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terça-feira, 17 de agosto de 2010

E se puder me manda uma notícia boa

Samba de Orly, de Chico Buarque, na voz de Vinicius e Toquinho



Mas não diga nada/ Que nos viu chorando/ E pros da pesada, diz que eu vou levando...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Lançamento da indústria fonográfica [1]

Super mais que recomendado!















Abaixo, adaptação do texto de apresentação da Biscoito Fino (que você pode ler na íntegra clicando aqui).

DVD CARTOLA E DONA ZICA – MPB ESPECIALTV CULTURA

Em 1973, Cartola gravou um "MPB especial" para  a TV Cultura, ao lado da esposa, Dona Zica,  e do grupo de chorinho Regional do Evandro. O sambista relembrou seus sambas e, com aquele jeito delicado, inspirou o poeta Carlos Drummond a dizer: “Cartola sabe sentir com a suavidade dos que amam pela vocação de amar, e se renovam amando”. 

Agora, a Biscoito Fino lança o programa em DVD.

Mesmo já sendo o compositor de "Divina Dama, Sim", "O sol nascerá" e "Peito vazio", Cartola ainda não havia gravado um disco solo, o que só aconteceu em 1974, quando já estava com 66 anos. Mas Cartola já era um dos maiores sambistas e leltristas da MPB, gravado por Carmen Miranda e Mário Reis, e tinha no currículo a criação, com um grupo de amigos, da Estação Primeira de Mangueira. Foi quem escolheu o nome e as cores da escola.


Cartola, sobre "Infeliz sorte":

Um dia apareceu lá no morro o Mário Reis, querendo comprar uma música. Estava com outro rapaz, que veio falar comigo. "O Mário Reis está aí e quer comprar um samba teu". Fiquei surpreso: "O quê? Querendo comprar samba, você está maluco? Não vendo coisa nenhuma". No dia seguinte ele voltou e me levou até o Mário Reis. Ele confirmou: "é, Cartola, quero gravar um samba seu. Fique tranquilo, seu nome vai aparecer direitinho. Quanto você quer por ele?". Pensei em pedir uns 50 mil réis. O outro rapaz falou baixinho: "Pede uns 500 mil". Eu disse: Você está louco, o homem não vai dar tudo isso. Com muito medo, pedi os 500 mil. Em 1932, era muito dinheiro. O Mário Reis respondeu: "Então eu dou 300 mil réis, está bom para você?". Bom, ele comprou o samba mas não gravou. Quem acabou gravando foi o Chico Alves.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A média do Chiclete com Banana

Ando tendo testes diários de paciência. Todo santo dia, cinco dias úteis na semana, durante oito ou mais horas. Mas aí resolvi organizar isso, dividir tudo pelas minhas ínfimas 24 horas. É coisa muita pra tempo pouco, acredite. Principalmente para mim, que fico inventando de fazer um monte de coisa ao mesmo tempo.

No final das contas, são seis horas de sono (em média. às dá vezes menos) e oito horas de trabalho (em média. às vezes dá mais). Algumas horas perdidas, nesse meio tempo, para ler minhas revistas (estou com três Rolling Stones atrasadas) ou meus livros (faz seis meses que eu tento concluir esses dois aí do lado). No carro, eu ouço música por uns 15 minutos ou meia hora, dependendo do tamanho do engarrafamento. Aí ainda sobra tempo pra falar ao telefone, mandar e-mails (incontáveis por dia, mas nenhum que tenha algo realmente relevante, como ter notícias da minha irmã ou do meu pai), ver novela e assistir telejornal.
Ah, sim... pela manhã, eu leio jornais e sites e fico confabulando e resmungando quando aparece algo que não gosto. Ou seja, todo dia.

Faz 15 dias que adio minha prova de inglês... vixe. Vou precisar fazer hora extra hoje.

Ademais, voltanto ali aos 15 minutos de engarrafamento musical, estava ouvindo o acústico de Lenine (aquele mesmo, da MTV) que eu comprei no último final de semana (nas Lojas Americanas, por R$ 9,90, numa capa de papel). Então... na última faixa do CD, ele faz uma mistura (um pot-pourri) de algumas músicas. Uma delas é "Chiclete com Banana", de Jackson do Pandeiro.

Eita, eu ouvia muito quando era criança.

A música está nos 2'40'' e pouco da faixa e só tem uns 20 e poucos segundos. Eu fico dirigindo e tentando voltar o CD para a parte onde a música começa (saudades das fitas K7s)... Depois vou atrás da versão original, na voz de Jackson. Por enquanto, bora ficar com a letra.

Caramba, essa letra é muito boa!


