje. Qualquer tipo de percepção que eu tivesse sobre emoções antes daquele domingo eram ínfimas. Dúvidas, sonhos, confissões, lamentos, sensações ímpares, calafrios, rubores e, por fim, a certeza.
Era 20 de agosto, o dia em que senti o amor de perto. Talvez devesse ser ele, mas eu realmente não sei o que quer dizer. E, talvez, ele não devesse ser um problema, percebe?

E eu não tenho a menor idéia do quanto sou diferente hoje, depois disso.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Os 97 anos de Adoniran

Adoniran Barbosa nasceu em 06 de agosto de 1910, em Valinhos, SP. foi um colecionador nato de apelidos. Seu verdadeiro nome era João Rubinato - mas cada situação por ele vivida o transformava num novo personagem numa nova história.

Ele nos conta a vida de um típico paulistano, filho de imigrantes italianos, a sobrevivência do paulistano comum numa metrópole que corre, range e solta fumaça por suas ventas. Através de suas músicas, canta passagens dessa vida sofrida, miserável, juntando o paradoxo bom humor / realidade - para quê lamúrias?

Tirou de seu dia a dia a idéia e os personagens de suas músicas. Iracema nasceu de uma notícia de jornal - quando uma mulher havia sido atropelada na Avenida São João.

Adoniran nasceu e morreu pobre - todo o dinheiro que ganhou gastou ajudando ou comemorando sucessos com os amigos - seu combustível era a realidade - porque então querer viver fora dela? Talvez soubesse que o valor maior de suas canções eram interpretações como a de Elis ou Clara Nunes.

Foi um grande colecionador de amigos, com seu jeito simples de fala rouca, contador nato de histórias, conquistava o pessoal do bairro, dos freqüentadores dos botecos onde se sentava para compor o que os cariocas reverenciaram como o único verdadeiro samba de São Paulo. Mais do que sambista, Adoniran foi o cantor da integridade.

(FONTE: http://www.mpbnet.com.br/musicos/adoniran.barbosa/)

Trem Das Onze

Adoniran Barbosa
Não posso ficar nem mais um minuto com você                            
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã

Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã

Além disso mulher, tem outra coisa
Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar
Sou filho único, tenho minha casa prá olhar

Não posso ficar, não posso ficar...

Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora às onze horas
Só amanhã de manhã

Além disso mulher, tem outra coisa
Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar
Sou filho único, tenho minha casa prá olhar
Não posso ficar, não posso ficar...

domingo, 5 de agosto de 2007

Filho Único - Cazuza

Você me quer?
Você cuida de mim?
Mesmo que eu seja uma pessoa egoísta e ruim?

Você me aceita
E me dá a receita
De como conviver com um monstro mesquinho e careta?

Você me respeita
Não grita comigo
Mesmo que eu tente tudo pra te irritar

Você tem que entender
Que eu sou filho único
Que os filhos únicos são seres infelizes

Eu tento mudar
Eu tento provar que me importo com os outros
Mas é tudo mentira (tudo mentira)
Estou na mais completa solidão
Do ser que é amado e não ama
Me ajude a conhecer a verdade
A respeitar meus irmãos
E a amar quem me ama

