Mostrando postagens com marcador rock'n roll. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rock'n roll. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ROCK in RIO - eu disse que ia, eu fui

No voo de volta do Rock in Rio, vim pensando em como a sensação sobre as coisas mudam. Fiquei na fissura de ir ao festival porque ouvi, ainda pequena, a história da minha tia, Gilka, que foi para a primeira edição, de 85, meio sem querer (a gente contou essa história aqui). Tinha também aquela coisa Cazuza, "Pro dia nascer feliz" e algo do tipo Woodstock felings. Não foi bem assim.

Vamos combinar que, vislumbrando um festival de rock, uma programação excessivamente eclética dá ares de "vale tudo" (por dinheiro). Se estamos falando de rock, é no mínimo honesto que se corra (para longe) de tipos como Cláudia Leitte, Ivete Sangallo, Shakira, Rihanna e cia. ltda. Tenho nada contra, embora não consuma esse tipo de música, mas destoa excessivamente e nada disso tem a ver com rock. Comprei o ingresso no primeiro lote, ainda em 2010 (como registrei aqui), mas fui ficando desanimada a medida em que era divulgada a programação. Fiquei imaginando como seria ir a um festival de rock pra ficar vendo o povo pulando ao som de versos como "eu quero mais é beijar na boca". E, pra mim, quase tão importante quanto quem está no palco é quem está na plateia e público misturado acaba com o tesão da coisa.

E se você fosse projetar seu próprio festival de rock, que faria com o quesito areia + água = lama? Defina como quiser, mas pra mim, piso é coisa de boate e grama sintética, de campo society. Claro que aquele tapete de grama plástica quebrou o maior galho para descansar as pernas, mas também quebrou o climão. É tudo "confortável" demais para um festival de rock. Ok, pode dizer que Woodstock ficou em 69, mas você há de convir, tem tudo a ver.

Confesso que fiquei torcendo por um toró daqueles para desmanchar escova de gente modista metida a roqueira, mas que vai pra um evento daqueles montada num salto (!) e trabalhada na maquiagem tipo "baladinha" para ficar cantarolando aquele som meio emo do Cold Play. Sério: quase me senti um E.T. por ser do parco grupo de meninas que não tem cabelos loiros-e-alisados-quimicamente. São Pedro não me atendeu, mas eu adoraria ter visto nêga correndo da chuva pra não deixar o reboco cair.

Estou parecendo uma velha resmungona, mas é a ponta de frustração que me sobrou depois do Rock in Rio. Até porque, se o slogan era "por um mundo melhor", eu não vi nada de enaltecedor na quantidade de lixo (a proposta de sustentabilidade foi pelo ralo, porque papel era bóia) e nos preços absurdos das coisas (R$ 13 por um sanduíche - leia-se hamburguer, pão e queijo. Pra ter molho, mais R$ 2 | No mínimo R$ 80 por uma camiseta-souvenir de malha | R$ 5 por um copo de refrigerante de 300 ml), principalmente com aquela quantidade gigante de grandes patrocinadores: Claro, Itaú, Sky, Coca-cola, Niely Gold, Correios e até uma versão exclusiva de um perfume Paco Rabanne.




Pô, Frejat... de terninho?
FREJAT
Eu já confessei que escolhi o dia 1º de outubro por causa de Frejat. Gosto de Elton John, mas além dele não ser nada rock, estava super mal acompanhado no primeiro dia. Lobão, que era minha esperança, nem entrou na programação. Aliás, Frejat fez um show ótimo, mas ele continua, pro grande público, como a parte viva de Cazuza (e bastou cita-lo pra galera gritar). E ele ajudou, quando começou com "Exagerado", música de Cazuza na qual ele nem tem parceria. Na hora eu achei estranho, mas Frejat anda "diversificando" o repertório nessa fase da carreira solo, na proposta "Essa tal felicidade", fazendo a linha intérprete que é um desperdício. A surpresa pra mim foi ele cantar "Malandragem" (nunca tinha visto/ouvido) - aí sim, dele e de Cazuza - e a participação de Rafael, filho dele (de Frejat, claro), que toca guitarra muito bem. Mas, na boa, quando ele entrou no palco de terno, eu já perdi 5% do tesão. Confesso de novo: adorei o show! Skank (uma das bandas favoritas da minha irmã, Juliana) e Zeca Baleiro também fizeram bem o trabalho de palco.

AMÉM
Quem aproveitou o slogan positivista do Rock in Rio 2011 foi a comunidade evangélica do Rio de Janeiro, que pregou que, "Por um mundo melhor", "só com Jesus". A frase foi exaustivamente repetida em cartazes ao longo do caminho até a Cidade do Rock e distribuída em bilhões de panfletos-poluidores (claro, quem guarda panfletos?) com um textinho bizarro que li por cima, até eles misturarem religião com música e colocarem Jesus no meio.

