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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Folha mostra contrastes entre Zonas da Mata

TATIANA NOTARO

Dois caminhos distintos do progresso podem ser apontados no mapa de Pernambuco - duas áreas próximas que têm números, estatísticas de crescimento e ritmo de desenvolvimento bem diferentes. Para traçar as linhas do crescimento econômico, a Folha de Pernambuco percorreu mais de 1 mil quilômetros nas Zonas da Mata Norte e Sul do Estado e conversou com autoridades e cidadãos que vi­vem dentro do tão falado “desenvolvimento chinês” pernambucano. Foram 17 municípios visitados e muitas disparidades constatadas. O resultado publicamos amanhã, no caderno especial “Zona da Mata: terra de contrastes”.

A mudança de vida nos municípios localizados no entorno de Suape, as transformações nem sempre benéficas da paisagem urbana e rural, a atividade canavieira e a falta de mão de obra são alguns dos itens da Mata Sul. Relatos que mostram além da economia - mais do que o progresso - como estão refletindo os investimentos que chegam ao Porto e seus entornos, ao seu território estratégico.

No outro extremo, é a cana-de-açúcar que movimenta as cidades. Goiana, Carpina, Itaquitinga são algumas das que dependem quase exclusivamente das usinas, maiores fontes de renda da população, junto com as prefeituras. A Mata Norte enfrenta ainda a escassez de chuvas, que compromete a sua principal atividade, além da sazonalidade do trabalho safrista e ainda um número bem reduzido de empreendimentos destinados à região. Com o caderno especial “Zona da Mata: terra de contrastes”, firmamos um registro desse momento peculiar pelo qual passa a economia de Pernambuco. Trajeto do progresso que modifica a vida das pessoas, das cidades. Para melhor.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Lições para um repórter de rua

Dia a dia de repórter é difícil, pode acreditar. Começa pelo horário - você pode até saber que horas começa, mas nunca a hora que vai conseguir apurar tudo e dizer tchau ao editor. É cansativo, muitas vezes penoso, mas a gente se diverte (ou não) e aprende (e muito) todos os dias.

Fui pautada para acompanhar a volta ao trabalho dos bancários, que estavam em greve desde o dia 29 de setembro. Às 10h, já estava pelo meio do mundo, perguntando às pessoas sobre eventuais problemas causados pela paralisação de 15 dias. Olhem, é na rua, abordando estranhos e buscando informações, onde estão as verdadeiras lições do jornalismo.

Entrei com a fotógrafa Nathália Bormann na agência da Caixa Econômica Federal que fica próxima ao Teatro de Santa Isabel para conversar com as pessoas que estavam na fila sobre seus afazeres nesse primeiro dia de retorno. Eis que abordo uma senhora negra, aparentemente de uns 40 anos:

- Bom dia, como é o nome da senhora?
- Bom dia, é Marize...
- Com "z" ou com "s"? [eu, anotando]
- Não sei, olhe aqui... [ela, me entregando a carteira de identidade]
- É com "z", dona Marize... a senhora faz o quê?
- Tomo remédio controlado
- Ah, sim... e a senhora veio fazer o quê aqui no banco?
- Vim buscar o auxílio moradia. R$ 150, minha filha, vê se pode... 

E dona Marize me contou que completa o aluguel do apartamento onde vive com mais sete pessoas com mais R$ 100. "Não dá pra nada", resmungou, antes de seguir na fila. Dona Marize estava naquela fila pra pedir nova senha ao banco - ela não lembrava mais da antiga e esperou os 15 dias da greve para sacar o dinheiro.

Eu aprendo todo dia que o mundo aí fora é bem grande. Muitas vezes, triste e injusto.