sábado, 4 de agosto de 2007

Questões

SOU: Inquieta.
QUERO: Trabalhar em jornal, dar aula, morar longe daqui e morrer cedo.
TENHO: Os melhores amigos do mundo.
DETESTO: Alguém que tente falar mais alto do que eu e que digam que eu não posso fazer alguma coisa.
SINTO FALTA: Da voz de vovó, de conversas de tarde de domingo e de jogar basquete.
TENHO MEDO: Hoje, de mais nada. Só não quero morrer assassinada.
OUÇO: Cazuza. Com todos os sentidos.
PROCURO: Deixar as marcas mais memoráveis.
QUESTIONO-ME: O tempo todo. Principalmente tentando me justificar a mim mesma pelas coisas que não fiz.
LAMENTO: Somente pelo que deixei de fazer.
AMO: Minha irmã (ela é a melhor herança dos meus pais pra mim) e meus amigos.
NÃO SOU: Não sou um monte de coisas que gostaria de ser...
DANÇO: Ui... Mal demais!
CANTO: Trancada do quarto e sozinha no carro. Adoro!
CHORO: Por qualquer bobagem e por pessoas que não valem a pena.
NEM SEMPRE SOU: Aquilo que você espera de mim.
ESCREVO: O tempo todo; sobre tudo, sobre todos e pra mim.
GANHO: Toda vez que sou a causa de um sorriso.
PERCO: Muitas vezes.
CONFUNDO: Não confundo nada. Pra mim, ou é, ou não.
PRECISO: Ler e estudar mais.
DEVIA: Tomar vergonha e fazer logo uma dieta.
O MEU PAI ACHA QUE EU SOU: Ele apenas acha.
A MINHA MÃE ACHA QUE EU SOU: Nada. Ela tem certeza.
FICO ENVERGONHADO QUANDO: Preciso mostrar algo escondido. É constrangedor...
O QUE ME CHATEIA: Ah, gente ingrata é o fim. Isso chateia...
TENHO UM DIÁRIO: Sim, tenho. Cada vez que ele acaba, despedaço e jogo fora. Tenho vergonha das idiotices escritas lá.
GOSTO DE COZINHAR: Sou cheff de gororobas!
UM SEGREDO QUE NÃO COMPARTILHO COM NINGUÉM: Você tem tempo de ler??
ESTOU APAIXONADO: Isso é assunto encerrado.
O RELÓGIO ESTÁ ADIANTADO: Tá nada. Eu vivo me atrasando.
ROER AS UNHAS: Já roí muito, mas desaprendi.
ACREDITO NO AMOR: Isso implica ter que acreditar nas pessoas. Mas acredito, ao meu modo.
A PESSOA MAIS ESTRANHA QUE CONHEÇO: Aquela cuja razão é incompreensível demais pra minha cabeça.
A PESSOA QUE MAIS ALTO FALA: Ninguém fala com mais autoridade que eu! Mas a vaKa fala alto de doer os ouvidos.
A PESSOA MAIS SEXY QUE EU CONHEÇO: Inteligência é o melhor afrodisíaco. Mas Wagner Moura é lindo, lindo, lindo.
O MEU MELHOR AMIGO: Ninguém carrega essa responsabilidade sozinho. Ainda bem!
A PESSOA QUE MELHOR ME CONHECE: Nem desconfio. Espero que não exista essa... eu morreria de vergonha.
PROFESSOR: Tenho inúmeros mestres amados...
A TUA FRASE MAIS REPETIDA DO MSN: (*) Prefiro ToDDY ao Tédio (*)
ÚLTIMO PENSAMENTO ANTES DE DORMIR: Tem esse não. Eu só deito pra dormir quando estou nas últimas. Se deitar pra pensar, não durmo.
PIADA PREFERIDA: “Brasil, um país de todos”
TOMO BANHO TODOS OS DIAS: Sim, toda vez que chego da rua.
SEI O QUE É ESTAR APAIXONADO: Sei.
QUERO CASAR: Já quis.
TATUAGENS? ONDE?: Um dia. No pé esquerdo.
VOMITO QUANDO ANDO DE CARRO: Não, oras...
HIPOCONDRÍACO?: Naftalina.
GOSTO DE TROVOADA: Parece a ira dos céus.
SIGNO: Canceriana, com todos os karmas da raça...
NOVE COISAS QUE ODEIAS...
1. Gente vazia
2. Gente egoísta
3. Ouvir “não”
4. Música baiana
5. Farinha láctea
6. Frio
7. Ócio
8. Estagnação
9. Desistir de alguma coisa... ou pessoa.
ALGUMA VEZ: Senti o que não pude explicar.
COMERIAS UM INSETO?: Creio que não. Mas já comi formigas sem querer, na cobertura do bolo de chocolate
FARIAS BUNGEE JUMP?: Credo! ODEIOOOOOOOOO altura! Tremo só de pensar.
SALTAVAS DE PÁRA-QUEDAS DE UM AVIÃO?: Nãoooooo
TORNAVAS-TE VEGETARIANO?: Já tentei, mas dá trabalho.
CANTARIAS KARAOKÊ?: Sim!!! Adoro cantar!!!
FARIAS ALGUÉM CHORAS?: Só inconscientemente...



