domingo, 24 de julho de 2011

Fórmula de três décadas, música e Roupa Nova

Ser popular no Brasil não parece ser tarefa das mais árduas – vide a lotação em apresentações de bandas dispensáveis e de pouco talento que formam e renovam os ciclos efêmeros da música nacional que oscila entre lambada, pagode, funk, brega; que da mesma forma que são ostentados, despencam. Ser popular no Brasil, de fato, é resistir à efeméride músical, ao tempo.



E ir a um show do grupo carioca Roupa Nova é, antes de tudo, assumir-se um dos últimos românticos e chegar com a certeza de saber pelo menos parte do repertório, senão todo. Músicas do tipo que você já ouviu muito, mas não tem a menor ideia onde. Antes de tudo, é preciso estar disposto a assumir seu lado cafona, despretenciosamente poético, corajosamente ridículo.

O Roupa Nova completou 31 anos de uma carreira linear, popular à base de uma fórmula comum, mas ainda não cansada. Aparentemente. Atrai muita gente, agrada e envolve, principalmente pela capacidade de reviver, o que é muito fácil para um grupo cujo repertório mantém-se igual e ainda respaldado por novelas “globais”. A receita parece não ter erro: narrativas de amores ultraromânticos, espaço no horário nobre e público saudosista; números conquistados ao logo das mais de três décadas de vida, set list vasto e um Grammy Latino, em 2009. Aos que torcem o nariz ao repertório meloso da banda, fica o desafio de ouvir e provar que não sabe sequer uma das composições distribuídas em 22 álbuns.

O péssimo da noite foi a insistente falta de estrutura do Recife e RMR (Região Metropolitana), que não conseguem sequer ter dois eventos simultâneos no espaço do Centro de Convenções (Cecon) e o calor incorrigível do Chevrolet Hall lotado. E por causa de mais de uma hora em um engarrafamento lento, perdemos a primeira atração da noite, o show de Guilherme Arantes. Quando entramos no Chevrolet, ele já cantava a última música – como não voltou, acredito que já fosse o “bis”.


Chevrolet cheio. Quarenta minutos e muita propaganda depois, Roupa Nova entra na cena e derrama sua primeira leva de músicas-de-trilha-de-novela. Não em tom de crítica. Era exatamente o que todo mundo ali queria ver. Embora desafine gritantemente, o grupo é harmonioso entre si e tem um carisma que eu não dimensionava até então. Tem um público  (muito) diverso, conquistado há tempos, que acompanha e entra no clima da noite.

O show, comemorativo aos 30 anos, tem três “participações especiais”. No telão, os seis integrantes interagem com Milton Nascimento (em “Bailes da vida”), Sandy (em “Chuva de prata”) e ainda com o Padre Fábio de Melo (!!). A certa altura, eles “puxam” uma homenagem totalmente desnecessária às mulheres. Desnecessária porque o romantismo, por si só, já é uma característica arraigada ao feminino; desnecessária porque, se é pra fazer, que se faça direito. Com os “(d)efeitos especiais” – uma seleção de fotos que misturou Elis Regina, Yoko Ono, Lady Di, Oprah Winfrey, ita Lee –, o momento ficou deslocado e excessivamente cafona. Fez a linha apresentação de Power point.

Ademais, dentro das efemeridades da música brasileira, há de se reconhecer as conquistas do grupo. Roupa Nova tem no repertório mais de 30 temas de novelas, em 22 álbuns gravados ao longo da carreira. Cleberson (pianos e vocais), Feghali (teclado, violão e vocais), Kiko (guitarra, violão e vocais), Nando (baixo e voz), Paulinho (percussão e voz) e Serginho (voz e bateria) são indiscutivelmente carismáticos e não têm qualquer pudor de cantar todos os lugares comuns das relações, com direito a mão no peito, olhos fechados e agudos contínuos e até declarações rasgadas de amor ao público. Show bom para um repertório consolidado. Sem fórmulas mágicas.


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Por quantos?

Aos sete, eu achava que gente de 18 era grande, adulta, dona da sua própria vida. Achava que eles, os seres de 18, já sabiam dos seus destinos, já que podiam dirigir. Era só no que eu pensava: vou poder dirigir...

Aos 18, tive que perder o medo de dirigir, assim, na bucha. Mesmo saindo da Rua da Aurora em direção a Boa Viagem e indo parar em Olinda. Precisava ainda aprender a ter noção de direção e ainda de tempo, de espaço, de responsabilidade.

Aos 25, achei-me velha pela primeira vez, quando olhei prum vidro de anti-rugas e li "25+". De certa forma, já notava que meus corriqueiros ares de poucos amigos e maus humores já tinham me deixado uma marca vertical entre as sombrancelhas.

Agora, aos 28, só penso nos 30 e nos carros que ainda terei, em tudo que evitarei para não envelhecer cedo demais, nos caminhos que evitei e naqueles que enfrentei e por onde caí. Mas penso ainda nos livros que terei para ler até os 40, em como vou encarar a mim mesma, quando chegar à última linha cosmética possível para evitar o inevitável. E, por alguns segundos, inclusive estes, eu penso em quem me tornei e em quem esta nova pessoa se tornará. Se for para escolher caminhos, quantos ainda terei?

