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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Indo Além daqui

Depois de tudo, ainda deu pra ser feliz. Mesmo numa overdose de ironia da vida. Por que houve momentos de verdade no caminho, nessa vida, nisso que agora é amor. Tanto faz, por que poderia nem ser. Tinha tudo para não ser. Mas é. E é sempre mais.

Quando vem por perto, depressa, de mansinho, para aconchegar sorriso, para um alisado esquecido. É conjunto unitário, sem igual. Bem que se quis, antes, a distância. Mas isso foi antes. Agora, não tem como, não tem jeito.

Eu não preciso de mapas para amar você, ou regras, ou medições. É sem tamanho, de todo jeito, por todos os lados. Com sim ou não. Com gritos, com espelho; no ritmo que der, que vier.

Tanto faz, virou paz, virou destino, virou mais. Tem um abraço, devagar. Beijo e beijos.

UMA IMAGEM, para bom entendedor. E basta

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pensando com... Edilberto Souza


Em tempos de gripe suína ainda assombrando, uma pessoa propensa aos vírus fica ainda mais vulnerável. Então desde que a Influenza A desembestou lá pelos lados do México, Eddi passou a sentir calafrios todos os dias, sempre acompanhados pela sua “lamúria-chavão” já consagrada: “Ow, amigo... estou muito doente”.

Toda turma que se preze, sem grandes exceções, cumpre seus requisitos de estereótipos: o galã, o inteligente, a vazia, a gostosa... e por aí vai. Neste caso, digamos que se formaram novos moldes, novas versões.

Meu personagem deste post é do tipo tranqüilo, pacífico, a paz que todas as pequenas aglomerações humanas precisam para manter uma convivência sustentável. Tom de voz sempre ameno, energia sempre em alta e de uma disponibilidade sem igual, Eddi é do tipo agradável, carismático, amável (e amado), capaz de unir a todos em sua defesa, caso alguém mal intencionado ouse fazer-lhe mal.

[pausa: Solicitei ajuda a André Clemente, personagem do “Pensando com” anterior, e ele ficou indignado com a descrição acima:
Aclementetorres diz: Ei... Edi... energia sempre em alta??
:S
Edi é a preguiça e indisposição em pessoa!!!]

Ok, reclamação aceita.

Mas nem tudo na vida do meu amigo jornalista Edilberto Souza são só flores, martinis e equilíbrio. Nem seria possível, sendo assessor de imprensa de uma empresa onde “notícia ruim é bóia”. Não é difícil ele me chamar no MSN, no meio de uma tarde aparentemente tranqüila, e dizer: “Sumiu um malote de dinheiro da **. Pense num infernooooo”, larga, aparentemente nervoso, embora me custe acreditar que ele esteja, de verdade, alterado. Isso significa, claro, que ele vai ter que segurar a onda com o cliente, fazer uma nota de esclarecimento, enviar para as redações, conversar e tentar evitar, ao máximo, que a bagaceira tome conta.

Vida difícil...

Dia desses, Eddi me avisou que ia comprar um carro. Semana depois, me disse, feliz da vida, que tinha comprado um corsa preto, uma de suas conquistas declaradas. “É importante pra mim não só tê-lo, como conseguir sustentá-lo. Digo pra mim mesmo: êê, já está um homenzinho”, me responde, descabando de rir em seguida, esperando que o critique por afirmação tão “fofa”.


 BAILE MUNICIPAL - Inspiração para possível fantasia vem de personagem tão meigo quanto o meu amigo



Como sempre nos acontece, entramos em debate para batizar o novo motor da turma, que se juntaria a Cascão (meu Ford Ka prata, que vive imundo), Lindoka (o Ford Ka preto de Gio, que tem a elegância da dona) e Bola de Neve (in memorian, já que André vendeu seu celta branco e hoje vive num inferno astral sem fim).  Enfim... eu sugeria que Eddi o chamasse de “negão”, já que ele rodaria a cidade tocando música baiana ou brega, mas o pobrezinho acabou recebendo o singelo nome de “Pérola Negra”. Quando Eddi me contou, resumi meu desagrado dizendo apenas:

- Parece nome de travesti afrodescente.