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Questão de luz e cores
Pastèque


























Questão de som

Pega rapaz
Rita Lee

Pega rapaz
Meu cabelo à la garçon
Prova o gosto desse ton-sur-ton
Do meu baton na tua boca



Alô doçura
Me puxa pela cintura

Tem tudo a ver o meu pinguim
Com a tua geladeira



Nós dois afim
De cruzar a fronteira

Numa cama voadora, fazedora de amor


De frente, de trás
Eu te amo cada vez mais
De frente, de trás
Pega rapaz, me pega rapaz
De frente, de trás
Eu te amo cada vez mais


Pega rapaz, me pega rapaz
De frente, de trás, cada vez mais!
Pega rapaz


Meu cabelo à la garçon
Prova o gosto desse ton-sur-ton
Do meu baton na tua boca

Alô doçura
Me puxa pela cintura
Tem tudo a ver o teu xaxim
Com a minha trepadeira

Nós dois pra lá
Bem pra lá de Nirvana
Numa cama voadora, fazedora de amor
De frente, de trás
Eu te amo cada vez mais
De frente, de trás
Pega rapaz, me pega rapaz
De frente, de trás
Eu te amo cada vez mais

Pega rapaz, me pega rapaz
De frente, de trás
Cada vez mais

domingo, 29 de julho de 2007

O resultado!

Solidão entra em cena no Teatro Santa Isabel

Publicado em 27.07.2007

Os atores Ana Beatriz Nogueira e Eriberto Leão contracenam em Fala baixo senão eu grito, texto cômico-dramático de Leilah Assumpção encenado pela primeira vez em 1969


Tatiana Notaro
Especial para o JC


Recife recebe neste fim de semana, no palco do Teatro de Santa Isabel, o espetáculo Fala baixo senão eu grito. Sob a direção de Paulo de Moraes (o mesmo da paranaense Armazém Cia de Teatro), os atores Eriberto Leão e Ana Beatriz Nogueira interpretam um texto cômico-dramático da paulista Leilah Assumpção, escrito em 1969. No enredo, um mergulho na vida solitária de Mariazinha, mulher quarentona, solteira, que vive em um quarto de pensão na cidade de São Paulo. “Por fora, a casa está caindo aos pedaços, mas por dentro é tudo organizado. Assim é a vida dela. Mariazinha cria uma realidade para convencer a si mesma que está tudo bem”, diz Ana Beatriz. “A solidão dela é patológica, agravada cada vez que a programação da televisão termina”, explica a atriz, que define sua personagem como “um projeto de gente que não deu certo”.
O cenário é composto por 20 televisores de tamanhos e cores diferentes, uma idéia do diretor Paulo de Moraes e da cenógrafa Carla Berri. “É nessa atmosfera que a personagem se apresenta ao público. O ambiente é claustrofóbico, sufocante, e reflete a solidão de Mariazinha, com quem as pessoas têm uma identificação imediata”, diz o diretor.
Na vida regrada e cheia de convenções da mulher, surge a figura do ladrão. “Minha personagem aparece como um anjo exterminador que entra em cena através de uma televisão e com revólver em punho, anuncia o assalto. Na verdade, ele vem assaltar as convicções de Mariazinha”, diz Eriberto Leão que já interpretou o papel de Jesus Cristo, em Nova Jerusalém, e atuou em novelas. O ator participa de chat hoje às 15h no JC OnLine.
O ladrão é um defensor da anarquia e da subversão, que não acredita nos caminhos convencionais para a felicidade. “De maneira cômica, ele bate forte na acomodação à rotina que todos temos. Aquela conversa de dormir oito horas, sair de casa com rumo definido e, na verdade, nem saber aonde se quer chegar. É o que eu chamo de ‘pseudo-fórmula da felicidade’”, diz o ator. Discutindo se o ladrão é real ou uma criação da mente solitária de Mariazinha, Eriberto defende sua personagem. “Pode ser dúbio, mas para mim ele é de verdade. Eu estou ali de verdade”.
A primeira montagem de Fala baixo senão eu grito é de 1969, com Marília Pêra no papel principal. Os quase 40 anos desaparecem diante da atualidade da história. “Quando decidi que era hora de fazer uma produção minha, em 2005, estabeleci que o texto seria de um autor brasileiro. Já era fã de Leilah, mas nunca tinha lido Fale baixo.... Não atualizamos porque foi desnecessário”, diz Ana Beatriz, também co-produtora do espetáculo, trabalho que divide com Eduardo Barata. A atriz tem formação teatral e atua em novelas. Já foi premiada com um Urso de Prata de melhor atriz, no Festival de Cinema de Berlim, pelo filme Vera, de Sérgio Toledo.
A turnê de Fale baixo senão eu grito começou no final de março e já passou por três cidades de Santa Catarina, além Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte. A estréia no Santa Isabel acontece hoje, em encenação apenas para convidados, e está aberta ao público no sábado, às 20h, e no domingo, às 20h. Os ingressos estão à venda na bilheteria do Teatro Santa Isabel por R$ 50, inteira, e R$ 25, a meia-entrada.

