terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Playmobil®, in memorian

Transitando entre sites, deparei-me com a notícia da morte do inventor do Playmobil®. Sim, aqueles bonequinhos fantásticos, plásticos, cheios de uma imaginação própria que participaram da infância de muita gente. Inclusive da minha. Hans Beck morreu nessa segunda, 2, em sua casa, que fica às margens do lago de Konstanz, na fronteira entre Suíça, Alemanha e Áustria.

É muito interessante pensar que alguém, com uma idéia aparentemente simples, contribuiu com a nossa diversão através dos seus 2,2 bilhões de pequenos bonequinhos. Os Playmobils® têm 7,5 cm e começaram a ser comercializado em 1974 (nem tanto tempo assim, aliás).

Mas a morte de Hans Beck é apenas um detalhe. Vamos registrar seus feitos, que é melhor. Ele nasceu em Turíngia, Alemanha, em 1929, e começou como carpinteiro. Logo ficou expert em fabricar brinquedos.

Em 1958, ele começou a trabalhar na empresa Geobra, dedicando-se às maquetes de aviões, maquinaria e veículos industriais. Somente 13 anos depois, foi para o departamento de brinquedos, com a tarefa de desenvolver uma nova linha de produtos para crianças, com bonecos e automóveis. Seu primeiro protótipo do Playmobil® de poucos centímetros, movia braços e pernas e era facilmente manipulável pela mão de uma criança.

Com o tempo, o protótipo virou um boneco versátil, que se adaptava a qualquer situação (o meu, por exemplo, era sorveteiro e amigo da Barbie!). No começo, o brinquedo era indicado para crianças até quatro anos. Depois, virou paixão até para adultos.

E daquela pequena idéia, a Geobra, hoje, importa Playmobils® para 70 países em todo mundo. O desenho do boneco, observe, nada mais é que a reprodução de um desenho infantil, com dois olhos e uma boca sorridente.


CRIADOR E CRIATURA - Valeu, Hans

sábado, 31 de janeiro de 2009

*Astúcia, manha, subtileza; subterfúgio...

- Um pouco de vinho quente com biscoitos...
- Obrigada.
- Acho que fui muito duro com a garota do copo de água. Me conta: o garoto com quem ela cruzou... eles se reviram?
- Não. Eles não se interessam pelas mesmas coisas.
- Sabe? A sorte é como o Tour de France. Esperamos tanto e passa tão rápido. Quando chega a hora, é preciso saltar sem hesitar.

(...)

- Senhor, quando o dedo mostra o céu, o imbecil olha o dedo.

(...)

- Então é este, com a mão pra cima?
- Sim.
- Ela está apaixonada por ele?
- Está...
- Acho que está na hora de ela assumir o risco.
- Justamente, ela está pensando em um estratagema*...
- Ela gosta disso. De estratagemas.
- Sim.
- Na verdade, ela é um pouco covarde. Acho que é por isso que não consegui captar seu olhar.


Mulher sem razão

Composição: Dé Palmeira, Bebel Gilberto e Cazuza


Saia desta vida de migalhas
Desses homens que te tratam
Como um vento que passou

Caia na realidade, fada
Olha bem na minha cara
E confessa que gostou
Do meu papo bom
Do meu jeito são
Do meu sarro, do meu som
Dos meus toques pra você mudar

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
No final da tarde
Ouve aquela canção
Que não toca no rádio

Pára de fingir que não repara
Nas verdades que eu te falo
Dá um pouco de atenção

Parta, pegue um avião, reparta
Sonhar só não tá com nada
É uma festa na prisão

Nosso tempo é bom
Temos de montão
Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar

Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada
Na escuridão do quarto
Na escuridão do quarto

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Trocando em miúdos, pode guardar....

Querido Guy,

As coisas por aqui não andam muito fáceis, mas começaram bem mais difíceis. Nem bem cheguei na rodoviária e já lá vieram os aborrecimentos. Bilhete comprado, cheguei à plataforma de embarque, adentrei o ônibus e alguém estava sentado no meu lugar. Tentei argumentar, mas a senhora (de uns 80 anos, calculo, e com elefantíase nas duas pernas) me ignorou. Pacientemente, aguardei por um lugar vago, que acabou sendo um ao lado de uma criança de três anos.