Mas vamos ao lado mais sério do meu amigo, já que estamos falando de um jornalista diplomado (embora não tenha nem dado entrada no diploma ainda, né, Eddi?), assessor de imprensa de grandes empresas daqui. Perguntei-lhe qual a sua primeira grande descoberta e me surpreendi: “Relacionamento não é só beijinho e ida ao cinema”. Ok, a resposta pode não ser das mais filosóficas, mas conhecendo o motivo da reflexão, eu posso ir além nos pensamentos dessa pessoa, cuja maior alegria são os finais de semana. “Tenho o tempo tão ocupado no dia a dia que basta um sábado só para mim que já me sinto realizado”, me disse, com sua simplicidade e calma costumeiras.

Tem um caso que já virou piada de bar e envolve os meus amigos de trabalho.  Em um dia de frio, peguei o meu casaco preto, que estava no meio de um monte de outras roupas da minha casa, e coloquei na mochila. Ao chegar ao trabalho, tirei o casaco e algo cai direto no lixeiro, que fica ao lado da minha cadeira. Horas depois, meu “amigo” de mesa avista um sutiã preto no lixeiro e grita: “fizeraaaam sacanagem aqui de noite!”.
Intrigado, percebo que a peça era da minha mãe e, sem pensar, solto: porra, isso é meu!!!!!! Ligo pra casa, pergunto para a verdadeira dona se ela havia perdido um sutiã desbotado, com uma arame aparecendo. Ela: Sumiiiiiu. Eu: Apois achei, meu colega está vestindo, neste momento, para zoar comigo!  

Todo mundo que me conhece sabe que não sou muito chegada aos serviços de assessor de imprensa. Hoje, aqui na Multi, minha maior preocupação é tal “tato” com os clientes, coisa que não tenho muito. Mas o trauma vem do passado, mais especificamente de um cliente que atendi em outro escritório, que acabou sendo herdado por Eddi. Ele conta: “Em um daqueles dias de sol de rachar, acompanhei uma caminhada em prol da paz, na ponte que liga o bairro dos Coelhos ao Coque. Centenas de crianças no meu ouvido pedindo paz, um trio elétrico com Almir Rouche cantando “a paaaaaz do mundoooo”, e várias pombinhas brancas voando e cagando na sua testa. Qual o problema nisso? Nada! Ócios do ofício”. Eddi, prefiro nem imaginar o que eu faria...

Teve uma vez que preparei um Power point com fotos do pessoal da turma na época da infância. Me lembro muito da foto de Eddi, vestido de matuto, com cara de bom menino. Igualzinho a como ele é hoje. Sempre imaginei que ele deve ter sido uma daquelas crianças fáceis de lidar, que toda mãe deseja. No mais, ainda fiquei pensando na resposta dele quando perguntei sobre suas crenças infantis e ele respondeu: Acredito ainda que Xuxa e Beto Barbosa fizeram pacto com o diabo. Esse povo é capaz de tudo para ascender!

[Peraí, Eddi. Xuxa vá lá, por que o pacto meio que deu certo, se fomos calcular a fortuna da Maria da Graça... mas Beto Barbosa, amigo? O cara deve estar num liseu de lascar hoje. Investiu tanto na lambada e acabou no limbo. È muito triste isso... quase tão triste quanto o destino de Afonso Nigro (ex-dominó) que parou de ouvir menininhas gritando por ele para ouvir a voz tenebrosa de Roberto Justus cantando...]

Minha cor favorita depende: se for de roupa, preto  (pq você vai sempre estar bem!). Se for na parede de casa, vermelho (pra dar aquele tom vibrante). Mas se for pra admirar e contemplar, azul (porque relaxa).

