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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Diploma? A gente tem!

Fez dois anos: estava apreensiva, assistindo ao Jornal Nacional, quando a repórter, direto de Brasília, avisou que o Supremo Tribunal Federal tinha derrubado a obrigatoriedade do diploma de jornalista. Na hora, a raiva foi tão grande que eu sacudi a almofada na televisão e chamei Gilmar Mendes de todos os nomes feios que vieram na minha cabeça. Logo depois, imagem de outro ministro, chamando jornalismo de arte... Arte?

Pois bem. Por ora, estamos na mesma. Periodicamente, recebo o informativo virtual da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), falando da PEC (o tal Projeto de Emenda Constitucional), que revalidará o diploma (se meu São Assis Chateaubriand permitir). Antes garantido por uma emenda (termo muitíssimo adequado), o diploma de jornalista teria sua própria lei. Será reconhecido por lei... vejam só... como se jornalismo fosse pouca coisa. Como se fosse favor.



Eu investi muito na faculdade e morro de orgulho do meu diploma. Orgulho danado de ser jornalista e ter compromisso, de fato. Já recebi tanta crítica por isso. Chamaram-me de positivista, infantil, ingênua - mas todo jornalista tem lá seus rótulos e eu nem ligo pros meus, enquanto forem esses.

É triste que alguém que estudou tanto para chegar onde chegou (imagino eu, sobre o Gilmar Mendes) bata o martelo e determine que seja dispensável estudar para exercer uma profissão tão socialmente importante. Se a sociedade não puder exigir que nós, Imprensa, tenhamos formação universitária, estudo, base, vai exigir o quê? É triste que a gente viva em um país que aprove retrocessos. E antes que falem de novo, não estou puxando sardinha pro meu lado. Eu continuo com meu diploma, com meu salário, com meu cargo de repórter, mas me  preocupo com a condução do Estado, aquele que acha normal não estudar, acha normal fazer de qualquer jeito, na base do remendo. O velho jeitinho, que já perdeu a graça faz tempo.

Você pode até dizer que compromisso, ética, honestidade e qualquer outro item do bom jornalista não se aprende na faculdade; mas ajuda, garanto. Mas, por enquanto, não se preocupe. A imensa maioria (perdoe-me a redundância, mas preciso dar ênfase) dos profissionais que conheço - da equipe da qual participo e de outros jornais - são sérios, competentes, comprometidos (dentro de suas restrições - lembremos sempre que jornal é empresa e empresas têm vontade própria) e bem formados. Diplomados.


PARA NÃO PERDER O HUMOR
Jornalista é um bicho excêntrico, divertido. Então, mesmo falando de coisa séria, cabe uma leveza aqui. Outro dia, estava defendendo a vocação. A do jornalista, acredite, é forte:


Sem vocação, você faz medicina, pelo dinheiro.
Sem vocação, você pode até fazer administração, para tentar colocar ordem em qualquer coisa que aparecer. Não que o emprego vá ser tudo de bom, mas ele existirá...

Mas, sem vocação, você faz jornalismo? Pra quê? Não tem dinheiro, não tem emprego e, acredite em mim, não tem glamour.


Tacy Viard, na época do fim da obrigatoriedade, andava propagando uma frase da sabedoria popular: Diploma, "você não vale nada, mas eu gosto de você".


Duda Rangel, do "Desilusões perdidas", consegue colocar humor nessa coisa toda de ser jornalista. Para lembrar essa data marginal, ele entrevistou o diploma de jornalismo. Lê aqui.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Jornalistas, somos artistas?

Ayrton Maciel, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco (SinjoPE)



Haverá o dia em que ouviremos a notícia de que um pai, nos momentos de felicidade pelo nascimento de um filho, lhe dará, como primeiro presente, o registro de jornalista no Ministério do Trabalho. Ou seja, já se nascerá com uma profissão. E se não der certo em nenhuma outra que vier a escolher depois, não terá problema. É só voltar à raiz.

É certo que a Terra tem alguns milhões de anos, e certamente terá outros milhões. É possível que nesse espaço futuro de tempo voltemos ao estágio em que a Medicina seja praticada por curandeiros, que os rábulas sejam os grandes oradores do Direito, que a Igreja volte a negar que a Terra gira em torno do Sol. No entanto, por enquanto, ainda saudamos a ciência, a pesquisa, a formação e a razão, bases do processo civilizatório, do progresso material e do desenvolvimento humano.

