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terça-feira, 12 de julho de 2011

Adeus ao velho Mussa

A gente corre pra burro em redação de jornal. Não há dia tranquilo, no máximo, um menos corrido. E é comum também ter apurações de última hora ou aquele último gráfico ou previsão que não ficaram, assim, tão claros. E nesses momentos, comum era ouvir alguém dizer: "liga pra Mussa que ele explica". A partir de agora, vai ser muito triste não poder mais fazer isso.

Conversei poucas vezes com o economista, mestre em Economia e administrador de empresas Josué Souto Maior Mussalém nesse meu primeiro ano de Folha. Apesar de saber de sua boa fama de didático, a recomendação da editora era que a gente procurasse outras fontes. Por ser muito prático e acessível, Mussa era o primeiro nome que vinha na cabeça (pra mim, junto com Tânia Bacelar e Roberto Ferreira, ambos professores e igualmente simpáticos, didáticos e acessíveis) e Lorena (Ferrário, minha chefe) pedia sempre: "gente, dêem um tempo com Mussalém". O pedido tinha suas razões. Se deixasse, toda semana, lá estava o velho Mussa dando seus palpites e explicações no caderno de Economia da Folha.

Hoje de manhã, a estagiária começou o dia: "Tati, Silvia (Baisch, sub de Economia) quer alguém pra ir pro enterro de Mussalém". Nem sabia ainda e passei o dia lamentando. Além de ter morrido jovem, com 64 anos, ele deixa um vazio porque pouca gente falava de economia de forma tão clara e com tanta propriedade. Poucos atendiam com tanta disponibilidade. A gente, claro, vai sentir falta das "quebradas de galho" dele, que remediava sempre, sobre muitos assuntos, a qualquer hora. Se fosse tarde da noite, ele dizia: "ligue aqui pra casa que eu te explico". Pronto. A partir daí, a conversa durava longos minutos. Mas era ligação terminada, assunto resolvido.

Foi minha primeira cobertura de velório. Chegamos (a fotógrafa Andréa Rego Barros, a colunista Rochelli Dantas e eu) meio constrangidas, mas já é sabido que, em ocasiões como essa, tratando-se de alguém como Mussalém, a imprensa precisava estar lá. Mas não é fácil ter que interpelar parentes inconsoláveis ou catar alguém conhecido que possa falar do momento, das memórias, do legado. Mas, enfim, foi feito.

Conversando com o cunhado de Mussalém, o médico Aníbal Gaudino, tive a reafirmação de quão bem preparado e bem informado era o economista. Também que, apesar de obeso e hipertenso, ele não procurava um médico há 20 anos. "Era uma caixa preta", comentou Gaudino. O edema pulmonar que levou Mussa, na madrugada de ontem, 11 de julho, foi fatal. Não deu tempo nem de socorrê-lo; morreu em casa, de repente.

Gentil, generoso, didático, competente, simples. O velho Mussa vai deixar saudades. Ficarão interrogações muitas sem suas aulas livres de "economês".

BOM E VELHO MUSSA - "Posso te explicar. Ligue aqui pra casa..."

domingo, 20 de junho de 2010

Antes estavas. E agora, Saramago?

O fim sempre traz consigo um pesar. Quando ele chega, não há mais espaço para o arrependimento, para dúvidas, para tentativas. Está sacramentado, fechado, concluído; ou não – e se não, impõe-nos os incômodos da frustração. Sabem quando falei sobre Alcides? É por aí...



A morte sempre me dá essa sensação de que algo está impune, inacabado ou de que as coisas poderiam ter sido melhor amarradas, melhor feitas ou resolvidas. Mas ela chega e fecha portas, impossibilita um caminho diferente.

“Eu poderia ter feito...” – poderia, mas não pode mais. Acabou. Soa triste, não?

Na sexta-feira, quando cheguei na redação, soube da morte de Saramago e, nesse caso, a sensação é um pouco diferente. A primeira coisa que pensei foi no próximo livro, na continuidade da obra. Fiquei lendo as notícias e foi dando uma sensação de vazio. Ele é das peças insubstituíveis. Quem escreverá como Saramago neste mundo de tantas obviedades e de palavras politicamente corretas? Quem pensará como Saramago neste mundo de pensamentos limitados, onde pensar é um privilégio?

Há cinco ou seis anos, eu tentei ler “Ensaio sobre a cegueira”, mas não tive paciência para concluir. A pontuação usada pelo escritor me deixava confusa e eu desisti antes de chegar à metade. Meu pai insistiu, elogiou, mas eu preferi deixar Saramago pra depois.