Uma das grandes dúvidas que permeiam a cabeça de parte dos jornalistas que conheço é: por que diabos eu escolhi essa profissão? Meu problema foi que meu pai quis ser jornalista e acabou cursando Economia. Então, ele sempre foi um torcedor inveterado de que eu seguisse essa carreira ingrata. Ao contrário do pai de Eddi. Segue o diálogo:
Eddi: Não me arrependo do curso que escolhi, mas poderia ter escutado melhor o meu pai, o senhor Edízio, que dizia : “Meu filho, existe mesmo lugar ao sol para um jornalista? Você não tem nenhuma afinidade com programação de computadores?
Edi: Eu mesmo não! Quero escrever para o mundo..... Olha, que promissor!

ENTREVISTA

Alguém de quem você gosta muito e por qual motivo.
Adoro gente com bom humor. Minha tia Denise é assim. Onde chega está garantida a descontração e as gargalhadas. Além disso, me entende em tudo, só com o olhar.

Alguém que te ensinou muito e o que essa pessoa te ensinou.
Com certeza, meu pai! Acordamos sempre no mesmo horário pra trabalhar. A diferença é que ele acorda para tal finalidade de domingo a domingo, sempre pontual e de bom humor. Quando o questiono de onde vem energia pra tanto, ele responde: “Só descanso quando todos vocês estiverem estabilizados, além disso quero chegar na velhice com a cabeça ativa”.

Você agora tem que compor a trilha da sua vida. Me dê duas músicas dela e explique o motivo da escolha.
Uma delas foi a minha entrada na formatura. Na ocasião escolhi pelo ritmo, mas ouvindo melhor, diz muito sobre mim “Deixa a vida me levar”, do poeta Zeca Pagodinho. Outra é a do Jota Quest “Mais uma vez”...por tantos momentos que poderiam ter mesmo parado no momento certo! E, de bônus,  aquela que danço agarradinho e de olhos fechados “Se era pra ser assim, então porque cuidou tão bem de mim, me seduziu, me enfeitiçou, diz que me quer, mas comigo não ficou”, de Aviões do Forró - essa é só pra dançar mesmo!

Se você pudesse mudar alguma coisa em você, fisicamente... o que seria?
Queria ser menos calvo. Sei que isso tem o seu charme, mas adoraria gastar mais com shampoo!

E psicologicamente?
Ser muito paciente. Isso significa que quando fico estourado é porque estou no meu limite.
Acontece muito com pessoas, agüento a primeira discussão, a segunda, e até a terceira, depois...

Na próxima vida, quais as características do atual Eddi que você traria de volta?
Meu bom senso. Não saio traçando coisas extraordinárias para mim.

Uma mania
Estou com uma mania bem recente de falar em Spañol. É uma merda, e não conheço a língua, mas os mais íntimos sabem que tenho muito afinidade com tal dialeto.  

Um desejo muito profundo.
Cortar as raízes. Ser mais aventureiro! Permitir errar tentando acertar...

Um cheiro.
Classic, da O Boticário, e Dune,  Dior.

O que ensinaria para um filho?
Ser pai é um dos projetos que tenho. Estou pensando em encomendar um para breve. Já tem nome: Joyce. A educação dela será rígida. Vai ser uma menina que encantará a todos, mas que não se dará com todos. Esse negócio de estar no colo de todo mundo não será com ela. No futuro, só orgulho pro papai!

Uma prova de amor.
Sou muito romântico. Diga que me ama, que você vai ver a pessoa mais besta na sua frente!

A melhor forma de comemorar é...
Com um churrasco, ás 11h de um sábado, na beira da piscina, bebendo cerveja gelada com todos os meus amigos. Passaria o dia aí! 



****************************************************

Fiquei uns três meses para terminar esse texto; ora por falta de tempo, ora por falta de inspiração. Eddi não é dos mais fáceis de descrever, já que é discreto o suficiente para me inibir de fazer observações fantasmagóricas ao seu respeito. Não que eu não conheça detalhes mais “intrigantes”, mas simplesmente não vejo necessidade de revelar – são notas de roda-pé só para íntimos, em cada capitulo que pude acompanhar de parte da vida desse meu amigo.

Embora goste de manter a fidelidade aos meus entrevistados, não sou muito partidária dos melodramas que carregam as homenagens. Então eu procurei uma forma de escapar. Por fim, perguntei: Eddi, você morre. O que eu escrevo na sua lápide?