E por que tanto rodeio para dizer que somos contra a filiação de não-diplomados aos Sindicatos de Jornalistas? Porque curandeiro não consegue registro nos conselhos de Medicina, rábulas não fazem a prova da OAB e a Igreja não manda mais ninguém para a fogueira por cientificamente negar dogma.

Não podemos ser cúmplices. Nossa obrigação é lutar. Não podemos admitir que o processo termine por transformar Sindicatos em clubes de recreação e balcão de comércio de identidade profissional ou arena para estreitismo ideológico. No primeiro caso, há o risco de se chegar a um sindicalismo de compadrio; no segundo, termos um sindicato estéril. Estamos em uma etapa de luta, não cabe cair na luta.

Somos contra a filiação de não-diplomados. A decisão do STF foi um retrocesso de 100 anos. O mais grave ataque à profissão e à sua organização de trabalho em um século. Se todo mundo é jornalista, onde tudo começa e tudo termina? Admitir a filiação de pessoas que se beneficiam dessa decisão é referendar a posição do nosso algoz.

E agora, o Código de Ética dos Jornalistas serve para quem, se todos são jornalistas? O que valerá é o código de ética das empresas ou o código de cada um? Ou, o não-código?

Jornalismo não é arte. Não é arte plástica, não é arte cênica, não é literatura e não é cordel. É só uma profissão, um ofício com suas técnicas de apuração, redação e apresentação, que tem seu espaço de criação, mas, que - diferentemente da arte - não tem qualquer traço de ficção nem é ilimitado no imaginário do jornalista.

O jornalista não cria, apenas relata. Nos assemelhamos aos artistas apenas na vital necessidade de liberdade. Jornalismo não se vende, não é mercadoria, não é moeda de troca, de barganha ou de acumulação de riqueza. Quem assume o papel do capital é a empresa privada e quem assume o papel do poder público é o Estado, não é o Jornalismo. Portanto, precisa ter alguém para exercê-lo com identidade.

O risco de hoje é perdermos tudo o que construímos para aqueles que acham que Jornalismo é arte.


quinta-feira, 4 de março de 2010

Estamos no caminho...

Estamos, alguns, na luta insistente de debater o ideal; mesmo sabendo que o embate será eterno. Sempre haverá o real para se sobressair ao pobre e raquítico idealismo e suas correções. Só não quero, mais tarde, ao olhar num espelho, perceber que o idealista de testa franzida e discursos firmes virou um conformista empoeirado e lacônico, daquele que repete, como um vinil velho: “é assim mesmo”. 

Abaixo, um texto assinado por Alberto Dines, que exerce o jornalismo há anos.


EDIR MACEDO
Bispo quer a carteirinha de jornalista

Por Alberto Dines em 2/3/2010

O bispo-empresário Edir Macedo insiste em ser jornalista. É dono de uma poderosa rede de TV, tem concessões para dezenas de emissoras de rádio, pode dizer o que quer, enganar, subtrair, distorcer, criar fatos e factóides. Mas não está satisfeito. Quer uma carteirinha de jornalista. Para atender suas angústias existenciais ou ganhar convite para as estréias de filmes.

Apelou para a justiça em 2001, conseguiu ser admitido como jornalista-colaborador e em agosto de 2009, depois de o Supremo Tribunal Federal acabar com a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, entrou com uma ação no Tribunal Regional Federal da 2ª Região. O desembargador Fernando Marques o atendeu.

Errou o meritíssimo, data vênia: a entidade à qual Edir Macedo pretende associar-se (o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro) é composta exclusivamente por trabalhadores. Na condição de patrão, empregador – e aqui não vai nenhum juízo de valor –, Macedo não pode pretender a defesa dos interesses dos empregados. É incompatível.

Sindicato é, segundo o dicionário Houaiss, uma...

"...associação, para fins de estudo, defesa e coordenação de seus interesses econômicos e/ou profissionais, de todos os que (na qualidade de empregados, empregadores, agentes ou trabalhadores autônomos ou profissionais liberais) exerçam a mesma atividade ou atividades similares ou conexas."