Entrevista com o ator Eriberto Leão

Também para a matéria sobre "Fala baixo senão eu grito", no teste do JC.

Como o ladrão “transforma” as convicções de Mariazinha?

Ele é um defensor da liberdade absoluta, um iconoclasta. Mas a transformação é mútua. Ele também se transforma pelo amor que encontra ali. O meu personagem é um homem que não acredita nos caminhos convencionais para a felicidade. É adepto à anarquia e à subversão. O homem leva Mariazinha a uma viagem à uma outra realidade.

Que conceitos sociais você acredita que existam na personagem e no público que possam ser postos em xeque pelas posições do ladrão?

A acomodação diante da rotina. Todos os sonhos e desejos da sociedade, principalmente da classe média. A pseudo formula da felicidade. Seguir a vida naquele esquema de dormir oito horas por dia, sair com rumo certo. É como aquela música de Raul Seixas, que diz que “eu deveria estar contente”, mas “confesso, abestalhado, que eu estou decepcionado”. Nosso espelho do melhor é o pior (diz, referindo-se à política). Não temos coragem pra enfrentar regras que nos escravizam.

Nome da personagem

Ele é um ladrão. No texto, é denominado apenas de “homem”. Ele entra em cena através de um aparelho de televisão, com um revólver, e anuncia o assalto. Na verdade, ele vem assaltar as convicções de Mariazinha.

O ladrão passa um espírito real ou fictício? É criação da cabeça de Mariazinha?

É uma dualidade. Mas, pra mim, ele é de verdade. Eu estou lá de verdade. Ele é o que a gente pode definir de guia da mente dela. É um anjo exterminador de todas as convicções.

O que ele representa?

Um grito de liberdade entalado na garganta. Eu não concordo com os métodos dele, de usar a violência, mas somos violentados todos os dias, somos traídos todos os dias, e isso merece uma resposta à altura. Eu me sinto como se realmente falasse ao público brasileiro tudo aquilo que ele não enxerga. É um grito meu também.

Em que cidade se passa a peça?

São Paulo.

Você tem algo de Mariazinha?

Sim. Todos nós temos. Essa solidão e algumas “muletas” que usamos para disfarçar que somos solitários. Pra mim, somos sozinhos quando nos distanciamos na nossa lenda pessoal, da nossa vocação, daquilo que gostamos de fazer. Se não somos 100% nós mesmos, acabamos nos limitando ao que sobra dessa porcentagem.

Como você espera que o público sinta o seu personagem?

Espero que os pernambucanos prestigiem o meu trabalho. Já fiz o Cristo em Nova Jerusalém, um personagem marcante, que me fez criar laços com essa terra. Minha mãe e avós maternos são nordestinos. Espero que todos saiam, realmente, transformados.

O que há de diferente neste personagem em relação aos outros que você já fez?

Bem, ele é meu presente e o do país. Há uma sincronia de aspectos. O texto não é datado e isso o torna ainda mais atual. Esse é o ladrão que o povo brasileiro está precisando.

Como é trabalhar um texto de Leilah Assumpção junto com Ana Beatriz Nogueira?

É uma honra. Quando fui passar o texto, desejei muito o papel. É uma da maiores dramaturgas com encenação de uma das maiores atrizes do país.

O que representa a entrada do ladrão através da simbologia da tv?

