Fez três meses que Alcides morreu. Três meses que o mataram, do nada, quando ele já estava pertinho, pertinho de pôr as mãos em seu suado diploma de biomédico. Ele ia terminar o curso em setembro e encher, de novo, o peito de Dona Maria Luiza de orgulho. Eu estudo na UFPE, mesmo lugar onde ele estudava. Muitas vezes, quando vou chegando para assistir aula, lembro-me dele.
Nesses três meses, nada de assassino preso. Nada de justiça feita. As coisas continuam onde pararam: no nada, no vazio, no silêncio que Alcides deixou.
O assunto continua como destaque do Blog de Jamildo, numa tentativa que ninguém esqueça que mataram Alcides.
Nada ainda. Nada.
Vamos continuar no nada?
Encontrei com a mãe dele, dona Maria Luiza, hoje pela manhã. Ainda estava vestida de orgulho, com o jaleco branco do filho. Faltava bem pouquinho para ela dizer ao mundo que era mãe de um biomédico. Pouquinho para dizer que não era mais uma. Contou todo o sofrimento. Disse que ainda se agarrou com os assassinos. Mas não teve jeito. Conseguiu evitar apenas o terceiro tiro. Os dois primeiros já haviam interrompido o seu maior sonho. Maria Luiza voltou a ser mais uma.
Eu vou continuar lembrando...

"E na sua meninice/Ele um dia me disse que chegava lá..."
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