sábado, 30 de julho de 2011
CONTO - Cadeira branca
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Ali, na Rua Chile, 371
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| Mafalda e seu "pai", Quino |
Quino declinou a proposta, e disse que, se fosse o caso, a figura mais adequada para tal função era Manolito, o amiguinho capitalista-mirim de Mafalda - aspirante a Rockefeller portenho - cujo pai era o dono do armazén "Don Manolo". O tal do "Don Manolo vende baratíssimo!". (blog de Ariel Palácios)
segunda-feira, 15 de junho de 2009
É cada uma...
Fui intimada a prestar serviços na loja da minha mãe, agora no período de namorados. Mas não se engane, não é um mero passatempo. Sendo a loja pequena, certamente isso seria uma razão para que o trabalho, igualmente, fosse pequeno. Ledo engano... em épocas como esta, quando as pessoas tem motivos óbvios para presentear, a loja da minha mãe fica absurdamente cheia. Absurdamente entupida de gente...
Pois bem. Apesar de fazer parte de uma família voltada ao comércio, de certo, esse dom não veio adicionado aos meus genes. Além de não ter poder de persuasão para fazer alguém comprar, a paciência não é lá meu forte. Minha mãe sabe disso, então me poupa de ficar no balcão e eu fico bem instalada na embalagem. Uma semana inteira fazendo pacotes, embalando presentes.
Vamos em frente.
Sendo a loja pequena, por ora, forma-se uma enorme aglomeração. Eu olho pra fora e vejo a fila da embalagem atravessando o salão de uma ponta até outra. Bate o desespero. Pior é a criatura, mesmo vendo a multidão, insiste:
- Não pode ser embalagem prateada?
- Não, senhora, não tem deste tamanho...
- E aquela dali?
- Essa é o tamanho extra-grande, senhora. Não tenho como embalar seu chaveiro dele...
Tem quem reclame da embalagem quando eu já terminei todo trabalho. Ponho um papel cheio de corações, um laço vermelho bem fofo, colo o adesivo da loja, e...:
- Moça, esse presente é pra um amigo. Essa embalagem ficou muito gay!
- ...
O melhor do comércio, particularmente esses que ficam no centro da cidade, é ter que lidar com todo tipo de gente. Ok, não é “o melhor”, mas é interessante.
Dia desses, chega uma senhora com um pacote de uma loja de sapatos, querendo um laço para incrementar. Prontamente, a atendi. Aí ela olha pro balcão e vê um sapo de pelúcia de um cliente que estava no caixa. Drama um:
- Ah, eu quero esse sapo...
- Senhora, este sapo já tem dono, aqui é o balcão da embalagem.
- Ah, mas eu quero esse mesmo. Tome o dinheiro – diz, me empurrando uma nota de R$ 50.
- Senhora, infelizmente este já está vendido. Se a senhora quiser, pode pedir um no balcão de pelúcia. - Completei, vendo o ar de aflição do verdadeiro dono do sapo, que esperava logo atrás.
Tardelle correu e trouxe outro sapo, mas não teve jeito. Drama dois:
- Não... esse é feio – disse a senhora, sobre o sapo EXATAMENTE IGUAL ao outro – eu quero aquele.
- Mas aquele é desse senhor – explicou Tardelle, com toda paciência.
- Então eu não quero nenhum. Vou comprar em outra loja...
- Fique à vontade, senhora.
Nessa, eu já tinha me retirado, com o sangue em ebulição. É cada uma...
Mas nem só de aborrecimento vivem aqueles que vivem do comércio. Há também alguns fatos engraçados que ajudam a desopilar. Já no dia 12, passando das 19h, chegam dois rapazes que haviam comprado duas caixas e me pediram que ajudasse a acomodar os presentes nelas. Então me deram uma rosa [aquelas “solitárias”, embaladas individualmente] – eu medi, cortei o talo, amarrei e pus nas caixas. Era apenas uma parte do presente, composto ainda por um sutiã preto e uma calcinha microscópica. Com certeza, eu não caberia numa daquelas nem em 5 mil anos de dieta.
Caixa devidamente fechada, os dois, agradecidos pela minha “destreza e habilidade”, me ofereceram R$ 5 de gorjeta, que eu, educadamente, rejeitei.
- Obrigada, senhor, mas não precisa. Espero que seu presente faça sucesso.
- Vai fazer, moça... mais do que sucesso.
E sairam gargalhando.
É cada uma....
SUCESSSO Nem em 5 mil anos
sábado, 30 de maio de 2009
E onde vocês moram mesmo? **
Estar no lugar certo na hora certa pode mudar a sua vida, concorda? Num conceito não tão drástico assim, estar no lugar certo na hora errada também tem suas consequências. Pois bem.
Dia desses, fui ao oftalmologista para ele me receitar novos óculos para substituir os velhos e arranhados. Entreguei os documentos à secretária e disse a Tardelle:
- Bora sentar ali em cima? - me referindo ao salão, logo depois das escadas.