Bem começou a viagem, eu percebi que seriam longas e duras horas. Depois de ver o pequeno troglodita devorando um pacote de biscoitos inteiro, tive que me conter quando ele pôs-se a dormir a achou de esticar as canelas em cima de mim. Praguejei, usei todo meu acervo de palavrões, peguei três comprimidos de Dramin e tomei num gole só. Dose é que não consegui dormir de jeito nenhum, mas fiquei num estágio latente de dormência/demência.

Olhei pro relógio: 3h23. Sem conseguir me mexer direito, tateei na bolsa o meu mp3 e pus Chico Buarque para cantar. E fiquei viajando na dele...


Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu...

Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim
O resto é seu...



Aí, "trocando em miúdos", eu fiquei filosofando água,
observando a estrada que passava pela janela e
servindo de encosto pros pés do meu companheiro
de poltrona. Mas aí,Guy, é nessas horas que a
gente deixa o pensamento fluir.
Pode ser bom, mas pode causar um desconforto enorme.
Grande parte das vezes, eu fico perdida, pensando
em várias coisas ao mesmo tempo. Aí dá uma insônia,
uma insegurança danada, um misto de
sentimentos que você nem sabe de onde vêm. Pessoas também
vagueiam nesses meus pensamentos.
Algumas, eu não sei por onde foram; outras, não sei onde coloquei.


Me comunicarei sempre com você. Assim que chegar, recolher a bagagem
e reconhecer o entorno, te ligo. Mas vê se te desliga desses problemas aí.


Beijos.
Elis

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Cenas do próximo capítulo

São incontáveis noites de palavras, versos e contos. O desconforto já deu lugar à tranquilidade, da pacificidade daqueles quem têm pouco ou nada para esconder. Do momento propício fez-se um outro da mesma angústia confortável. Aquela frustrante sensação de vislumbre, do mesmo sentimento carnal, espiritual, emocional, imutável.

Pensa, então, depois do fato consumado não-consumado, na origem da lacuna. É porque a perfeição simplesmente não existe, então seria melhor tomar o impulso como conselheiro a ficar calculando o instante certo. Ele nunca chega a não sei que você decida: é esse!

Mas momentos servem para fazer pensar. Não apenas pra refletir sobre o foi ou o que deixou de ser, mas no que será mais adiante. Daqui pra frente... o que será daqui pra frente? É um caminho sem volta, correto?.

É bom quando a gente pára pra pensar, mesmo que pôr os pensamentos no papel não seja das tarefas mais fáceis. Não como antes.

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Nota: Um momento insone em meio a madrugada mais três horas desta manhã e nada. Compreendemos que não dá mais pra racionalizar.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Claridade

Passei o ano inteiro lendo trechos do livro “Clara Nunes – Guerreira da Utopia”, de Vagner Fernandes. Não, o livro não é ruim, pelo contrário, é uma história instigante de alguém que criou a si própria, mudou tudo e ganhou a todos. É a história de Clara Francisca, mineira, que virou Clara Nunes, brasileira. Brasileiríssima.

Em sua narrativa, Vagner abre espaço para todos aqueles que conviveram com a cantora Clara Nunes, mas também com a Clara mulher, fã, ídolo, irmã, amiga, esposa. Criou merecidos floreios, destrinchou uma infância pobre, seu apogeu pela Música Popular Brasileira (da música romântica, passando pelo forró e pelo samba, sua marca) e a apoteose. A vida de Clara foi um samba, partido de altíssimo nível, que deixou seus registros em muitos outros ritmos.