Ele estava “muito doente”.

Saúde pra você, amigo. Sempre!


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Ainda na Estação: um momento nostálgico

Eu não quero ser repetitiva, mas não podia deixar de registrar mais um momento memorável da última Estação Retrô.

Como escrevi no post passado, Filipe foi ao camarim para entrevistar as celebridades "oitentonas" e com a incubência de me trazer um autógrafo do Dr. Silvana. Para nossa surpresa, ele não só me trouxe o "mimo" como praticou a tietagem no mais alto grau.

Permitam-me, então, utilizar da linguagem "fofa" própria das colunas sociais para descrever a cena:



Divulgação

ANOS 80 O jornalista Filipe Falcão, em noite de pura nostalgia, ao lado do ídolo Afonso Nigro, ex-Dominó

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Pensando com... André Clemente


- André, do nono andar, por favor...
- Um minuto... Ele não está em casa...
- Não tem problema, moço. Eu tenho a chave.
- Ok, pode subir...


Alguém é capaz de adivinhar o que tem de “ficção” nesse diálogo?

Bem, não é o fato de alguém chegar à casa de André Luiz, ou André Clemente, como ele prefere, e poder dizer ao porteiro que está com a chave da porta (embora não fosse verdade).

De fevereiro de 2007 até fevereiro de 2008 (se não me falha a memória), a porta do apartamento 905 do edifício San Benito, na Boa Vista, ficou totalmente à própria sorte. Sem chave ou qualquer outro obstáculo que evitasse um visitante indesejável, o cafofo era de quem fosse entrando.


E dessa história de André e a porta do 905, dois episódios me marcam:

O primeiro conta como a porta do apartamento, alugado mobiliado, diga-se de passagem, acabou quebrada. Costumávamos (e ainda costumamos) ir juntos, num bando de seis ou sete, ao Carnaval das ladeiras de Olinda. Bloco imaginário “Chupa essa manga”. No primeiro ano, resolvi levantar a bandeira branca mais cedo e fui-me embora pra casa, mas o resto ficou lá, entregue.

Já de volta à segurança do lar, André percebe que junto com o juízo, ele tinha perdido as chaves do apartamento em Olinda. Chaveiro, àquelas alturas, só por um milagre divino. Mas quem precisa de favores do céu quando se tem um amigo parrudo e etilicamente anestesiado que possa lhe arrombar a porta? Foi isso...

Desesperados com a possibilidade de ficar sem lugar para dormir (leia-se: sem lugar para tomar um banho e sair de novo), Eddi e Daniboy quebraram a porta do apartamento. Assim, ele (o apartamento) ficou por longos 12 meses esperando que André tivesse a decência de chamar alguém para arrumar. Detalhe: na estante da sala, martelo e pregos descansavam desolados e sem utilidade.

O segundo é muito breve e talvez seja de difícil compreensão àqueles que nos lêem. Assim como era comum a todos que freqüentavam o 905, Patrícia também adentrou o apartamento sem bater:



- “Tu ainda não consertou essa porta??” – disse.
- “Não, mas vou consertar para ter o prazer de batê-la na sua cara!” – respondeu André, com sua simpatia ácida peculiar.



Declaradamente elegante, meu personagem, na verdade, é uma pessoa de tolerância quase nula. Basta um fato aborrecê-lo, que sai de baixo. Eu mesma já presenciei cenas que atestam:


- “Minha gente, porque vão barrar os namorados na festa? Desse jeito, eu não vou... meu namorado não vai deixar” – queixava-se uma amiga nossa, numa das reuniões de organização da festa que fizemos no final de 2007 (regra da festa: agregado não entra!)
- “O relacionamento mal resolvido é seu. O problema é seu e pronto!” – largou André.



Eu, no meu canto, observava estarrecida enquanto ele se esforçava para não descontar o mau humor num cigarro Malboro.

Fiquei sabendo que essa qualidade lhe veio no sangue, como herança de Caruaru. Mandão que só ele, André já se auto-declarava líder da rua naquele começo da década de 90. Certa vez, barrado de uma brincadeira, não só deixou o time incompleto, como acabou com a diversão da turma toda. Em retaliação, ainda boicotou a participação do seu “desafeto” por uma semana.

