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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Miséria assombra o milagre da cura

Alegria exibida por Marciano ao deixar o hospital no Recife, após quase um ano de tratamento, está comprometida. Na casa dele, em Floresta, no Sertão, falta de tudo e morcegos são ameaça constante

Texto: Ciara Carvalho, repórter de Cidades do Jornal do Commercio


O lugar que abriga o milagre envergonha. Não há banheiro nem água encanada. O mato seco serve de esconderijo para a humilhação. De dia, o mormaço do Sertão é espantado por um ventilador doado. À noite, são os morcegos que espantam o sono. O retorno para casa trouxe a realidade de volta. O quarto onde Marciano Menezes da Silva, 16 anos, foi marcado por um morcego mais parece um celeiro. De tão precária, a casa de taipa da família está fechada. Dias antes da chegada do garoto a Floresta, todos se mudaram para a casa da avó. Lá, pelo menos, é parede de tijolo e piso de cimento. O banho foi improvisado na varanda. Marciano reclama. Tem medo de cair da cadeira de rodas. O pai ajeita. Segura o menino sem poder. Na falta de tudo, os dias se limitam a cama e televisão. O jovem que derrotou a raiva pode ser vencido pela pobreza.

Não é fácil chegar à casa de Marciano. Não bastasse morar no Sertão, a 433 quilômetros do Recife e a sete horas de viagem da capital, o menino vive no meio do mato, na zona rural de Floresta. Do Centro do município, dá quase uma hora de asfalto e estrada de barro. Difícil na estiagem, o caminho esburacado de terra fica impossível no inverno. Para o agricultor João Menezes, pai de Marciano, ir até a cidade significa gastar R$ 15. É o preço da lotação. Daqui a três semanas, quando deverá retornar ao Recife para fazer uma cirurgia no quadril, Marciano terá que se acostumar a essa longa jornada. Pelo menos uma vez por semana, precisará fazer fisioterapia na Associação de Apoio à Criança Deficiente (AACD), na Ilha Joana Bezerra, área central da capital. É no tratamento intensivo que repousam suas chances de voltar a andar.

Escondida na caatinga, a miséria assombra a recuperação do garoto. Ele não gosta da cadeira de rodas. Ela lhe deixa inseguro. As pernas e a coluna doem. Mesmo se estivesse mais familiarizado com o equipamento, de pouco ele lhe serviria para quebrar os dias de cama do hospital. Tudo em volta da casa de Marciano é pedra. O terreno irregular impede qualquer tentativa de passeio. O máximo de frescor que o menino experimenta é quando os pais colocam a cama de frente para a porta da casa. Dá para distrair um pouco os olhos que não saem da frente da TV, espiando o terreiro de poucas árvores.

Um dia depois de ter voltado para casa, o jovem quase não dormiu com o barulho dos morcegos no telhado. No dia seguinte, as fezes do animal eram a prova de que o perigo ronda a casa. “Ele ficou assustado. Com medo de ser atacado novamente”, diz a mãe, Sônia Menezes, que também não conseguiu pregar os olhos. Seu João, o pai, desafia os limites do corpo. Carrega Marciano de um lado para o outro buscando forças onde não tem. A hérnia de disco faz sua coluna queimar. Os exames acusaram vários bicos de papagaio nas costas. “Eu tô pegando ele porque é o jeito. Mas tem hora que a dor tira o meu fôlego”, resigna-se. Dona Sônia teme que o marido não aguente e deixe Marciano cair. “Mas ele só confia nos braços do pai para sair da cama”, conforma-se.

A dor nas costas não ameaça apenas os deslocamentos do filho. Seu João tirava do plantio do milho e feijão o sustento da família. Quando a situação apertava, ganhava um trocado queimando madeira para fazer carvão. Os oito filhos dependem do agricultor para comer. “Com essa hérnia, não vou mais aguentar cuidar da roça. Vai ficar tudo mais difícil”, lamenta. Com a doença de Marciano, ele deixou o roçado para trás. Faz um ano, desde que o garoto foi internado no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife, que o cuidado com o sítio foi deixado de lado. A família está vivendo do salário mínimo que Marciano passou a receber do INSS.

No último sábado, um sopro de esperança chegou em forma de promessa para Marciano e sua família. Após tomar conhecimento das dificuldades enfrentadas pelo garoto, a prefeita de Floresta, Rosângela Maniçoba, garantiu à reportagem do Jornal do Commercio que o menino receberia toda a assistência necessária no tratamento. No dia seguinte, cinco secretários – de Educação, Obras, Agricultura, Assistência Social e Saúde – visitaram a casa do garoto, anunciando tudo que será feito. Prometeram cavar um poço, reformar a casa, construir um banheiro, levar professora particular e alugar uma casa no centro da cidade. Servirá de ponto de apoio no difícil caminho da recuperação.


» Quem quiser ajudar pode doar qualquer quantia no Banco Real, em nome de João Gomes de Menezes, agência 1035-9, conta-poupança 21743385-1

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vai um drink aí?

Pilha japonesa é recarregada com água, cerveja, drinks e até urina

Do ONNE



Primeiro, você precisava de água e suco de limão para fazer o despertador Bedol Water Clock funcionar. Agora, nem mais de limonada você precisa para ligar o seu radinho. As pilhas japonesas NoPoPo (No Pollution Power) prometem revolucionar o mercado; elas podem ser recarregadas com diversos tipos de líquidos, inclusive água e urina.

Totalmente não-tóxica, para salvar o meio ambiente - e de quebra alimentar o seu controle remoto - é muito simples: basta colocar o líquido de sua escolha (também pode ser cerveja, café, refrigerante e saliva) na seringa que acompanha o produto e encher a pilha com algumas gotas. Em alguns minutos, você está pronto para usá-la.