Quando li o capítulo que conta sobre sua morte, fiquei voltando ao início, como se tentasse mudar o fato consumado. Talvez por ser muito difícil de acreditar que tudo aquilo que foi Clara tenha se esvaecido por tão pouco. Como não pôde ser mãe (devido a cistos no útero), sobrou-nos da cantora sua voz, seu misticismo, sua figura marcante. Não tenho como ponderar a comoção que sua partida gerou, aos 39, mas sendo ela tão presente e baseada nos relatos do autor, arrisco-me a dizer que foi uma perda irreparável. Primeiro, por que ela não deixou herdeiros sangüíneos nem musicais; segundo, por que ninguém, jamais, conseguiu imita-la. Ficou um enorme vácuo.

Em tempo: Clara Nunes morreu em abril de 1983, depois de sofrer um choque anafilático durante uma cirurgia de varizes. Passou 28 dias em coma até ser declarada morta pelos médicos. Curandeiros, rezadeiras, pais-de-santo, gente de todo tipo de amontoou no hospital querendo levar cura à cantora.

Tudo bem. Não houve quem substituísse Maysa ou Elis (apesar de Maria Rita). Também não enxergo suplentes para Gal, Betânia, Nana Caymmi. Talvez estejamos numa entressafra, salvo algumas minguadas exceções.

Abaixo, um dos grandes sucessos de Clara, Feira de Mangaio. Excelente interpretação de alguém que cantava com gosto e com alma. "Clara Nunes - Guerreira da Utopia" é uma leitura mais que recomendada àqueles que apreciam a boa música.


Salve Clara Nunes!


Sobre Clara:

“À Clara foi negado o direito de ter um filho. À Clara foram negados tantos direitos em troca dos aplausos que ganhou aqui e pelos cantos do mundo”


Tom de Clara:

“Você passa, eu acho graça/ Nessa vida tudo passa e você também passou...”


Clara, por Clara

“Cantar pra mim é como respirar, eu não saberia viver sem isso.”



segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Letra e música [1]

Pétala
Djavan

O seu amor
Reluz
Que nem riqueza
Asa do meu destino
Clareza do tino
Pétala
De estrela caindo
Bem devagar...

Oh! meu amor!
Viver
É todo sacrifício
Feito em seu nome
Quanto mais desejo
Um beijo, um beijo seu
Muito mais eu vejo
Gosto em viver
Viver!

Por ser exato
O amor não cabe em si
Por ser encantado
O amor revela-se
O Ser amor
Invade
E fim!!...(3x)

domingo, 21 de dezembro de 2008

O nosso amor a gente inventa

(Estória Romântica)

Composição: Cazuza / Rogério Meanda / João Rebouças

O teu amor é uma mentira
Que a minha vaidade quer
E o meu, poesia de cego
Você não pode ver...

Não pode ver que no meu mundo
Um troço qualquer morreu
Num corte lento e profundo
Entre você e eu...

O nosso amor a gente inventa
Pra se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu...

O nosso amor a gente inventa
Inventa
O nosso amor
A gente inventa...

Te ver não é mais tão bacana
Quanto a semana passada
Você nem arrumou a cama
Parece que fugiu de casa...

Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açúcar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma história romântica...

O nosso amor
A gente inventa
Prá se distrair
E quando acaba
A gente pensa
Que ele nunca existiu...

Mas ficou tudo fora de lugar
Café sem açúcar, dança sem par
Você podia ao menos me contar
Uma história romântica...

O nosso amor a gente inventa
Prá se distrair
E quando acaba a gente pensa
Que ele nunca existiu...

O nosso amor a gente inventa
Inventa...
O nosso amor a gente inventa...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Quando o silêncio diz tudo

Segundo os organizadores do protesto, os cocos representam a cabeça humana. De acordo com a ONG, esse é o alvo mais freqüente nas mortes violentas no Rio. (Foto: André Teixeira / Ag. O globo)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O que as maduras querem?

Eu não gosto se ser repetitiva ou ficar reproduzindo os assuntos mais comentados do momento. Mas, é impossível fugir do óbvio nesse momento e comentar com um e com outro sobre a morte de Marcelo Silva (mais conhecido como ex-marido de Susana Vieira).