Edir Macedo tem todo o direito de associar-se a um sindicato de empresas ou empresários. São seus iguais, conexos. Suas atividades e funções na Rede Record (ou em qualquer outro veículo do seu grupo) não são similares às dos demais funcionários. A começar pelo poder de admitir ou demitir que o colocam em posição desconexa frente aos demais companheiros.

Especificidade liquidada

Absorvido pelas novidades aportadas pela decisão do STF no tocante ao diploma, o magistrado passou ao largo dos condicionantes ontológicos e morfológicos de uma entidade sindical. A guilde francesa, guild inglesa ou gilde alemã eram corporações de artesões formadas na Idade Média, organicamente coesas e obrigatoriamente uniformes.

Segundo o mesmo Houaiss, corporação é um...

"...conjunto de pessoas que apresentam alguma afinidade profissional, de idéias etc., organizadas em uma associação e sujeitas ao mesmo estatuto ou regulamento... Organismo social que reúne os membros de uma mesma profissão".

A um comerciante de vinhos jamais ocorreria associar-se a uma corporação de vinhateiros. Um vende, o outro produz, ambos lidam com vinhos mas em diferentes posições do processo, com interesses divergentes.

Mesmo que Edir Macedo seja capaz de redigir corretamente um texto de 10 linhas como as centenas de jornalistas aos quais paga salários, o simples fato de ser o detentor de um meio de produção (e representar o capital), coloca-o em posição diametralmente oposta à daqueles que representam o trabalho. Não são categorias melhores ou piores – são diferentes, radicalmente diferentes.

Ao justificar a extinção da exigência do diploma, o ministro Gilmar Mendes do STF tentou ir além e liquidou a especificidade de uma profissão com registros históricos que remontam ao Império Romano. Agora, o egrégio Tribunal Regional Federal da 2ª Região avança na dissolução de um sindicato e anula sua definição e função social.

Estamos no bom caminho...

terça-feira, 2 de março de 2010

Resultado da queda do diploma para jornalistas: começa a bandalheira

[Bom para aqueles que pensam que a nossa revolta é somente corporativismo]

Justiça concede carteira de jornalista para Edir Macedo 
Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro

Era só o que faltava! O desembargador Fernandes Marques, do Tribunal Regional Federal, determinou que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio expeça Carteira de Identidade Profissional de Jornalista em nome do bispo Edir Macedo, líder espiritual da Igreja Universal do Reino de Deus.

A decisão do desembargador, proferida em 26 de agosto de 2009, atende a um recurso de apelação em mandado de segurança impetrado por Edir Macedo para tentar obter a carteira de jornalista, negado em sentença proferida, em primeira instância, em 13 de março de 2001, no mesmo ano em que o líder religioso encaminhou o pedido à Justiça.

Paralisado desde então, o mandado de segurança foi concedido integralmente no ano passado pelo Tribunal de Regional Federal, em segunda instância, baseado na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 17 de junho de 2009 extinguiu a obrigatoriedade de diploma de nível superior para o exercício da profissão de jornalista.

No esclarecimento que está encaminhando ao TRF, o advogado do Sindicato, Walter Monteiro, explica que existe uma série de exigências para serem cumpridas e que aguarda o pronunciamento do TRF para saber como proceder diante da decisão.

Explicações
O advogado lembra que o bispo Edir Macedo, quando impetrou o mandado de segurança em 2001, informou que possuía um registro especial de "jornalista colaborador", embora hoje não exista mais esta função nem a obrigação de diploma de nível superior para se exercer o jornalismo. Destaca, no entanto, que "não é verdade que o registro profissional tenha deixado de existir - até para continuar dando algum sentido à identificação do jornalista, como é a intenção do impetrante (Edir Macedo)".

Na opinião de Walter Monteiro, agora o bispo deve obter um registro de jornalista no Ministério do Trabalho e não apenas um registro especial de colaborador, “que era facultado aos não portadores de diploma antes da inconstitucionalidade da decretação desta exigência”.

