Nova estátua de cera de Michael Jackson, no museu Madame Tussauds (Foto: Joel Ryan/AP)Ah, antes de qualquer palavra que possa me comprometer, sinto-me na obrigação de assumir que me enquadro no grupo dos que traçam opiniões (por vezes, furadas) sobre tudo.
Senhores, primeiramente, pergunto-me qual seria a maneira mais adequada da família Jackson se posicionar diante da morte de Michael. Pergunto-lhes se seria preferível que houvessem optado por resguardar o momento somente aos próximos ou se era direito adquirido do público, que durante essas mais de quatro décadas deu o real sentido à carreira de Michael, presenciar a despedida. A dor da família, da mãe, dos filhos, merecia mais respeito e mais silêncio. Seria somente deles o direito intransferível a prestar homenagens à memória do filho mais talentoso, correto? Mas como afastar fãs, mídia e os sempre presentes "urubus" de um acontecimento como este? Por si só, o simples fato de Michael ter morrido já deixou parte do mundo chocado, incrédulo.
E só para não desvirtuar de sua habitual postura, também na morte, ele surpreendeu. De início, fiquei frustrada com o "simples" infarto que o matou, mas depois, convenhamos, os próprios fatos se encarregaram de desenhar para Jackson a morte que se imagina para um astro de sua grandeza.
A questão dois: Li alguns textos que criticaram veementemente a cobertura maciça que toda mídia terráquea concedeu ao óbito. Oras, teria como ser diferente? Imagine a construção de uma cena em que Michael Jackson morre, o Jornal Nacional avisa aos interessados e depois do “boa noite”, encerra-se o assunto. Ficaria só o vácuo...
Ao contrário. No dia 25, ainda diante da certeza-nem-tão-absoluta, que dependia de um boletim médico oficial para se tornar igualmente oficial, os veteranos da bancada do JN, que já narraram tudo o que foi de desastre (de terremotos a explosão de avião) engasgaram no ar. Isso, com direito a pedido de desculpas: “estamos emocionados com a morte de Michael Jackson”.
O dia 26 amanheceu com o mundo falando do mesmo assunto. Jackson, ainda quente, o infarto e fãs (e não-fãs) meio abestalhados, sem saber o que tinha acontecido. “Esse homem não ia fazer uma turnê por esses dias? Como é que ele morreu?”, ouvi, muda. Sabe-se lá.
Pequena pausa: A mídia, inclusive, foi acusada de tentativa de “canonização” do astro pop. Vejam só vocês... imaginem! Todo o mundo acometido por uma perda súbita de memória. Ninguém mais lembra dos escândalos, da excentricidade. Aquela imagem de um bebê balançando na janela foi um delírio coletivo. Agora, voltamos à razão e reconhecemos em Michael Jackson o mesmo ar inocente, diria, imaculado, de quando ele tinha seus quatro, cinco anos, e vivia sobre o açoite paterno.
Pode ser difícil entender, mas a lógica é simples. A mídia é sim poderosíssima, implacável, impiedosa e blá, blá, blá, mas não subestimem a capacidade da tal opinião pública. Imagine: Michael Jackson santificado... Igreja de São Michael Jackson protetor dos amantes do pop...
Outra pausa: Curiosíssimo o artigo publicado no site do Observatório da Imprensa, destacando o “grande feito” da revista Piauí que trouxe na capa da sua última edição uma chamada deixando bem claro que não falaria sobre Michael. O artigo festejava a revista, a sua originalidade de avisar aos seus leitores que ignoraria Jackson, a histeria causada pela sua morte, os mistérios que envolvem causa e efeitos.
Na verdade, to achando que faltou foi pauteiro nessa história. Não surgiu nenhuma idéia legal para explorar outras vertentes do fato, aí eles acharam por bem não tocar no assunto. O melhor é que tocaram, e na capa... bem, acho que eles ficaram sem ter o que acrescentar. Todo mundo já tinha dito tudo.
Foi isso?
Câmbio, desligo e fico no aguardo!
Obs: Palmas para Eugênio Bucci que conseguiu me surpreender. Ninguém conseguiu adjetivar Michael de forma mais criativa que ele com o “singelo pseudônimo” de “crooner dançante”. Bucci, o que é isso? Despeito ou ignorância?
Obs2: E como minha capacidade ócio-criativa é uma beleza, fiz mentalmente um novo rótulo para adicionar a MJ. Por que não compará-lo a Macunaíma? Índio negro que virou branco, e herói sem nenhum caráter. Taí. Gostei.
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O FATO É...
Em 15 anos, o Senado Federal conseguiu atingir a marca de 663 atos secretos. E pra completar, veja só... está lembrado daquela história escabrosa de "cartões corporativos" (leia-se o cartão de crédito que político gasta e a gente paga)? Pois bem, não fosse a farra em 2008, quando foram gastos R$ 4,8 milhões, esse ano a fatura vem mais alta ainda. Até agora, os gastos já somam R$ 4,08 milhões (e ainda temos mais de cinco meses pela frente), dos quais apenas R$ 20 mil (VINTE MIL REAIS - menos do que o valor do meu carro), equivalente a 0,5% foram declarados. O restante, pasmem, é considerado DESPESA SECRETA. Os dados são do Transparência, site mantido pela Controladoria Geral da União.
E SOBRE O DIPLOMA (fonte: Observatório da Imprensa)
Advogado brigão
O advogado Francisco Rogério Del Corsi, defensor de Camila Dolabela, acusada de matar uma jovem num jogo de RPG, comportou-se mal a prestações. No primeiro dia, ao chegar ao Fórum de Ouro Preto, MG, no dia 1º de julho, jogou o carro contra uma repórter de TV, não conseguindo por pouco consumar o atropelamento. No dia 2, na porta do Fórum, deu um soco no fotógrafo do jornal Estado de Minas, Emmanuel Pinheiro. O soco acertou a máquina, que bateu no rosto de Pinheiro. Em seguida, ameaçou: "Depois encontro o senhor na hora em que o senhor quiser". Voltando-se para o fotógrafo do jornal O Tempo, Bruno Figueiredo, insultou sua mãe. E esbravejou: "Vocês são vagabundos, despreparados. Vocês sequer têm diploma!"
Pois é: ele, o causídico, que xingou, agrediu e tentou atropelar, tem diploma.
Opa, eu também tenho!!