Eu li algumas matérias e posts em blogs famoso. Inclusive, assisti a um vídeo ridículo que mostrava o corpo do falecido, bem trajado em uma sunga Diesel. O blog comentava que o ex-PM morreu como tinha vivido: de sunga branca.

Enfim...

Agora há pouco, li algo mais interessante sobre o ocorrido. Então, resolvi abrir espaço aqui para o pensamento alheio. O texto foca pra outro lado, assim como eu gostaria de ter feito...

Eu concordo com "envelhecer dignamente". Embora use anti-rugas desde os 20, não almejo ser uma senhora à Vera Fisher - esticada e bancando a garotona (nada contra, Dona Vera...).

Segue:


BARBARA GANCIAO

O que as maduras querem?

Que tipo de troca terá existido entre a atriz Susana Vieira e esse pobre rapaz de vida desperdiçada?

CAFAJESTE, TOSCO , aproveitador, truculento, drogado, imoral... De uns meses para cá, Marcelo Silva, 38, ex-marido de Susana Vieira, 66, encontrado morto em um apart-hotel da Barra da Tijuca na manhã de ontem, vinha sendo chamado de tudo um pouco.Recentemente, em seu programa matutino, a apresentadora Ana Maria Braga chegou a sugerir que a melhor coisa que ele poderia fazer seria "desaparecer da face da terra".

Ex-policial militar com histórico de agressão física contra mulheres e internação por dependência de drogas, Marcelo não parecia muito preocupado com sua reputação.Ao sair de mala e cuia da casa de Susana, no mês passado, ele declarou: "Hoje sou um homem aliviado. O que adianta comer picanha argentina num restaurante chique e não digerir a comida? Hoje, eu como alcatra num restaurante barato e tenho uma boa digestão".

Não sou do tipo que transforma capetas em santos só porque eles passaram desta para melhor. Mas, quer saber? Marcelo Silva, que Deus o tenha, com todas as suas fraquezas e limitações, não é o principal problema desta triste novela.Vamos e venhamos: o que Susana Vieira e outras mulheres maduras como ela procuram? O que a atriz estava querendo quando se casou com um rapagão enxuto, dependente de drogas e 28 anos mais jovem do que ela? Amor eterno? Estabilidade conjugal? Um bezerrinho para chamar de seu?A metáfora sobre a alcatra e a picanha utilizada por Marcelo Silva pode não ser digna de constar do livro de etiqueta de Marcelino de Carvalho, mas pulula de franqueza.Ou será que existe algum homem sarado na faixa dos trintinha que prefira uma picanha de 66 anos a uma alcatra de 27 -a idade da amante de Marcelo que acabou se tornando o pivô da separação?

Com o advento do botox e das várias técnicas de recauchutagem (e de reposição hormonal) hoje disponíveis para quem se recusa a envelhecer com dignidade, a mulherada passou a acreditar que bastou ter dinheiro e o telefone de um bom dermatologista para adiar o inevitável.Mas um dia a casa cai. E se não cai, ficam todas com a cara das senhorinhas daquele filme "Mulheres Perfeitas" ("The Stepford Wives", 2004), que parecem saídas da mesma cadeia de montagem.Freud já não perguntava o que as mulheres querem? Pois, tudo ao mesmo tempo é que não dá para ser. Ou bem a endinheirada poderosa se contenta com prazeres pontuais da carne ou opta pelo companheirismo (e conseqüente enfado) que um relacionamento maduro é capaz de proporcionar.

Veja: não estou tecendo julgamento, longe de mim, mas a curiosidade me corrói as paredes internas do estômago. Sempre que vejo esses casais em que um dos cônjuges é bem mais velho do que o outro, eu me pergunto: sobre o que será que eles conversam? O que será que a Ana Maria Braga cavaqueia com seu mais recente marido? Que tipo de troca terá existido entre Susana Vieira e esse pobre rapaz de vida desperdiçada? Sobre que assuntos o Olacyr de Moraes confabula com suas jovens amigas?

Se alguém souber a resposta, por favor me diga.
barbara@uol.com.br
mailto:iga.barbara@uol.com.brwww.barbaragancia.com.br