“Ninguém percebe que matar em nome de Deus é fazer de Deus um assassino?”

Há seis meses, em dezembro de 2009, entrei numa livraria para cumprir a promessa de ler “Caim”. E li, gostei e mudei minha percepção sobre ele. Saramago é, sim, totalmente compreensível em meio ao festival de vírgulas que promove em cada período imenso, em imensos parágrafos. Foi impiedoso com Deus, fez de Caim, renegado, um protagonista digno. Eu me senti demente diante da construção que ele fez de um mundo que eu julgava conhecer.



O Nobel de Literatura negligenciava a importância do prêmio, mas entristecia-se ao ver as videiras da infância, em Portugal, se transformarem em plantações “extensíssimas” de milho

Eu sinto tanto de tristeza por um fim como estes. Não pela obra, que não ficou inacabada, mas pelas imensas possibilidades que não se fizeram. Eu vou viver pensando no que poderia ter lido se ele não tivesse partido agora.

Sobre a morte, que o levou na sexta passada: “o pior que a morte tem é que antes estavas, e agora já não estás”.


Vale a pena assistir:


(1)



(2)

domingo, 9 de maio de 2010

Memória para não esquecer

Fez três meses que Alcides morreu. Três meses que o mataram, do nada, quando ele já estava pertinho, pertinho de pôr as mãos em seu suado diploma de biomédico. Ele ia terminar o curso em setembro e encher, de novo, o peito de Dona Maria Luiza de orgulho. Eu estudo na UFPE, mesmo lugar onde ele estudava. Muitas vezes, quando vou chegando para assistir aula, lembro-me dele.

Nesses três meses, nada de assassino preso. Nada de justiça feita. As coisas continuam onde pararam: no nada, no vazio, no silêncio que Alcides deixou.

O assunto continua como destaque do Blog de Jamildo, numa tentativa que ninguém esqueça que mataram Alcides.

Nada ainda. Nada.
Vamos continuar no nada?

Encontrei com a mãe dele, dona Maria Luiza, hoje pela manhã. Ainda estava vestida de orgulho, com o jaleco branco do filho. Faltava bem pouquinho para ela dizer ao mundo que era mãe de um biomédico. Pouquinho para dizer que não era mais uma. Contou todo o sofrimento. Disse que ainda se agarrou com os assassinos. Mas não teve jeito. Conseguiu evitar apenas o terceiro tiro. Os dois primeiros já haviam interrompido o seu maior sonho. Maria Luiza voltou a ser mais uma.
Clique AQUI para relembrar na íntegra.

Eu vou continuar lembrando...

"E na sua meninice/Ele um dia me disse que chegava lá..."

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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mercedes Sosa, La (eterna) Negra [2]

Acompanhando as despedidas...

Foto publicada no site do espanhol El País. Leia a matéria (em espanhol, claro) clicando aqui.


terça-feira, 15 de setembro de 2009

I've had the time of my life

Estou pra conhecer alguém que já tenha visto Dirty Dance e não tenha se apaixonada por Johnny. Lindo, charmoso, gostoso... brincadeira, aquilo, né? O enredo do filme não é lá essas coisas, mas aí vem a trilha para compensar e, claro, a excelente performance de Patrick Swayse.

A tal da Baby é meio sem graça, mas todo mundo sente uma pontinha de inveja dela. Olha só:


Patrick Swasye e Jennifer Grey, em cena de Dirty Dance


Já em Ghost, enredo (muito) melhor, elenco (imensamente) melhor e um LIN-DO Sam para fechar em grande estilo. Assisti um dia desses da televisão e lembrei-me de como aquele homem é bonito, meu Deus! E outra: estou pra conhecer mulher que resista a um homem que dance desse jeito! =D

Bem, delírios à parte, este post é para registrar o falecimento do ator e dançarino Patrick Swayse, no domingo (13), aos 57 anos, devido a um câncer de pâncreas (leia mais sobre a doença aqui). “A quimioterapia é um inferno na terra, não importa como você a represente", disse o ator ao jornal “The New York Times, na época em que foi diagnosticada a doença. "Como você faz para promover uma atitude positiva quando todas as estatísticas dizem que já é um homem morto? Você vai trabalhar".

Sendo assim, procurei e encontrei um vídeo com o trecho da última dança que ele faz em Dirty Dance, da música "Time of my life". Não vou colocar letra; o que importa agora é a performance do rapaz! A incorporação deste vídeo no youtube foi desativada, mas você pode assistir lá mesmo clicando aqui.

