sábado, 25 de setembro de 2010

Da série: coisas que só acontecem comigo

No momento, em Porto de Galinhas, hospedada num resort a convite da Chevrolet, que está fazendo o lançamento do novo Montana.
No momento, com febre e passando mal.

CAC, 21h

Como estão seus dias? Espero que bons, tão bons quanto os meus últimos dias. É esse clima de harmonia e equilíbrio que tem me deixado sem muito assunto. Creio que precise de extremos para produzir continuamente -  de noites mais longas de sono. Faz dias que começo e paro alguns textos, mas pretendo que, por ora, eles tomem seus rumos.

Ah, preciso contar que tenho gostado muito das últimas conversas - longas ou curtas - e parece que estou meio em osmose, no automático. Deve ser por isso que não tenho conseguido um raciocínio escrito completo. Lembra do que eu disse? Você aprendeu que, pra mim, tudo é motivo pra escrever. Apego-me à máxima rodrigueana: eu não tinha outro opção.

Ontem estava escrevendo sobre cores, mas não sei onde o texto foi parar; nem sei como começou. Também falava sobre drogas, na hora do almoço, e seus efeitos entorpecentes totalmente desnecessários. À noite, quando me dei ao trabalho de escrever, já depois de uma boa, longa e antiga troca, o que tentei foi juntar cores e o tal ópio. Quando estava chegando ao terceiro parágrafo e reli o todo, não entendi coisa alguma. E agora? Acho que desaprendi.

Sucumbi ao erro de guardar o texto, resistindo ao crime de modifica-lo, ao pecado de joga-lo fora. Pode ser que, depois, relendo as linhas eu possa apreender a hermenéutica e decifrar.

(...)

E gostei, tenho gostado de tudo. Tenho lido e ouvido coisas boas, coisas novas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

É pra cantar? Então, canta...

Tava vasculhando o blog da Folha Online, o Novo em Folha, e encontrei uma paródia bem simpática [e verdadeira] sobre as agruras de ter escolhido um caminho de pedras, de levar topada todo dia e, pior, achar que se é feliz com isso. 

Ê, profissão abençoada... Folha, eu te amo!

A letra é de Duda Rangel. Tem outras lá, .


O que será (versão de O que será)
O que será, que será?
Que passa na cabeça
De um estudante
Que busca uma carreira
Gratificante
Mas faz uma besteira
E cai no abismo
Esquece Engenharia
Faz Jornalismo
E vive a ilusão
Dos infelizes
Está na profissão
Das maluquices
Na área dos fodidos
Incompreendidos
Em todos os sentidos
Que vida terá?
Que nunca deu dinheiro
Nem nunca vai dar
Que nunca deu futuro
Nem nunca vai dar
Mas tem o seu fascínio


segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Diga aquilo que é simples

Na minha lista de blogs preferidos (basta conferir aí ao lado), está o de Pedro Antônio de Oliveira. Ele é escritor e simples - é uma das melhores formas de usar as palavras.



Você vai entender. Para conhecer a Torre Mágica de Pedro, clica aqui.

domingo, 19 de setembro de 2010

Aquilo que o tempo (não) muda

Anos atrás, desejei veementemente que tudo continuasse como era. Que as cabeças fossem sempre as mesmas, assim como o entorno; lugares, pessoas, programas e sensações. Também já desejei que tudo fosse diferente, que o tempo voltasse - como se fosse possível retrocedê-lo - assim como posso fazer com as músicas que gosto muito. Volto pra escutar de novo, pra sentir de novo.

O problema é que os lugares mudam, as sensações desaparecem, momentos perdem sentido e as pessoas se transformam; ou pode ser que elas continuem as mesmas e, por isso mesmo, fiquem vazias.

Tenho impressão que mesmo que o antigo contexto não exista mais, as peças permanecem, ainda que sem lugar. Então vale parar e observar, sentir saudades. É saudável e justo.

O melhor é notar que nem todas as peças perderam seus papéis. Há aquelas que são recontratadas, retornam ao elenco, juntam-se às novas recém escaladas. O palco muda, o roteiro muda para que as sensações renasçam.

Mas ao contrário de antes, você já não tem o desejo que o tempo modifique seu caminhar. Prefere que ele se desfie, que entrelace e desvende cada novo ato.

Acho que quero uma música pra isso.

sábado, 18 de setembro de 2010

Música da semana [1]

O que toca incessantemente no rádio do carro

Disritmia
Composição: Martinho da Vila
Versão: Ney Matogrosso, Pedro Luiz e a Parede



(...)
Que bom ser fotografado
Mas pelas retinas desses olhos lindos...

Me deixe hipnotizado
Pra acabar de vez
Com essa disritmia

Vem logo, vem curar seu nêgo
Que chegou de porre lá da boemia...
(...)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Jericoacoara, um lugar de difícil acesso

É somente isso que eu conseguia pensar quando ainda não tinha chegado em Jericoacoara, aqui no Ceará.
Pense num lugar longe.
Pensou?
Pois ainda não chega nem aos pés de "Jeri".

Faz uns dois meses, um amigo me ligou chamando pra vir passar o feriado de 7 de setembro aqui. Negociações no trabalho depois, fechamos hospedagem na Pousada do Tadeu, até bem simpática, na rua principal de Jericoacoara.

Bem, Jijoca de Jericoacoara é uma cidade do estado do Ceará e a praia de "Jeri" faz parte de um parque nacional. Hoje fizemos um passeio bem legal a umas lagoas de água doce e, no trajeto, o que chama atenção é a quantidade de jegues. As lagoas do Paraíso e Azul são lindas, formadas, segundo o "bugueiro", pela água da chuva. Mas ainda insisto que o mais "exótico" de "Jeri" são os danados dos jegues. Acho que tem mais deles que visitantes por aqui.

A cidade está cheia, tanto que quase quase não conseguimos comprar passagens para voltar. Olhe, vale a pena registrar o que passamos para chegar até aqui. Eu não tinha ideia da "massada" que seria. Acompanhe:

1. Estávamos combinados de sair do Recife às 20h da sexta, mas Ulisses tinha que esperar o fim do julgamento do Caso Serrambi para poder sair da TV (vida de jornalista...). Reagendamos a saída para as 3h da manhã.
2. A senhora minha mãe faz um protesto (daqueles bem maternos) contra a nossa ideia de viajar de madrugada e acabou dobrando os meninos. Remarcamos a viagem para as 4h da manhã no sábado. E assim, fomos...
3. Chegamos em João Pessoa para pegar Priscila e trocar o carro. Deixamos o Palio de Ulisses e pegamos o Corsa de Priscila que enfrentou as oito horas de viagem até Fortaleza. Gustavo, macho que só ele (leia-se, teimoso), e nós chegamos na capital cearense às 15h30, a tempo de perder o primeiro ônibus rumo a Jijoca. A gente se organizou, tomamos banho na rodoviária de Fortaleza e embarcamos no ônibus das 18h.
4. Chegamos em Jijoca perto de 1h da manhã de domingo, depois que a minha paciência se esgotou com os vizinhos de poltrona que insistiam em conversar alto e me impediam de dormir. Ao meu lado, Ulisses, com um fone no ouvido, dormia lindamente. Eu já estava em pânico.
5. De Jijoca, pegamos uma Jardineira (algo que posso descrever como uma mistura de ônibus de linha com pau de arara). Gustavo disse que "só" faltava mais 1h20 de viagem. Eu ri, mas ele não estava de brincadeira não. A jardineira andava, só tinha mato, areia e escuridão e eu comecei a ficar enjoada do balanço. Foi uma eternidade. Contamos umas 15h até chegar aqui.

Avalie.

Amanhã a gente vai andar de buggy de novo. Dessa vez, com "emoção" e sem "skybunda". De acordo com Eduardo, nosso "bugueiro", Jericoacoara quer dizer "jacaré quarando com a cara para o sol". Muito poético.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Não me faça perguntas bobas


Vamos falar sério. Bem sério.
Quando cheguei por aqui, ninguém me disse que teria que aprender a mentir durante as 24 horas do meu dia de cada dia. Não me disseram que deveria ter que fingir que gosto, para ser educada, ou fingir que não gosto, para não dar "bandeira". Mas depois vieram me ensinar que falar demais é um pecado mortal e ficar calada é consentir, mesmo que haja discordâncias. Teve outra vez que me ensinaram que deveria amar um só - de cada vez - para não ficar "falada", mas depois disseram que deveria amar ao próximo como a mim mesma. E, olhe, tem gente que ama demais por aí.

Seria muito bom que vocês decidissem o que eu tenho que fazer.

Outro dia, brigaram comigo por dizer o que sinto, mas logo depois eu apanhei por não ter dito que estava doendo. Antes disso, me convenceram que deveria ser forte e que derramar lágrimas feridas era o mais puro sinal de fraqueza; todavia, há quem ria disso, do choro alheio. Então, seria sadismo?

Sim, é preciso paciência com o outro, já que esse outro será irremediavelmente diferente de você, de mim. Sempre me ensinaram que estamos aqui, nesta superfície, para viver juntos, embora o tal do homem seja um bicho essencialmente solitário. Aí vem Vinicius para sacramentar: "é impossível ser feliz sozinho". É uma mera cafonice?

Não sei não. Se fosse sozinho, brigar seria quase impossível ou até sinal de insanidade. Não haveria crises de relacionamento, "DRs" ou chatices verbais em horários pouco convenientes. Você teria que lidar apenas com as suas próprias mudanças e não mais se preocupar quando o sujeito deitado aí ao lado muda o tempo do verbo e tudo parece que ficou no passado. Fico com ares de louca, aí volta aquela história das lágrimas de que já falei. É bom enxugar; me disseram que eu nunca combinei com fraqueza - sou má, calculista e voluntariosa. Ademais, sei bem a listagem de adjetivos que "me" usaria de predicados.

Hoje, falvam-me que a vida é bem simples e, logo depois, que eu não tenho 27 anos. Sim, são quase 30, mas me sinto (de) longe. 
"O tempo não para"? Para, ou não, já que é relativo. Eu posso ser hoje, mas não amanhã; e o que seria amanhã e depois?

Você sabe o que quer, o que ama, o que desenha e o que sente? Você sabe o que (e quem) come? Sabe o que coloca pra dentro e o que deveria expurgar?

Talvez fosse melhor evitar tantas perguntas depois das 20h.
Comer demais à noite, engorda.
E pensar demais à noite? Insônia?

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Não dá nem pra tentar te salvar...

"Muito pouco", composição de Paulinho Moska, voz de Maria Rita.



Pronto
Agora que voltou tudo ao normal
Talvez você consiga ser menos rei e um pouco mais real

Esqueça
As horas nunca andam para trás
Todo dia é dia de aprender um pouco do muito que a vida traz

Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais

Chega!
Não me condene pelo seu penar
Pesos e medidas não servem pra ninguém poder nos comparar

Porque
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Em que você se afunda tão raso
Não dá nem pra tentar te salvar

Porque muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero ...

...veja
A qualidade está inferior
E não é a quantidade que faz a estrutura de um grande amor

Simplesmente seja
O que você julgar ser o melhor
Mas lembre-se que tudo que começa com muito pode acabar muito pior

E muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais
(...)

sábado, 21 de agosto de 2010

Salvador, dia 1

Salvador é cansativa, desordenada, estranha. Lembra o Recife, mas muito mais sem lógica e acho que pro turista de fora do País, soa curiosa, barulhenta, mas ritmica. O pessoal daqui, o tal do baiano, parece que veio à Terra a passeio. Sabe música de Dorival Caymmi, pisada lenta, som de leve, em um ritmo despretencioso, ora sem pressa, ora sem perfeição. É bem por aí.

Pensava que era lenda, mas o negócio é sério.

Ontem, cheguei a uma conclusão: na Gol, não é serviço, é FAVOR de bordo.

Ah... de novo. Tem certas coisas que não mudam mesmo.