A possibilidade de criação. O ladrão é agressivo, lúdico, oponente, violento. Não sei até que ponto podemos criar um paradigma se não formos violentos. Uma reação dos políticos, por exemplo, a alguém que quisesse mudar aquela realidade, seria de violência. Eles são uma classe de interesses.

Qual o espírito do cenário?

As telas mostram a total solidão de Mariazinha. É tanta que são necessários 20 televisores. Eles funcionam em sincronia conosco e traduzem os sentimentos.

Entrevista com a atriz Ana Beatriz Nogueira

A entrevista que segue foi feita por mim na última terça-feira, 24 de julho, durante um teste de estágio para o Jornal do Commercio. A peça, intitulada "Fala baixo senão eu grito" foi escrita em 1969 por Leilah Assumpção. No mesmo ano, estreou nos palcos com Marília Pêra no papel de Mariazinha, a protagonista. Hoje, a história é contada por Ana Beatriz Nogueira e Eriberto Leão.


1. Qual o perfil da sua personagem?

É uma mulher que vive muito sozinha em um quarto de pensão. Por fora, está caindo aos pedaços, mas por dentro, arrumado por ela. Assim é sua vida. Mariazinha arruma tudo para dar a si mesma a idéia de que está tudo bem, até o dia em que chega o ladrão e mostra pra ela que a vida não é bem assim. Ela é um projeto de gente que não deu certo. O ladrão põe em xeque todas as convicções de Mariazinha. Ela vive em uma solidão patológica, que se agrava cada vez que a programação da tv acaba.

2. A peça trata da solidão urbana. Como a personagem transmite isso?

Mariazinha se diz muito feliz. Diz que mora em uma cidade grande e tem muitos amigos. Ela diz isso ao público apontando para os televisores que compõem o cenário. É o que acontece com muita gente que resolve viver seu mundo e esquece de ir lá fora.

3. Qual a maior realidade que o texto trás e o público vai poder se identificar?

O fato de Mariazinha ser uma pessoa só. Isso representa muito a natureza humana.

4. Você tem algo de Mariazinha?

Tenho. Todos nós temos. Quantas vezes nos voltamos para a vida alheia, de um personagem, por exemplo, e esquecemos da nossa? Isso, talvez, por ser mais fácil do que encarar a nossa realidade.

5. Como é ser co-produtora da peça?

Essa peça é um projeto meu desde 2005. É uma maravilha, a oportunidade de fazer do meu jeito.
(A peça tem patrocínio do Banco Mercedes Bens e da Eletrobrás)

6. O que o público pode esperar da encenação do texto de Leilah Assumpção?

Muita diversão. É um texto inteligente, que fará as pessoas pensarem e se divertirem. Sobra uma reflexão para levar pra casa.

7. Como foi a escolha do texto?

Fui procurar um autor nacional (Ana já produziu, em parceria, “Leitor por horas”). Leilah é uma das escritoras que eu mais gosto e eu nunca tinha lido “Fale baixo...”. A peça foi encenada em 69, então fizemos uma atualização leve, mas mantendo o texto original em algumas peculiaridades, como a citação do Mapping (loja de depto que existia em SP). O cenário composto por televisores dá uma falsa idéia de companhia, de imagem, que temos hoje em dia pela tv e pelo computador.

8. O que você espera que o público sinta?

Que se identifique com a personagem para receber as “alfinetadas” do ladrão. E que precisamos de relação ao vivo. É bom lembrar isso...

9. Sobre a turnê

Começou em 31 de março, em Curitiba. Já passou por 3 cidades de Santa Catarina, Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte. Vem agora pro Recife e daqui segue para uma temporada no Rio, que começa em setembro. No começo de 2008, faremos São Paulo.

10. Sobre Eriberto Leão (também ator da peça)

É um excelente ator. Um parceiro maravilhoso. Fizemos uma leitura do texto e nos identificamos de imediato. É muito boa a parceria.

11. Sobre Paulo de Moraes (diretor da peça)

É um diretor de traços muito marcantes e peculiares. O cenário mostra isso.

12. Sobre a realização do espetáculo


Todas as vezes, antes de entrar no palco, eu fecho os olhos e agradeço pela oportunidade de realizar esse projeto.

terça-feira, 24 de julho de 2007

"Treinar a mente exige tanta paciência e determinação como é necessário para moldar o aço."

Dalai Lama