- Não, bora ficar aqui mesmo. - respondeu, já sentadão.
Aí peguei minha Rolling Stones do mês e tentei começar uma leitura. No lugar onde estávamos sentados havia duas cadeiras vagas, uma de cada lado. Aí senta uma senhora do lado dele e puxa conversa:
- Tá cheio aqui, né?
- É, né? - Responde, meio sem puxar muito papo, como lhe é peculiar.
Pronto, foi a deixa. Eu pensei que enterrar minha cabeça na entrevista com Caetano Veloso ia me salvar, mas eis que um senhor, sentado do meu lado, também puxa conversa e emenda uma piada:
- Eu assisti há muito tempo atrás no A praça é nossa...
Foi um esforço surreal para parecer simpática, pelo menos por fora. Mas aí foi a deixa também, e ficamos os dois, incumbidos de dar atenção aos dois senhores que, saberíamos dali a alguns minutos, eram um casal.
Dona Maria José (ou Mazé), 73 anos, era super falante, daquelas senhoras espaçosas, engraçadas. Pois não é que ela achou de se engraçar com meu namorado?
- Ela é ciumenta? - Perguntou Dona Mazé a Tardelle, referindo-se a mim.
- É, muito. - Respondeu ele, rindo.
- É... ela tem que ser mesmo. Um rapaz bonito desses...
Aí ela me puxa pelo braço e solta:
- Se eu fosse mocinha, tu tinhas deixado eu conversar com ele?
- Claro que não, né? – respondi.
Dona Mazé deu uma gargalhada...
- Mas do jeito que as coisas estão hoje, - continuou – você deveria ter medo!
- E como estão as coisas hoje?
- Você não viu Elza Soares? Ela tem mais de 70 também e namora um menino de 25.
Ri pra não dar um fora. Fiquei com medo do Estatuto do Idoso.
O problema foi que, no meio da graça, a gente começou a perceber algo errado:
- Vocês moram onde? – perguntou a “doce vovó”.
- Aqui perto - respondi.
Em 15 minutos, ela pergunta:
- E vocês moram onde?
- Ali perto do Náutico...
Vamos contabilizar: foram 35 minutos de espera, 30 minutos de conversa. Dez vezes ela perguntou onde a gente mora, outras oito, nossos nomes:
- E como são os nomes de vocês?
- Tatiana e Tardelle...
- Tardelle... que nome diferente. É bonito. Como se escreve?
Mas ela anotou num pedaço de papel pra não esquecer mais. O problema deve ter sido encontrar aquilo lá escrito e não saber do que se tratava... Mas como a própria Dona Mazé repetiu 14 vezes: "Melhor ser falante do que não falar nada, né?"
É...
** Dona Mazé sofre do Mal de Alzheimer, doença degenerativa do sistema nervoso, caracterizada pela demência.
domingo, 17 de maio de 2009
Operação radiola
Fui no centro da cidade atrás de uma dessas relíquias, até uma rua daqui que tem algumas lojas de móveis, umas funerárias e duas lojas de antiguidades. Numa delas, encontrei várias carcaças do que, um dia, há muuuuito tempo, foi uma radiola. Entretanto, segundo o dono da loja, só uma funcionava. Aí ele tirou pilhas de coisas de cima e desenterrou uma preciosidade: uma radiola quarentona, mala, com duas caixas de som, toca-fitas e rádio AM.
Eu fiquei encantada, aí virei pro dono da loja:
- Quanto custa?
- Seissentos reais. Ela funciona...
- Ah... ela funciona [num tom de desânimo]
E fui embora da loja. No caminho de volta. Tardelle ficou me dando sermão, dizendo que era melhor comprar um ipod.
- Cabe muito mais músicas - ele disse.
- Mas não toca vinil - rebati.
- Ainda bem... - ele disse.
Fiquei calada pra não me aborrecer mais ainda.
Por enquanto, a operação radiola está abortada por falta de recursos.
Agora à noite, tava conversando com Bruno. Ele é adepto ao passado suas velharias musicais e, com certeza, seria muito mais sensível ao meu desejo. Fiz uma busca no Mercado Livre e fui passando algumas coisas pra ele ver.
Eis que uma radiola me chama atenção: rosa choque e por R$ 159,00!!! Já ia dizendo a Bruno que tinha encontrado a minha radiola "nova", mas parei antes pra ler o anúncio direito. Então, tive que dividir com ele a minha frustração:
- Tinha achado uma ótima aqui. Era até rosa e tinha um preço legal. A chamada do anúncio dizia que ela funcionava, mas olha o que diz no rodapé: "A radiola está funcionando (rodando), mas não emite som". - disse.
E Bruno:
- Oxe, deve ser pra surdo!
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Ps: Alguém conhece alguém que queria vender uma radiola QUE RODE e EMITA SOM?
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