No momento, eu estou vendo o show atrasadíssimo dos Guns'n Rose, que termina esta edição do Rock in Rio. Axl atrasou mais de duas horas e eu acho muito bem feito, já que a organização do festival, enaltece demais os artistas gringos. Sim, eles já anunciaram que o próximo Rock in Rio já está marcado, para setembro de 2013. Ingressos, claro, já podem ser comprados. Se vou? Aí é outra história.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Evolução do ser

Eu gosto muito de Lobão e sou fã do seu último álbum, o Acústico MTV. Além dos motivos óbvios, acredito que ele se reinventou ali, deu acabamento às próprias obras. Diria que ele conseguiu evoluir e chegar ao melhor num misto de qualidade acústica, voz e arranjos.

Esta é minha opinião de fã e de expectadora de dois shows desse álbum que, aliás, levou o Grammy em 2007. Como me disse o próprio, na época, "era pra fazer o melhor". E no propósito de fazer um "concerto de rock", Lobão acertou em cheio.

Para que se possa tirar conclusões próprias, escolhi duas versões do clássico "Me chama", uma das minhas favoritas, com uma letra linda (inclusive, regravada por João Gilberto, numa interpretação, segundo Lobão, "tão ruim" que ele nem ouviu).
A primeira é ainda da década de 80, num clipe tosco (como boa parte das produções da época) com um Lobão de voz fina que chega a confundir. O segundo é o último álbum. Ouçam e avaliem.







E aí?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Bodas de prata do Rock in Rio



No último 11 de janeiro, a primeira edição do Rock in Rio completou 25 anos. Foi em 1985 que Roberto Medina, então com 35 anos, conseguiu montar uma mega estrutura e reunir nomes importantes (e não tão importantes) do rock nacional e internacional no Rio de Janeiro. De lá pra cá, o festival já teve sete edições: três no Brasil, três em Lisboa, Portugal, e uma em Madrid, na Espanha. Este ano, vai pra quarta edição portuguesa e segunda espanhola. Por aqui, há previsão de que ainda em 2010, o Rock in Rio volte ao lar, conforme  o jornal O Estado de S.Paulo: “ta na hora de trazer de volta”, disse Medina. Concordo! 

Mas naquela edição de 1985, eu estava prestes a completar meu segundo ano de vida e, claro, não me lembro sequer dos rumores que o festival causou. Mas eu tenho, sim, memórias particulares sobre ele, através da minha tia, irmã mais nova do meu pai, que esteve lá.

Aos 20 e poucos anos, (tia) Gilka saiu de casa dizendo ao meu avô que passaria 15 dias no Rio de Janeiro, passeando e conhecendo a capital carioca com um grupo de amigos do Recife. Ligou a primeira vez, avisando que estenderia a estada e pedindo dinheiro. Assim fez outras vezes, até que vovô se zangou e mandou que ela voltasse pra casa, depois de 45 dias de bandalheira.

Então, para registrar os 25 anos do “Woodstock” carioca, eu fui atrás dela para saber o que aconteceu naqueles dias. Segue como homenagem póstuma (e atrasada): 

Como você foi parar no Rock in Rio?
Na verdade foi tudo inesperado. Estava de férias da faculdade (cursava o 4º ano de Direito, na época) e recebi convite dos amigos de infância para irmos ao Rio de Janeiro. Calhou de ser exatamente no período do Rock'in Rio.

De quem foi a ideia? 
Desse grupo de amigos inseparáveis de infância. A maioria deles residia no "beco" à época. Esse "beco" é a Rua Estevão de Oliveira, uma rua sem saida que fica no bairro da Boa Vista, aqui no Recife.

Quem estava no grupo que saiu do Recife pro Rio e como vocês foram?
Daqui partimos Alexandre, Stênio, Vânia, Dora e eu. Todos de ônibus. Eliane e Elaine, irmãs, estavam morando no Rio já há algum tempo e ficamos todos hospedados no apartamento delas, que ficava no bairro do Riachuelo.

Como foi a viagem? 
A viagem foi divertida, mas extremamente cansativa, pois se leva 2 dias e meio Recife-Rio de Janeiro, mas, tudo era novidade e afinal tinhamos em média 20 anos de idade! (risos)

A priori, quantos dias iria durar a viagem?
Quando pedi a meus pais autorização pra essa viagem, foi pra passar 15 dias conhendo o Rio de Janeiro. Mas diante das novidades, especialmente o mega festival de música, Rock'in Rio, esse tempo se multiplicou em 45 dias e ainda correndo o risco de demorar muito mais (risos).

Qual o melhor show que você assistiu? 
O de Gilberto Gil. Além das músicas, o efeito visual foi belíssimo, inesquecível mesmo. um grande olho no fundo do palco e canhões de luzes na direção das nuvens. Sensacional.

Qual o fato que você mais lembra do festival?
Fora a beleza das músicas, das várias apresentações que assistimos (Phill Colins, Rita Lee, Gilberto Gil e outos), me lembro da quantidade de pessoas, em média 250 mil,na cidade do Rock. Isso, além da tendas com uma diversidade imensa de eventos, chafarizes e, lógico, quando me perdi do grupo pra tomar um pouco de glicose no posto médico. Estava desde cedo "degustando" chopp sem me alimentar corretamente. aí concluo que conheci absolutamente todos os "espaços" do festival (risos - se conheço minha tia, gargalhadas!).

