Mostrando postagens com marcador Clarice Lispector. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clarice Lispector. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Motivos para amar...

Clarice

Ainda bem

Ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outros amores. E outras pessoas. E outras coisas.

domingo, 4 de abril de 2010

Cazuza, 52 anos

Hoje, Cazuza faria 52 anos. Ariano, nasceu em 4 de abril de 1958, uma sexta-feira Santa.

Há dois anos, o Jornal do Commercio publicava uma matéria especial, em comemoração aos aniversário de 50 anos do poeta. Foi, claro, um presente pra mim, que assinei o especial que ocupou o caderno quase todo.

Hoje, republico aqui a entrevista que fiz com Ezequiel Neves, amigo pessoal e produtor de Cazuza.

Eu já havia perdido as esperanças de conseguir falar com Ezequiel. Havia conseguido o telefone da casa dele em outra pauta (sobre o livro do qual ele foi co-autor, junto com baterista Guto Goffi e o jornalista Rodrigo Pinto, contando a história do Barão Vermelho). Eu já havia ligado várias vezes: na primeira, me atendeu a empregada; na segunda, a secretária eletrônica. Naquela que seria a última tentativa, arrisquei deixar um recado na secretária eletrônica:

- Zeca, aqui é Tatiana Notaro, repórter de cultura do Jornal do Commercio, do Recife. Estou fazendo uma matéria especial sobre os 50 anos de Cazuza. Se você puder...

Pronto, aí Zeca atendeu. Primeiro, controlei o coração (como todo repórter iniciante, eu ainda me emociono com algumas coisas), me recompuz e comecei a conversar com ele. Um dos grandes responsáveis pelo caminho trilhado por Cazuza e pelo Barão Vermelho - juntos e separados.

Zeca tem mais de 80 anos, calculo. Na minha cabeça, cultivei a imagem que li nos livros sobre Cazuza: um senhor de meia-idade, cabelos já quase todos brancos, louco, inteligente e viciado em livros e drogas ilícitas. Bem diferente da figura que apareceu no especial "Por toda a minha vida", acabadinha e sem dentes. Prefiro a primeira opção. Vamos ficar com ela, ok?

Até hoje, mora no Rio de Janeiro, num apartamento de foi de Cazuza, próximo à favela Pavão Pavãozinho. Com o especial publicado, peguei um exemplar do jornal, do dia 3 de abril de 2008, e enviei-lhe pelos correios, como me pediu.
 
ENTREVISTA » EZEQUIEL (ZECA) NEVES
“Cazuza é a ausência mais presente na minha vida”
Publicado em 03.04.2008

Ezequiel Neves tem 73 anos. É jornalista, produtor musical e orgulha-se de ser o “pai” (ou avô, como a ele se refere o baterista Guto Goffi) da banda Barão Vermelho. Zeca ainda trabalha com os meninos do Barão, atualmente fazendo trabalhos individuais, e se formos comparar os relatos sobre ele, datados daquela época, o produtor musical e jornalista continua o mesmo maluco, amante da boemia, das artes (como ele mesmo se declara) e das drogas (“das boas!”). Sua amizade quase siamesa com Cazuza entrelaça a vida dos dois – então não há jeito de falar do poeta exagerado sem juntar-se para um papo ao seu fiel companheiro (de noitadas no Baixo Leblon ao dia do resultado do teste da aids). Entusiasmado com a idéia de relembrar seu "neto", Ezequiel Neves concedeu uma entrevista ao JC.

JC – Como foi o começo da história de Cazuza na música?
EZEQUIEL (ZECA) NEVES – Conheci Cazuza como boêmio, em 1979, e ficamos amigos instantaneamente. Quando ouvi a fita demo do Barão Vermelho, achei aquela banda maravilhosamente underground. Soube que era o Cazuza quem cantava ali, liguei para Lucinha e disse: “Prepare-se, porque seu filho é absolutamente genial!” (Gargalhadas).

JC – A sua posição foi a mais incômoda quando Cazuza resolveu sair do Barão Vermelho. Por que você assumiu os dois?
ZECA – Quando Cazuza me disse que ia sair da banda, eu disse a ele que era a maior bobagem esse negócio de querer virar patrão dele mesmo, sabe? O Barão sempre foi uma excelente moldura pra ele, não tinha motivo. Quando eu disse ao Cazuza que ia cuidar dos dois, ele me disse que eu fazia muito bem. Eu fui “salomônico”. (Risos)

JC – Lucinha contou em seu livro, que você estava com Cazuza no dia em que ele soube que estava com aids. Como foi esse dia?
ZECA – Foi muito difícil, porque eu já sabia. O médico contou primeiro ao João e à Lucinha e os dois me contaram. Achei aquilo erradíssimo! Naquele dia, ele insistiu para que eu fosse, mas me deixou na sala de espera do consultório. Quando saiu, foi logo dizendo “estou, estou, estou”. Aí a gente foi para Ipanema, era umas 19h. Ele estava desesperado! Eu tentei acalmá-lo, dizendo que tinham outros médicos e que ele não era promíscuo, então não tinha como estar contamidado.

JC – Há muitas comunidades sobre Cazuza no Orkut que discutem sobre o que teria inspirado a letra de "Codinome beija-flor". Você assina a parceria da música, pode explicar sobre o que fala a letra?
ZECA – (Risos) Cazuza foi internado com uma “baronite aguda”, porque estava com febres altíssimas e queimou um baseado. Foi no hospital onde a gente compôs "Codinome" e a letra fala da imagem de alguém, mas não alguém específico.

JC – Qual foi o motivo desta internação? Já era a aids?
ZECA – Foi em 87 e ninguém sabia do que se tratava. Olhe... a morte é insubornável! Os pais dele fizeram de tudo para salvá-lo! Os exames desta internação deram negativos à contaminação por HIV.

JC – O quê você lembra sobre a fase da doença?
ZECA – Foi uma coisa horrorosa. Eu estava brigado com Lucinha e João e Cazuza exigia a minha presença. A primeira vez que ele tomou o AZT teve efeitos colaterais horríveis.

JC – Qual foi a última vez em que você viu o Cazuza vivo?
ZECA – Foi na véspera da morte dele. O achei muito ausente. Saí da casa dele naquele dia, fui pra minha casa e cheirei muito (cocaína). Me contaram que foi a Lucinha quem me ligou no dia seguinte, me avisando, mas eu não lembro. Sei que caí no apartamento e acordei com Dulce Quental, Nilo Romero e Frejat, que tinham arrombado a porta. Pus uma camisa que o Cazuza tinha me dado e fui pro velório. Não me lembro de nada, só de ver pessoas chegando. Você quer uma frase bonita pra colocar aí? O Cazuza é a ausência mais presente na minha vida!

JC – Vai muito ao cemitério?
ZECA – Túmulo é uma coisa muito forte, sabe? Principalmente pro Cazuza, que era muito livre. Vou lá, levo flores, acendo um cigarro Hollywood e coloco em cima do túmulo... ele fuma todinho. (Risos)

JC – Como seria a relação do Zeca aos 70 com o Cazuza aos 50?
ZECA – Isso não é palpável. Não quero luzes, quero mágica! Não sei o que seria, sei que ele não está mais aqui.

JC – E as comemorações pelos 50 anos dele?
ZECA – A Lucinha sempre manda rezar uma missa. De lá, vamos para a Pizzaria Guanabara, no Leblon, com ele, viu? Por que eu vou levar um pôster enorme do Cazuza! (risos) Me lembrei de quando eu fiz 49 anos. O Cazuza fez uma festa e disse a todo mundo que eu estava fazendo 50 anos, aí quando foi no ano seguinte, realmente meus 50, o pessoal falava: “de novo?”. (Risos)


E FALANDO NISSO...
Cazuza era fã de Clarice Lispector. Como prometi no post publicado no dia do aniversário de morte da escritora, fui hoje até a Praça Maciel Pinheiro e fotografei a estátua em sua homenagem, que faz parte do Circuito da Poesia:























Estátua de Clarice Lispector, no Circuito da Poesia, no Recife
























Estátua de Clarice Lispector, no Circuito da Poesia, no Recife

Detalhe: a máquina de escrever sobre o colo

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Clarice de “modernismo remodernizado”

Hoje é “aniversário de morte” (!) de Clarice Lispector, que deixou essa terra em 9 de dezembro de 1977. Particularmente, me identifico muito com suas falas – ela é, das mulheres da literatura, aquela por quem tenho mais apreço. Não desmerecendo Raquel e Cecília (de Queiroz e Meireles, respectivamente), mas por conseguir compreender “profundamente” melhor as palavras de Clarice do que o regionalismo e as efemeridades das outras (respectivamente). Clarice se auto declarou impulsiva, certa vez. Muitas vezes, eu também o faço. 