No pedido de esclarecimento à Justiça, o advogado do Sindicato observa que a carteira é um documento legal de identidade, com validade de três anos, emitida em formato digital com um chip, além de assinalar que Edir Macedo precisa comparecer pessoalmente ao Sindicato, com fotos, RG e CPF.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

NOSSA VITÓRIA

Do site da Fenaj, com informações da Secretaria de Imprensa da Presidência do Senado


PEC dos Jornalistas é aprovada na CCJC do Senado


 A PEC 33/09, que restitui a exigência do diploma de jornalista, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado nesta quarta-feira (02/12). Na semana passada o presidente do Senado, José Sarney, prometeu a dirigentes sindicais dos jornalistas que se empenhará na agilização da tramitação da matéria. Representantes da FENAJ reunem-se ainda nesta semana com a Frente Parlamentar em Defesa do Diploma para definição dos próximos encaminhamentos.

A apreciação da matéria na CCJ começou às 11h, com pronunciamento de vários senadores. Posta em votação às 14h15, a PEC 33/09 foi aprovada por 20 votos contra dois. Posicionaram-se contra apenas os senadores Demóstenes Torres (DEM/GO) e ACM Júnior (DEM/BA). A matéria agora segue para apreciação em plenário.

“Os patrões vieram para a disputa e jogaram pesado”, conta o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. Prova disto foi o acompanhamento da reunião da CCJC pelo próprio presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), Daniel Slaviero, que, antecedendo os debates, fez um corpo-a-corpo junto aos parlamentares, inclusive distribuindo panfleto da entidade.

Para Murillo, a presença de representantes do empresariado reforçou o que a FENAJ já vinha apontando, que a questão do diploma não está ligada às liberdades de expressão e de imprensa, mas sim às relações trabalhistas entre empregados e patrões. “Foi mais uma vitória importante do movimento pela qualificação do jornalismo”, disse o presidente da FENAJ. “Mas ainda temos muito trabalho pela frente”, completou, controlando o tom comemorativo de outros dirigentes da entidade e de Sindicatos de Jornalistas que o acompanhavam.

Nesta semana deve ocorrer, ainda, uma reunião entre os autores e relatores das PECs que tramitam na Câmara dos Deputados e do Senado, juntamente com a coordenação da Frente Parlamentar em Defesa do Diploma e com dirigentes da FENAJ. A o objetivo da reunião é estabelecer ações para que a tramitação das matérias avance ainda mais em 2009.

Agilizar a tramitação
Em visita ao Senado no dia 25 de novembro, diretores da FENAJ e dos Sindicatos dos Jornalistas do Ceará, município do Rio de Janeiro e de São Paulo foram recebidos pelo presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB/AM). O presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade, pediu o apoio de Sarney ao restabelecimento da obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional. O parlamentar assumiu o compromisso de agilizar a tramitação da matéria no Senado.

Sarney lembrou seu ingresso no Jornalismo, aos 17 anos, como repórter dos Diários Associados no Maranhão, e manifestou-se favorável à causa, mas ressalvou que não é favorável "a exageros", referindo-se à preocupação do Supremo Tribunal Federal (STF) em preservar a liberdade de expressão. Os representantes da categoria esclareceram que a posição da categoria é flagrantemente a favor "da livre manifestação da opinião na imprensa". A figura do colaborador, do especialista que escreve sobre a área de seu conhecimento, é permitida pela regulamentação da profissão, explicaram.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Michael Macunaíma Jackson: A mídia x o astro pop

Nova estátua de cera de Michael Jackson, no museu Madame Tussauds (Foto: Joel Ryan/AP)


Acho extremamente curiosa a necessidade humana de pôr-se contrário a determinado fato. Eu leio de tudo, em tudo que é canto, e o assunto que está na roda desde o dia 25 de junho é, claro, óbvio, a morte-mistério-espetáculo-funeral de Michael Jackson. Então, tentando fazer diferente, vou abrir este registro me limitando a questionar. Depois, sentar-me-ei, aguardado que algum crítico-detentor-da-verdade-estéril me traga qualquer resposta plausível.

Ah, antes de qualquer palavra que possa me comprometer, sinto-me na obrigação de assumir que me enquadro no grupo dos que traçam opiniões (por vezes, furadas) sobre tudo.

Senhores, primeiramente, pergunto-me qual seria a maneira mais adequada da família Jackson se posicionar diante da morte de Michael. Pergunto-lhes se seria preferível que houvessem optado por resguardar o momento somente aos próximos ou se era direito adquirido do público, que durante essas mais de quatro décadas deu o real sentido à carreira de Michael, presenciar a despedida. A dor da família, da mãe, dos filhos, merecia mais respeito e mais silêncio. Seria somente deles o direito intransferível a prestar homenagens à memória do filho mais talentoso, correto? Mas como afastar fãs, mídia e os sempre presentes "urubus" de um acontecimento como este? Por si só, o simples fato de Michael ter morrido já deixou parte do mundo chocado, incrédulo.