Tem várias fotos atuais de Patrick no google, bastante debilitado e quase irreconhecível por causa da doença. Mas não tem pra quê a gente lembrar dele doente se podemos lembrar dele assim, né?


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O que as maduras querem?

Eu não gosto se ser repetitiva ou ficar reproduzindo os assuntos mais comentados do momento. Mas, é impossível fugir do óbvio nesse momento e comentar com um e com outro sobre a morte de Marcelo Silva (mais conhecido como ex-marido de Susana Vieira).

Eu li algumas matérias e posts em blogs famoso. Inclusive, assisti a um vídeo ridículo que mostrava o corpo do falecido, bem trajado em uma sunga Diesel. O blog comentava que o ex-PM morreu como tinha vivido: de sunga branca.

Enfim...

Agora há pouco, li algo mais interessante sobre o ocorrido. Então, resolvi abrir espaço aqui para o pensamento alheio. O texto foca pra outro lado, assim como eu gostaria de ter feito...

Eu concordo com "envelhecer dignamente". Embora use anti-rugas desde os 20, não almejo ser uma senhora à Vera Fisher - esticada e bancando a garotona (nada contra, Dona Vera...).

Segue:


BARBARA GANCIAO

O que as maduras querem?

Que tipo de troca terá existido entre a atriz Susana Vieira e esse pobre rapaz de vida desperdiçada?

CAFAJESTE, TOSCO , aproveitador, truculento, drogado, imoral... De uns meses para cá, Marcelo Silva, 38, ex-marido de Susana Vieira, 66, encontrado morto em um apart-hotel da Barra da Tijuca na manhã de ontem, vinha sendo chamado de tudo um pouco.Recentemente, em seu programa matutino, a apresentadora Ana Maria Braga chegou a sugerir que a melhor coisa que ele poderia fazer seria "desaparecer da face da terra".

Ex-policial militar com histórico de agressão física contra mulheres e internação por dependência de drogas, Marcelo não parecia muito preocupado com sua reputação.Ao sair de mala e cuia da casa de Susana, no mês passado, ele declarou: "Hoje sou um homem aliviado. O que adianta comer picanha argentina num restaurante chique e não digerir a comida? Hoje, eu como alcatra num restaurante barato e tenho uma boa digestão".

Não sou do tipo que transforma capetas em santos só porque eles passaram desta para melhor. Mas, quer saber? Marcelo Silva, que Deus o tenha, com todas as suas fraquezas e limitações, não é o principal problema desta triste novela.Vamos e venhamos: o que Susana Vieira e outras mulheres maduras como ela procuram? O que a atriz estava querendo quando se casou com um rapagão enxuto, dependente de drogas e 28 anos mais jovem do que ela? Amor eterno? Estabilidade conjugal? Um bezerrinho para chamar de seu?A metáfora sobre a alcatra e a picanha utilizada por Marcelo Silva pode não ser digna de constar do livro de etiqueta de Marcelino de Carvalho, mas pulula de franqueza.Ou será que existe algum homem sarado na faixa dos trintinha que prefira uma picanha de 66 anos a uma alcatra de 27 -a idade da amante de Marcelo que acabou se tornando o pivô da separação?

Com o advento do botox e das várias técnicas de recauchutagem (e de reposição hormonal) hoje disponíveis para quem se recusa a envelhecer com dignidade, a mulherada passou a acreditar que bastou ter dinheiro e o telefone de um bom dermatologista para adiar o inevitável.Mas um dia a casa cai. E se não cai, ficam todas com a cara das senhorinhas daquele filme "Mulheres Perfeitas" ("The Stepford Wives", 2004), que parecem saídas da mesma cadeia de montagem.Freud já não perguntava o que as mulheres querem? Pois, tudo ao mesmo tempo é que não dá para ser. Ou bem a endinheirada poderosa se contenta com prazeres pontuais da carne ou opta pelo companheirismo (e conseqüente enfado) que um relacionamento maduro é capaz de proporcionar.

Veja: não estou tecendo julgamento, longe de mim, mas a curiosidade me corrói as paredes internas do estômago. Sempre que vejo esses casais em que um dos cônjuges é bem mais velho do que o outro, eu me pergunto: sobre o que será que eles conversam? O que será que a Ana Maria Braga cavaqueia com seu mais recente marido? Que tipo de troca terá existido entre Susana Vieira e esse pobre rapaz de vida desperdiçada? Sobre que assuntos o Olacyr de Moraes confabula com suas jovens amigas?

Se alguém souber a resposta, por favor me diga.
barbara@uol.com.br
mailto:iga.barbara@uol.com.brwww.barbaragancia.com.br