Aliás, a simples afirmativa de “identificar-se com Clarice” é pequena e vasta. Pequena, por que “ser” o que Clarice escreve é muito fácil - no fim das linhas, acabamos nos mesmo lugares, com os mesmos anseios e os mesmo medos. “Vasta” é uma tentativa frustrada de descrever a grandiosidade do que ela foi capaz de (d)escrever, embora ainda acredite que o predicado seja simplório demais para coisa tão grande.
Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.

Clarice morreu aos 57 anos incompletos, um dia antes do seu aniversário. Nasceu Haia Lispector, na Ucrânia, em 1925, mas veio morar no Recife bem cedo. Viveu aqui durante toda infância, até mudar-se para o Rio de Janeiro. No centro da cidade, temos uma estátua dela, na Praça Maciel Pinheiro. Inclusive, me bateu agora a curiosidade de saber como anda o estado da tal pedra. Dia desses, passo lá na praça para averiguar e ainda registro foto melhor do que esta, que foi a única que encontrei no Google. Aproveito também para fotografar e identificar (não nessa ordem) o prédio onde viveu a escritora e jornalista, que fica na esquina da praça com a Travessa do Veras.



"Pedra" de Clarice, na Praça Maciel Pinheiro, aqui no Recife

Não vou me perder mais falando da biografia de Clarice, já que dados e comentários sobre isso se encontram aos montes em qualquer simples busca. Mas uma coisa que li aqui me chamou atenção: Em 2005, em artigo publicado pelo The New York Times, Clarice foi “descrita como o equivalente de Kafka na literatura latino-americana” (ou latinoamericana?) por Gregory Rabassa, que traduziu a obra da “ucrano-brasílica” para o inglês.

E outra: em 14 de setembro, Clarice dormiu enquanto fumava e causou um incêndio que deixou seu quarto ficou totalmente destruído. Com inúmeras queimaduras pelo corpo, passou três dias sob o risco de morte — e dois meses hospitalizada. Quase tem sua mão direita — a mais afetada — amputada pelos médicos. Dizem os registros que o acidente mudou totalmente a vida de Clarice. Eu não sei o quanto, mas já me interessei em procurar. Lembrem-me, por favor.

Há um tempo, ganhei um exemplar de “A descoberta do mundo” que, confesso, ainda não li. Não sei exatamente de quem ganhei, mas sei exatamente o porquê: era um dos livros preferidos de Cazuza. A pessoa que me deu decerto me conhecia bem.

Sugiro àqueles que gostam de Clarice [e àqueles que ainda não tiveram o prazer de conhecê-la], que acessem o sítio www.claricelispector.com.br. Ali, ganhe dez minutos lendo o artigo escrito por Tristão de Atayde:

No seu último livro, em dedicatória escrita um mês antes de morrer e que recebi, no próprio escritório de seu último editor, José Olympio, essa mulher atormentada terminava suas palavras de afeto, ao seu primeiro editor, com essa sentença literal que tudo explica: “Eu sei que Deus existe.” Sua trágica solidão teve também um Companheiro. (leia na íntegra clicando aqui)






BELA CLARICE 
“Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada. A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida. Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo. Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Imagens e palavras para as dores da vida



São Paulo (SP) A natureza e capaz de florescer até nos lugares mais difíceis, como na fiação elétrica em Sete Barras (SP). 27/09/2009

E vejam só o que eu encontrei agora de manhã no site do Estadão. Uma foto bem adequada para fazer a gente lembrar de todas as coisas que fazem parte da vida. Nem sempre justas ao nosso entendimento, mas sempre com seus porquês.

Para hoje: Clarice Lispector

Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.

(...)

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

(...)

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

(...)

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.