E só para não desvirtuar de sua habitual postura, também na morte, ele surpreendeu. De início, fiquei frustrada com o "simples" infarto que o matou, mas depois, convenhamos, os próprios fatos se encarregaram de desenhar para Jackson a morte que se imagina para um astro de sua grandeza.

A questão dois: Li alguns textos que criticaram veementemente a cobertura maciça que toda mídia terráquea concedeu ao óbito. Oras, teria como ser diferente? Imagine a construção de uma cena em que Michael Jackson morre, o Jornal Nacional avisa aos interessados e depois do “boa noite”, encerra-se o assunto. Ficaria só o vácuo...

Ao contrário. No dia 25, ainda diante da certeza-nem-tão-absoluta, que dependia de um boletim médico oficial para se tornar igualmente oficial, os veteranos da bancada do JN, que já narraram tudo o que foi de desastre (de terremotos a explosão de avião) engasgaram no ar. Isso, com direito a pedido de desculpas: “estamos emocionados com a morte de Michael Jackson”.

O dia 26 amanheceu com o mundo falando do mesmo assunto. Jackson, ainda quente, o infarto e fãs (e não-fãs) meio abestalhados, sem saber o que tinha acontecido. “Esse homem não ia fazer uma turnê por esses dias? Como é que ele morreu?”, ouvi, muda. Sabe-se lá.

Pequena pausa: A mídia, inclusive, foi acusada de tentativa de “canonização” do astro pop. Vejam só vocês... imaginem! Todo o mundo acometido por uma perda súbita de memória. Ninguém mais lembra dos escândalos, da excentricidade. Aquela imagem de um bebê balançando na janela foi um delírio coletivo. Agora, voltamos à razão e reconhecemos em Michael Jackson o mesmo ar inocente, diria, imaculado, de quando ele tinha seus quatro, cinco anos, e vivia sobre o açoite paterno.
Por favor, né?

Pode ser difícil entender, mas a lógica é simples. A mídia é sim poderosíssima, implacável, impiedosa e blá, blá, blá, mas não subestimem a capacidade da tal opinião pública. Imagine: Michael Jackson santificado... Igreja de São Michael Jackson protetor dos amantes do pop...

“São Jackson, rogais por nós!"

Outra pausa: Curiosíssimo o artigo publicado no site do Observatório da Imprensa, destacando o “grande feito” da revista Piauí que trouxe na capa da sua última edição uma chamada deixando bem claro que não falaria sobre Michael. O artigo festejava a revista, a sua originalidade de avisar aos seus leitores que ignoraria Jackson, a histeria causada pela sua morte, os mistérios que envolvem causa e efeitos.

É... Até aí, tudo certo. Só que eu fiquei me perguntando, como leitora – não como fã, o porquê dessa postura. Michael tem tanta coisa interessante pra ser explorada. Talvez até a sua morte servisse de gancho para que a revista destrinchasse a música pop, passado, presente e futuro funesto. Quem sabe?

Na verdade, to achando que faltou foi pauteiro nessa história. Não surgiu nenhuma idéia legal para explorar outras vertentes do fato, aí eles acharam por bem não tocar no assunto. O melhor é que tocaram, e na capa... bem, acho que eles ficaram sem ter o que acrescentar. Todo mundo já tinha dito tudo.

Foi isso?

Câmbio, desligo e fico no aguardo!

Obs: Palmas para Eugênio Bucci que conseguiu me surpreender. Ninguém conseguiu adjetivar Michael de forma mais criativa que ele com o “singelo pseudônimo” de “crooner dançante”. Bucci, o que é isso? Despeito ou ignorância?

Obs2: E como minha capacidade ócio-criativa é uma beleza, fiz mentalmente um novo rótulo para adicionar a MJ. Por que não compará-lo a Macunaíma? Índio negro que virou branco, e herói sem nenhum caráter. Taí. Gostei.