[Embora ele me tenha relatado o fato por e-mail, posso ouvir suas gargalhadas, achando graça dos desmandos].

André foi uma criança de poucos brinquedos, privilegiada pela vida do interior, que não tinha a menor ideia do que seria quando crescesse. Entretanto, uma redação feita na segunda série primária, o denunciou: Policial.

“Dá pra acreditar? (risos) Louco!!”, disse sobre a revelação.



Hoje, em seu flat em Boa Viagem (que eu ajudei a escolher), André divide espaço com poucos móveis, alguns utensílios de cozinha (presenteados pelos amigos, em seu open house) e NENHUMA água na geladeira. A única habitante da “câmara frigorífica” é uma solitária garrafa de coca-cola zero. Aliás, já cheguei na casa dele para o mesmo botijão de água de dois meses atrás continuar vazio, mas uma elegante garrafa de Johnny Walker ocupar espaço da porta da geladeira.




Num momento nostalgia, ousei desafiar-lhe a memória e pedi que me contasse um fato importante de sua infância:

“Eu tive uma infância maravilhosa. Fica difícil eleger um fato mais importante... Um dos que mais gosto é quando minha mãe me ensinou a nadar!! Foi em Campos do Jordão.. acho que eu tinha uns cinco anos e ainda lembro dela mergulhando pra me explicar!! (risos) Nesse mesmo tempo, salvei meu irmão mais velho que estava morrendo afogado!!! Não nadando! Avisei a minha mãe e ela o salvou!! (risos) Viagem perfeita!”

Quando conheci André, ele tinha um cabelo horroroso (desculpa, amigo). Não sei bem como descrever, mas hoje pela manhã, pensando em como daria continuidade a esse texto, em como seria difícil criar uma imagem “fiel” do meu amigo jornalista, eis que me veio em mente um personagem perfeito, à sua imagem e semelhança:

Não vou gastar o seu tempo explicando o porquê da comparação. Qualquer pessoa que tenha assistido ao filme “A nova onda do imperador” sabe do que eu estou falando. Mas o cabelo, depois da química, ficava mais ou menos assim.

Continuemos...


Luiz Gonzaga canta que, na Feira de Caruaru “há de tudo que há no mundo”. Mesmo assim, a capital do forró ficou pequena pra André (leia-se: tinha poucas opções de lazer, quem sabe...) e ele resolveu transferir a faculdade de Jornalismo para o Recife. “Foi a melhor coisa que fiz em toda minha vida. Tive que decidir meu destino para não me arrepender depois”. Em suma, foi assim que ele veio parar aqui, lá (na Católica) e na vida de muita gente.

E ele acabou se tornando peça fundamental na vida acadêmica de muitos (inclusive, na minha). Não que fosse dotado de toda sapiência sobre Jornalismo e seus caminhos obscuros (muito embora, tenha um texto excelente, de gramática impecável); não que, para ele, os dias de prova fossem sagrados, assim como os ensinamentos de Habermas, Adorno, Stella, Heitor e Vlau. Pelo contrário, já cheguei a ligar para apurar seu paradeiro e ter que ouvir, em claro som: “Aula hoje, nem pensar. Tô lindo vendo novela!”.

Mas lembro-me bem de estar muito bem sentada na defesa do projeto de conclusão de curso dele, com Eddi e Patrícia (os supracitados). O vídeo sobre os Doutores da Alegria me fez chorar (lembrei da minha irmã, que teve leucemia) e rir (sabia dos detalhes funestos de bastidores). Até hoje tenho a foto da última ata e me lembro perfeitamente do 10 pelo excelente trabalho!

*

Ele disse-me que não acredita em almas gêmeas, que “definitivamente” não acredita que “existam duas pessoas no mundo completamente perfeitas uma para a outra”. Oras... e quem disse que eu me referia à perfeição? Jamais! Sou rodrigueana demais para isso, e concordei totalmente quando li Nelson dizer: “perfeição é coisa de menininha tocadora de piano”. E, com certeza, poucas vezes eu vi tanta desordem como quando se reúne (reunia, melhor) aquela turma. Um poço de defeitos de todos os tipos – dos engraçados aos insuportáveis.