A pilha pode ser recarrega cinco vezes e pode funcionar por até 15 horas. Segundo a empresa, o produto tem previsão de chegar no mercado europeu ainda neste ano. No site Japan Trend Shop, o par sai por US$ 55.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Roubaram de novo, mas já devolveram

Foi mau. As postagens aqui estão tão devagar que levam furo de todos os lados [não, nem aqui nem em canto nenhum, minha intenção tem a ver com furos]. Deu tempo até de um roubo se desfazer por ele mesmo...

Há uns dias, roubaram outras telas famosíssimas. Aliás, famosíssimos eram seus autores, não as telas em si. Bem, o fato é que levaram dois Cândido Portinari, um Tarsila do Amaral e um Orlando Teruz - quatro belezinhas avaliadas em algo em torno de R$ 3,5 milhões - de uma mansão, num bairro rico de São Paulo. Vejam vocês...

Foto: Patrícia Araújo/G1

Da esquerda pra direita:
1. "Crucificação de Jesus", de Orlando Teruz
2. "O cangaceiro", de Portinari
3. "Retrato de Maria", também de Portinari
4. "Figura em Azul", de Tarsila do Amaral


O mais curioso dessa história não é o roubo em si, mas o fato de terem feito a gentileza de devolver os quadros. Junto, ainda devolveram umas bijouterias que tinham sido levadas no bolo. Segundo o delegado que (não) solucionou o caso, a única avaria sofrida pelos quadros foi a remoção das molduras.

Agora, a grande questão: por qual motivo ladrões iam fazer devolução? Eu estou sem entender até agora e tô achando essa história muito mal contada. Ficaram compadecidos pela pobre família rica... A polícia suspeita que o roubo tenha sido encomendado.

E voltando...

As quatro obras foram roubadas da mansão da família Maksoud no domingo, 10 de maio. "Por causa da pressão da polícia" (!!!), as obras e as bijouterias foram abandonadas em uma rua da zona oeste de São Paulo. Os bandidos ainda ligaram para a Rede Record, avisando a devolução. O prejuízo fico somente em alguns mil dólares e as jóias (verdadeiras).

Insisto na falta de segurança a que estão sujeitas muitos quadros valiosos como estes. Roubos desse tipo já são fato corriqueiro. Esses foram devolvidos, mas e os outros tantos que ninguém (muito menos a polícia) sabe onde foram parar. Qualquer dia, vamos ver uma peça de Portinari sendo leiloada no Mercado Livre.

sábado, 2 de maio de 2009

Roubaram Dalí

Adolescente, de Salvador Dalí, de 1941


Estava lendo num site de notícias que esse quadro fantástico do surrealista Salvador Dalí foi roubado. Segundo a polícia, homens armados renderam funcionários do Museu Scheringa de Arte Realista em Spanbroek, um vilarejo ao norte de Amsterdã. O crime aconteceu ao MEIO-DIA!

Além da tela de Dalí, os ladrões também levaram "La Musicienne" (abaixo), um óleo sobre tela de Tamara de Lempicka.

Brincadeira, né? Junto com os ladrões, deveriam ser presos os responsáveis pela segurança de um museu responsável por obras como estas, que permitem que parte da história da arte mundial acabe nas mãos de marginais. Em plena luz do dia... imaginem sem nunca mais as telas forem recuperadas, o que é bem provável que aconteça. Como fica? Fica o buraco na parede do museu? Fica a perda para as Artes??

Isso já tá virando uma constante. Se já se tem ciência de que grande parte das obras tidas como "originais" não passam de cópias, imagine com esses furtos de obras importantes? Não é possível que algo como esse quadro de Dalí passe despercebido em algum leilão...




** Tamara de Lempicka nasceu Maria Górska, na Polônia (1898 - 1980).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Playmobil®, in memorian

Transitando entre sites, deparei-me com a notícia da morte do inventor do Playmobil®. Sim, aqueles bonequinhos fantásticos, plásticos, cheios de uma imaginação própria que participaram da infância de muita gente. Inclusive da minha. Hans Beck morreu nessa segunda, 2, em sua casa, que fica às margens do lago de Konstanz, na fronteira entre Suíça, Alemanha e Áustria.

É muito interessante pensar que alguém, com uma idéia aparentemente simples, contribuiu com a nossa diversão através dos seus 2,2 bilhões de pequenos bonequinhos. Os Playmobils® têm 7,5 cm e começaram a ser comercializado em 1974 (nem tanto tempo assim, aliás).

Mas a morte de Hans Beck é apenas um detalhe. Vamos registrar seus feitos, que é melhor. Ele nasceu em Turíngia, Alemanha, em 1929, e começou como carpinteiro. Logo ficou expert em fabricar brinquedos.

Em 1958, ele começou a trabalhar na empresa Geobra, dedicando-se às maquetes de aviões, maquinaria e veículos industriais. Somente 13 anos depois, foi para o departamento de brinquedos, com a tarefa de desenvolver uma nova linha de produtos para crianças, com bonecos e automóveis. Seu primeiro protótipo do Playmobil® de poucos centímetros, movia braços e pernas e era facilmente manipulável pela mão de uma criança.

Com o tempo, o protótipo virou um boneco versátil, que se adaptava a qualquer situação (o meu, por exemplo, era sorveteiro e amigo da Barbie!). No começo, o brinquedo era indicado para crianças até quatro anos. Depois, virou paixão até para adultos.

E daquela pequena idéia, a Geobra, hoje, importa Playmobils® para 70 países em todo mundo. O desenho do boneco, observe, nada mais é que a reprodução de um desenho infantil, com dois olhos e uma boca sorridente.


CRIADOR E CRIATURA - Valeu, Hans