***

O FATO É...
Em 15 anos, o Senado Federal conseguiu atingir a marca de 663 atos secretos. E pra completar, veja só... está lembrado daquela história escabrosa de "cartões corporativos" (leia-se o cartão de crédito que político gasta e a gente paga)? Pois bem, não fosse a farra em 2008, quando foram gastos R$ 4,8 milhões, esse ano a fatura vem mais alta ainda. Até agora, os gastos já somam R$ 4,08 milhões (e ainda temos mais de cinco meses pela frente), dos quais apenas R$ 20 mil (VINTE MIL REAIS - menos do que o valor do meu carro), equivalente a 0,5% foram declarados. O restante, pasmem, é considerado DESPESA SECRETA. Os dados são do Transparência, site mantido pela Controladoria Geral da União.


E SOBRE O DIPLOMA (fonte: Observatório da Imprensa)

Advogado brigão
O advogado Francisco Rogério Del Corsi, defensor de Camila Dolabela, acusada de matar uma jovem num jogo de RPG, comportou-se mal a prestações. No primeiro dia, ao chegar ao Fórum de Ouro Preto, MG, no dia 1º de julho, jogou o carro contra uma repórter de TV, não conseguindo por pouco consumar o atropelamento. No dia 2, na porta do Fórum, deu um soco no fotógrafo do jornal Estado de Minas, Emmanuel Pinheiro. O soco acertou a máquina, que bateu no rosto de Pinheiro. Em seguida, ameaçou: "Depois encontro o senhor na hora em que o senhor quiser". Voltando-se para o fotógrafo do jornal O Tempo, Bruno Figueiredo, insultou sua mãe. E esbravejou: "Vocês são vagabundos, despreparados. Vocês sequer têm diploma!"
Pois é: ele, o causídico, que xingou, agrediu e tentou atropelar, tem diploma.

Opa, eu também tenho!!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O Intra-Cranianos defende essa causa!

Em Defesa do Diploma - Ato em SP reúne jornalistas de todo País

Site do SJSP

Representantes da FENAJ e de 31 sindicatos de jornalistas de todo o País participaram hoje (20/08) de uma manifestação em defesa do diploma e da regulamentação da profissão. O ato foi em frente à Superintendência Regional do Trabalho e precedeu a abertura oficial do 33º Congresso Nacional da categoria, que acontece até este final de semana em São Paulo.

O objetivo da manifestação era esclarecer a população que está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF) a decisão final sobre a obrigatoriedade da formação superior específica para o exercício do jornalismo, notícia que as pessoas não estão vendo nos jornais ou na TV, porque não é do interesse das empresas de comunicação.“Nossa profissão corre o risco de um grande retrocesso, que é a perda da sua regulamentação, conquistada com anos de luta. Quem tem interesse nisso são as empresas, para quem ficará fácil contratar qualquer pessoa para trabalhar, não pagar direitos, não pagar horas extras. Isso prejudica os jornalistas, aumenta a precarização do trabalho nos jornais, nas televisões. Mas também atinge a qualidade da informação, o direito de todo cidadão a ser bem informado”, destacou o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo.

O presidente do SJSP, José Augusto Camargo, afirmou que defender o fim do diploma é do interesse das empresas de comunicação, e vai na contramão da necessidade de qualificação crescente em qualquer área de trabalho: “Isso não vale só para o jornalismo, mas para qualquer profissão”.Aniela Almeida, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Paraná, ressaltou que a importância da exigência do diploma está no fato de que ter uma formação técnica e ética ajuda o profissional a garantir o direito à informação independente e plural. “O jornalista tem o dever de assegurar que as diversas opiniões ou as diversas versões de um mesmo fato tenham seus espaços garantidos nas mídias. Os patrões dizem que a exigência de uma formação específica vai contra a liberdade de expressão. Mas isso é o que eles mesmos estão estimulando. Caso se confirme a desregulamentação, a mídia do País pode mergulhar no amadorismo, na precarização. Queremos discutir isso com a sociedade, para que apóie a nossa luta”.

Para Jim Boumelha, presidente da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ), também presente ao ato, além da regulamentação profissional - tratada de diferentes formas de acordo com as peculiaridades de cada País -, os profissionais brasileiros devem discutir que tipo de jornalismo querem fazer: “Em novembro do ano passado, profissionais de vários países da Europa fizeram manifestações, discutiram o futuro do jornalismo. Não apenas o papel e o status quo do jornalista, mas a qualidade do trabalho que se quer fazer”.