Mas André sempre foi uma combinação incrível de coisas. Uma combinação chata, aliás. Tanto fazia passar no corredor fazendo festa como chegar azedo e insuportável, sem um “boa noite”. Todavia, totalmente capaz de combinar jeans, (bom) sapato, (boa) camisa de gola pólo (nada mais formal...) e primar pelo tom da prata: “Tudo com bom senso, é lógico!! Nada de exageros e sempre elegante!! (risos)”.



IC: Uma roupa que você nunca esquece.
André: Uma fantasia ridícula de
Changeman que minha mãe colocou em mim para uma das minhas festas de
aniversário. Detalhe: eu acho que era eu, já que, em todas as fotos eu estou com
o capacete. Triste, muito triste. (risos).


Sobre nossa profissão... Bem, veio do próprio André uma das melhores frases sobre o assunto. Quando lhe perguntei sobre o motivo que o levou a ser jornalista, ele me disse: “cheguei à conclusão de que todo jornalista adora o que faz, não se vê fazendo outra coisa, mas adoraria ter escolhido outra profissão”. Isso faz total sentido pra mim!

Se “o erro é fundamental”, são igualmente fundamentais os defeitos. E é o conjunto da obra que mais me entusiasma nesta pessoa “explosiva, impaciente e muito consumista”, segundo ele próprio. Para mim, que também possuo dos dois primeiros, seu pior defeito é um gosto musical miserável e uma cara-de-pau tamanha que o permite dizer, sem qualquer vergonha na cara: “Eu sou muito de ouvir algo de acordo com meu espírito! Axé, escuto sempre, mas uma que tenho escutado muito é Just Dance, de Lady Gaga! Isso sem falar em “Por que amar dói?”, de Prazer de amar (risos).



Sempre gostei do papel do jornalismo.. adoro
responsabilidade... e, quando se está de fora do jornalismo, o que se vê é que o
papel da imprensa é informar a sociedade, mostrar a verdade, traduzir os fatos e
blá blá blá!! Sempre achei que seria mais que isso... E comunicar é relamente
muito mais!!






E O PING-PONG

IC: O que seus pais representam pra você?
ANDRÉ: Meus pais foram minha organização. Meu empurrãozinho inicial, meu apoio, minha educação. Algumas vezes, não quero ver a cara de nenhum, mas tudo volta ao normal e volto a amá-los mais que tudo!

IC: Se pudesse mudar qualquer coisa do mundo, o que seria?
ANDRÉ: Derrubaria todos os estádios de futebol!!! Só deixaria construir alguns quando uma copa do mundo estivesse prevista!! Depois, derrubava de novo!! Estádio é centro de bagunça!! Todos!!

IC: O que te tira a paciência?
ANDRÉ: Ah, muita coisa. Mas melhorei!! Eu era muito pior!!! Hoje, algumas coisas continuam... gente demente, por exemplo! Odeio repetir coisas!

IC: Já sentiu vontade de matar alguém? Me conta...
ANDRÉ: Sempre!!!! (risos) A última: um amigo estava hospedado na minha casa e como ele seria o último a sair, pedi que deixasse a chave na portaria porque iríamos viajar. Quando volto pra casa, a chave não está na portaria... Ligo e estava com ele em Caruaru!!! Imagine a vontade de abraçá-lo!!





Uma combinação de cores e de sons também. Em harmonia, ouro e prata, caipirinha e martini, Margareth Menezes e Cazuza, Belo e Cartola... e tanta coisa exatamente igual!


AClemente, faço minhas as suas palavras: “Quero ser sua amiga até depois de morrer” .







***
Resumo de gírias:
"Tô na garapa!!"
"Chupa essa manga"
"Eu estou muito elegante!"
":O"
"Eu mesmo ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei"
"Quem aguenta esse Daniboy"
"Bota o faraóóó"
"êêêê, Faraó"
"Martini... numa taça muito elegante..."

;)