No último 11 de janeiro, a primeira edição do Rock in Rio completou 25 anos. Foi em 1985 que Roberto Medina, então com 35 anos, conseguiu montar uma mega estrutura e reunir nomes importantes (e não tão importantes) do rock nacional e internacional no Rio de Janeiro. De lá pra cá, o festival já teve sete edições: três no Brasil, três em Lisboa, Portugal, e uma em Madrid, na Espanha. Este ano, vai pra quarta edição portuguesa e segunda espanhola. Por aqui, há previsão de que ainda em 2010, o Rock in Rio volte ao lar, conforme o jornal O Estado de S.Paulo: “ta na hora de trazer de volta”, disse Medina. Concordo!
Mas naquela edição de 1985, eu estava prestes a completar meu segundo ano de vida e, claro, não me lembro sequer dos rumores que o festival causou. Mas eu tenho, sim, memórias particulares sobre ele, através da minha tia, irmã mais nova do meu pai, que esteve lá.
Aos 20 e poucos anos, (tia) Gilka saiu de casa dizendo ao meu avô que passaria 15 dias no Rio de Janeiro, passeando e conhecendo a capital carioca com um grupo de amigos do Recife. Ligou a primeira vez, avisando que estenderia a estada e pedindo dinheiro. Assim fez outras vezes, até que vovô se zangou e mandou que ela voltasse pra casa, depois de 45 dias de bandalheira.
Então, para registrar os 25 anos do “Woodstock” carioca, eu fui atrás dela para saber o que aconteceu naqueles dias. Segue como homenagem póstuma (e atrasada):
Como você foi parar no Rock in Rio?
Na verdade foi tudo inesperado. Estava de férias da faculdade (cursava o 4º ano de Direito, na época) e recebi convite dos amigos de infância para irmos ao Rio de Janeiro. Calhou de ser exatamente no período do Rock'in Rio.
De quem foi a ideia?
Desse grupo de amigos inseparáveis de infância. A maioria deles residia no "beco" à época. Esse "beco" é a Rua Estevão de Oliveira, uma rua sem saida que fica no bairro da Boa Vista, aqui no Recife.
Quem estava no grupo que saiu do Recife pro Rio e como vocês foram?
Daqui partimos Alexandre, Stênio, Vânia, Dora e eu. Todos de ônibus. Eliane e Elaine, irmãs, estavam morando no Rio já há algum tempo e ficamos todos hospedados no apartamento delas, que ficava no bairro do Riachuelo.
Como foi a viagem?
A viagem foi divertida, mas extremamente cansativa, pois se leva 2 dias e meio Recife-Rio de Janeiro, mas, tudo era novidade e afinal tinhamos em média 20 anos de idade! (risos)
A priori, quantos dias iria durar a viagem?
Quando pedi a meus pais autorização pra essa viagem, foi pra passar 15 dias conhendo o Rio de Janeiro. Mas diante das novidades, especialmente o mega festival de música, Rock'in Rio, esse tempo se multiplicou em 45 dias e ainda correndo o risco de demorar muito mais (risos).
Qual o melhor show que você assistiu?
O de Gilberto Gil. Além das músicas, o efeito visual foi belíssimo, inesquecível mesmo. um grande olho no fundo do palco e canhões de luzes na direção das nuvens. Sensacional.
Qual o fato que você mais lembra do festival?
Fora a beleza das músicas, das várias apresentações que assistimos (Phill Colins, Rita Lee, Gilberto Gil e outos), me lembro da quantidade de pessoas, em média 250 mil,na cidade do Rock. Isso, além da tendas com uma diversidade imensa de eventos, chafarizes e, lógico, quando me perdi do grupo pra tomar um pouco de glicose no posto médico. Estava desde cedo "degustando" chopp sem me alimentar corretamente. aí concluo que conheci absolutamente todos os "espaços" do festival (risos - se conheço minha tia, gargalhadas!).
O que mais chamou atenção?
A quantidade de gente concentrada por metro quadrado. Realmente impressionante.
Quanto tempo você ficou no Rio?
Como falei, 45 dias, mas se meu pai não cortasse o envio de recurso financeiro, creio que ainda hoje estava por lá (risos). Apesar de que um amigo carioca sugeriu que a turma fizesse uma "vaquinha" pra que eu não voltasse... exageros de adolescentes,. Mas voltei porque a pressão aqui era grande e precisava retomar as responsabilidades.
O Rock in Rio foi o festival de música que mais juntou gente na América Latina. Dava pra ter dimensão disso? Qual era a sensação?
Na verdade, até então, no auge dos meus 20 anos de idade, nunca havia participado de um festival de música tão grandioso. Além da cidade do Rock ser imensa, com uma infra-estrutura espetacular, a quantidade de pessoas foi incalculável. Só acreditei em tudo isso, porque assisti. Foi um mega evento e muito bem pensado pelos idealizadores.