O que mais chamou atenção?
A quantidade de gente concentrada por metro quadrado. Realmente impressionante. 

Quanto tempo você ficou no Rio?
Como falei, 45 dias, mas se meu pai não cortasse o envio de recurso financeiro, creio que ainda hoje estava por lá (risos). Apesar de que um amigo carioca sugeriu que a turma fizesse uma "vaquinha" pra que eu não voltasse... exageros de adolescentes,. Mas voltei porque a pressão aqui era grande e precisava retomar as responsabilidades. 

O Rock in Rio foi o festival de música que mais juntou gente na América Latina. Dava pra ter dimensão disso? Qual era a sensação? 
Na verdade, até então, no auge dos meus 20 anos de idade, nunca havia participado de um festival de música tão grandioso. Além da cidade do Rock ser imensa, com uma infra-estrutura espetacular, a quantidade de pessoas foi incalculável. Só acreditei em tudo isso, porque assisti. Foi um mega evento e muito bem pensado pelos idealizadores.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tudo bem

Lulu Santos e Nelson Mota

Já não tenho dedos pra contar
De quantos barrancos despenquei
E quantas pedras me atiraram
Ou quantas atirei

Tanta farpa tanta mentira
Tanta falta do que dizer
Nem sempre é "so easy" se viver

Hoje eu não consigo mais lembrar
De quantas janelas me atirei
E quanto rastro de incompreensão
Eu já deixei

Tantos bons quanto maus motivos
Tantas vezes desilusão
E quase
Quase nunca a vida é um balão

Mas o teu amor me cura
De uma loucura qualquer
É encostar no seu peito
E se isso for algum defeito
Por mim tudo bem, tudo bem

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Comentando o comentário abaixo

Rapaz, vovó gosta tanto de música e Céu tem uma voz tão legal... Achei que tava agradando, né? Eu tava naquele Abril pro Rock, o negócio é que não dá pra saber quem foi ver o quê ali...

Mas então...

Primeiro que fumar baseado não tem problema nenhum pra quem gosta - desde que não seja em espaços fechados, até pq, é proibido até fumar um careta. E não sou eu quem está dizendo, é lei. Enquanto jornalista formada (e cidadã, claro), tenho que ser favorável aquilo que é certo e o certo é: meu direito termina onde começa o seu.

Não me incomodei com a maconha alheia e sim com a fumaça alheia. Eu não fumo e não to afim de virar passiva.

Outra: R$ 80 num show patrocinado? Rapaz, eu paguei, depois de muita economia, pra ver o de Chico, com "Carioca" - que foi na mesma época do show de Marisa (janeiro de 2007, certo?). Excelente! Pagava de novo... mas não tinha essa conversa fiada de "preços populares".

Bora combinar que aqui ninguém tem dinheiro sobrando. A Natura bancou o show de Céu e abateu toda despesa do IR. Céu trabalhou que só a porra (ela dirige o show da turnê, além de compor e cantar), você, eu e todo mundo que foi ao show, idem (imagino), e a Natura sai de "patrocinadora da cultura brasileira"?

Por favor, né? Preço popular é um quilo de alimento não perecível, igual ao Todos com a Nota.


Mas opiniões estão aí para serem discutidas.
Obrigada demais! =D



Dica: Projeto Seis e meia traz Guilherme Arantes pro Teatro do Parque na próxima quinta, às 19h. Ingressos à R$ 20 e R$ 10.

Guilherme tá empoeirado, mas ainda gosto.

Céu com Vagarosa no Teatro da UFPE - FOTOS



Show do álbum "Vagarosa", de Céu, no Teatro da UFPE - sexta, 18 de setembro de 2009. Estas são algumas (tentativas de) fotos que tirei. O negócio é que a habilidade da fotógrafa e a distância do palco não ajudaram muito.


Bom, aproveitando a postagem das fotos, esclareço que vovó não é surda (pelo contrário, escuta bem até demais). Talvez o erro tenha sido meu, de tê-la convidado a ver um show de uma cantora que ela ainda não conhecia. Mas nem se trata disso.



Sim, concordo que Céu canta bem (se não pensasse assim , não teria ido ao show). Quanto ao local, achei que fosse adequado, a julgar pelo “balanço” da música, que não é dos mais agitados. Só que eu mudei de ideia depois que percebi o típico de público que ela atrai. Lembrando que no outro show que ela fez aqui, no Abril pro Rock, fica difícil de avaliar o público específico de cada artista.




Quanto ao preço dos ingressos, continuo defendendo que R$ 30 não tem nada de “popular”. Quando uma empresa do porte da Natura se propõe a patrocinar shows selecionados através de concurso (com edital e tudo), pressupõe-se que o intuito é atingir um público que não teria acesso não fosse o subsidio. E vendo o público presente no teatro, não vi nada de novo, salvo algum engano.



Se bem que, com um salário de R$ 465, não tem valor que seja popular para o que é “supérfluo”. Nesse caso, popular e acessível de verdade, só aqueles showzinhos legais que a prefeitura promovia na estação de Metrô – de graça e no horário de pico. Né verdade?


Mas aí é outra história.