MUSIQUE-SE

Chiclete com banana
Voz: Jackson do Pandeiro
Composição: Gordurinha e Almira Castilho

Eu só ponho bip-bop no meu samba quando Tio Sam pegar o tamborim
Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba
Quando ele aprender que o samba não é rumba
Aí eu vou misturar Miami com Copacabana
Chicletes eu misturo com banana
E o meu samba vai ficar assim:

Tirurururiruri bop-be-bop-be-bop

Quero ver a grande confusão
É o samba-rock meu irmão
É o samba-rock, meu irmão
Mas em compensação, eu quero ver um boogie-woogie de pandeiro e violão

Eu quero ver o Tio Sam de frigideira numa batucada brasileira


quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Claridade

Passei o ano inteiro lendo trechos do livro “Clara Nunes – Guerreira da Utopia”, de Vagner Fernandes. Não, o livro não é ruim, pelo contrário, é uma história instigante de alguém que criou a si própria, mudou tudo e ganhou a todos. É a história de Clara Francisca, mineira, que virou Clara Nunes, brasileira. Brasileiríssima.

Em sua narrativa, Vagner abre espaço para todos aqueles que conviveram com a cantora Clara Nunes, mas também com a Clara mulher, fã, ídolo, irmã, amiga, esposa. Criou merecidos floreios, destrinchou uma infância pobre, seu apogeu pela Música Popular Brasileira (da música romântica, passando pelo forró e pelo samba, sua marca) e a apoteose. A vida de Clara foi um samba, partido de altíssimo nível, que deixou seus registros em muitos outros ritmos.

Quando li o capítulo que conta sobre sua morte, fiquei voltando ao início, como se tentasse mudar o fato consumado. Talvez por ser muito difícil de acreditar que tudo aquilo que foi Clara tenha se esvaecido por tão pouco. Como não pôde ser mãe (devido a cistos no útero), sobrou-nos da cantora sua voz, seu misticismo, sua figura marcante. Não tenho como ponderar a comoção que sua partida gerou, aos 39, mas sendo ela tão presente e baseada nos relatos do autor, arrisco-me a dizer que foi uma perda irreparável. Primeiro, por que ela não deixou herdeiros sangüíneos nem musicais; segundo, por que ninguém, jamais, conseguiu imita-la. Ficou um enorme vácuo.

Em tempo: Clara Nunes morreu em abril de 1983, depois de sofrer um choque anafilático durante uma cirurgia de varizes. Passou 28 dias em coma até ser declarada morta pelos médicos. Curandeiros, rezadeiras, pais-de-santo, gente de todo tipo de amontoou no hospital querendo levar cura à cantora.

Tudo bem. Não houve quem substituísse Maysa ou Elis (apesar de Maria Rita). Também não enxergo suplentes para Gal, Betânia, Nana Caymmi. Talvez estejamos numa entressafra, salvo algumas minguadas exceções.

Abaixo, um dos grandes sucessos de Clara, Feira de Mangaio. Excelente interpretação de alguém que cantava com gosto e com alma. "Clara Nunes - Guerreira da Utopia" é uma leitura mais que recomendada àqueles que apreciam a boa música.


Salve Clara Nunes!


Sobre Clara:

“À Clara foi negado o direito de ter um filho. À Clara foram negados tantos direitos em troca dos aplausos que ganhou aqui e pelos cantos do mundo”


Tom de Clara:

“Você passa, eu acho graça/ Nessa vida tudo passa e você também passou...”


Clara, por Clara

“Cantar pra mim é como respirar, eu não saberia viver sem isso.”



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

É verde e rosa!

Para ler:

Estação Primeira de Mangueira
Samba-Enredo 2008 - "100 anos do frevo, é de perder o sapato. Recife mandou me chamar"
Composição: Lequinho, Jr. Fionda, Francisco do Pagode, Silvão e Aníbal

(2x) Mandou me chamar, eu vou
Pra Recife festejar
Alegria no olhar, eu vejo
É Frevo, é Frevo, é Frevo!

Ao som de clarins
Descendo a ladeira
Sou Mangueira
Tem frevo no samba
Deu nó na madeira
Orgulho da cultura brasileira

A majestade é o povo
Sem o povo, história não há
Estende o brasão, reflete o leão
Símbolo de garra e união

(2x) Capoeira invade os salões
Mascarados despertam dragões
E pelas ruas, vem Zé Pereira
Arrastando a multidão

Nascia o frevo
Contagiando toda a massa
E até hoje
Tem Colombina e seus amores
Passo no rancho das flores
O profano é sagrado no maracatu
Nos cem anos de história, desperto a alvorada
Brincando no Galo da Madrugada

Invade a cabeça, o corpo, embala os pés
Delírio da massa, um fervo!
É a Mangueira no passo do frevo
Voltei de sombrinha na mão
Sonhando em gritar é campeã

(2x) Mandou me chamar, eu vou
Pra Recife festejar
Alegria no olhar, eu vejo
É Frevo, é Frevo, é Frevo!

Ao som de clarins (repete)

Para ouvir: