Vamos registrar que, sim, "Vagarosa" mantém o nível músical do primeiro trabalho da cantora. Os músicos que dividem com ela o palco conseguem uma sincronia harmoniosíssima entre bateria, teclado, uma pic up e até um acordeon. Céu interage bem com as suas back vocals "eletrônicas" - as vozes de fundo que a acompanham vêm da pic up, iguais àquelas gravadas no CD - mas não consegue ir além disso. É certo que havia lá fãs entuasiasmados, que davam aplausos igualmente entusiasmados ao fim de cada música e que foram dançar nos espaços que ficam nas laterais da plateia, perto do palco. Quando percebeu a movimentação, a cantora chegou a ensaiar algum contato com eles, sem muito carisma. E o resto do público parecia muito alheio.
Levei minha mãe e minha avó comigo. Lá pras tantas, quando eu já tinha percebido a impaciência das duas, Céu começa a cantar uma música em inglês ('Two to tango", que ela ouvia "quando era adolescente" num álbum de Ray Charles e Betty Carter). Segue o diálogo:
- Essa moça é daqui? - vovó perguntou à minha mãe.
Quer dizer, depois de quase uma hora de show, vovó ainda não tinha entendido UMA PALAVRA do que Céu cantava no palco. E não era problema de som não...
Não bastasse a conversa paralela dentro do teatro, comecei a sentir cheiro de maconha. Eu não tenho nada contra quem gosta da erva, mas daí a pessoa se achar no direito de fumar num ambiente fechado, com arcondicionado, é demais. Quando Céu anunciou a saideira, eu me ofereci pra ir embora. Aí identifiquei a galera da fumaça, que puxava e fumava, lá trás. E ninguém da organização do teatro viu isso.
E como falei num outro post, "Vagarosa" recebeu patrocínio do projeto cultural da Natura, que propunha, entre outras coisas, "ingressos a preços populares". Só se for em outro lugar, por que aqui na minha terra, ingresso a R$ 30 não tem nada de popular.
ps: eu tirei umas fotos, mas ainda não baixei.