E se vai dar tempo de ler todos os livros, de conhecer todas as pessoas, de transitar todas as avenidas. Quantas melodias deixarão de ser ouvidas, sensações esquecidas, momentos adiados?

sábado, 16 de julho de 2011

"Agora falando sério..."

*Chico Buarque de Holanda

Agora falando sério...
Eu queria não cantar
A cantiga bonita que se acredita que o mal espanta
Dou um chute no lirismo, um pega no cachorro e um tiro no sabiá
Dou um fora no violino, faço a mala e corro pra não ver banda  passar


Agora falando sério 
Eu queria não mentir
Não queria enganar, driblar, iludir tanto desencanto
E você que está me ouvindo
Quer saber o que está havendo com as flores do meu  quintal?
O amor-perfeito traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal

terça-feira, 12 de julho de 2011

Adeus ao velho Mussa

A gente corre pra burro em redação de jornal. Não há dia tranquilo, no máximo, um menos corrido. E é comum também ter apurações de última hora ou aquele último gráfico ou previsão que não ficaram, assim, tão claros. E nesses momentos, comum era ouvir alguém dizer: "liga pra Mussa que ele explica". A partir de agora, vai ser muito triste não poder mais fazer isso.

Conversei poucas vezes com o economista, mestre em Economia e administrador de empresas Josué Souto Maior Mussalém nesse meu primeiro ano de Folha. Apesar de saber de sua boa fama de didático, a recomendação da editora era que a gente procurasse outras fontes. Por ser muito prático e acessível, Mussa era o primeiro nome que vinha na cabeça (pra mim, junto com Tânia Bacelar e Roberto Ferreira, ambos professores e igualmente simpáticos, didáticos e acessíveis) e Lorena (Ferrário, minha chefe) pedia sempre: "gente, dêem um tempo com Mussalém". O pedido tinha suas razões. Se deixasse, toda semana, lá estava o velho Mussa dando seus palpites e explicações no caderno de Economia da Folha.

Hoje de manhã, a estagiária começou o dia: "Tati, Silvia (Baisch, sub de Economia) quer alguém pra ir pro enterro de Mussalém". Nem sabia ainda e passei o dia lamentando. Além de ter morrido jovem, com 64 anos, ele deixa um vazio porque pouca gente falava de economia de forma tão clara e com tanta propriedade. Poucos atendiam com tanta disponibilidade. A gente, claro, vai sentir falta das "quebradas de galho" dele, que remediava sempre, sobre muitos assuntos, a qualquer hora. Se fosse tarde da noite, ele dizia: "ligue aqui pra casa que eu te explico". Pronto. A partir daí, a conversa durava longos minutos. Mas era ligação terminada, assunto resolvido.

Foi minha primeira cobertura de velório. Chegamos (a fotógrafa Andréa Rego Barros, a colunista Rochelli Dantas e eu) meio constrangidas, mas já é sabido que, em ocasiões como essa, tratando-se de alguém como Mussalém, a imprensa precisava estar lá. Mas não é fácil ter que interpelar parentes inconsoláveis ou catar alguém conhecido que possa falar do momento, das memórias, do legado. Mas, enfim, foi feito.

Conversando com o cunhado de Mussalém, o médico Aníbal Gaudino, tive a reafirmação de quão bem preparado e bem informado era o economista. Também que, apesar de obeso e hipertenso, ele não procurava um médico há 20 anos. "Era uma caixa preta", comentou Gaudino. O edema pulmonar que levou Mussa, na madrugada de ontem, 11 de julho, foi fatal. Não deu tempo nem de socorrê-lo; morreu em casa, de repente.

Gentil, generoso, didático, competente, simples. O velho Mussa vai deixar saudades. Ficarão interrogações muitas sem suas aulas livres de "economês".

BOM E VELHO MUSSA - "Posso te explicar. Ligue aqui pra casa..."

sexta-feira, 8 de julho de 2011

PAUTAS - Escala do Jacarandá, primeiro navio do PAC, no Porto de Suape

Tecon Suape recebeu o Jacarandá, mês passado. Na foto, os 280 metros de comprimento e os guindastes do navio

O guindaste, mais de perto

Pátio de armazenamento de contêineres do Tecon Suape, no Porto de Suape

Mesa do comandante do Jacarandá, com as coordenadas da rota

Presidente da Log-in, empresa proprietária do Jacarandá, Vital Lopes, dando entrevista sobre a primeira escala no navio no porto pernambucano

O "pequenino" Jacarandá, que tem 280 metros de comprimento por 30 metros de largura
A fotógrafa da Folha de Pernambuco, Nathália Bormann, registrando o Jacarandá

Vida de fotógrafo, tendo que lidar com o sol. E que sol...

domingo, 3 de julho de 2011

Além da vil superficialidade

Aproveitei o meio expediente do feriado passado, de São João, para aprofundar na superficialidade. Aliás, esse era o génesis desse blog, mas há muito não faço. Fiquei um tempo cevando o texto, até decidir publica-lo.

Pois então.

Tenho convivido com uma figura controversa nas últimas semanas e observá-la me fez pensar em superficialidade e superficialidades. Para ser mais exata, me fez pensar no quanto conseguimos ser superficiais – é quase sempre regra o quão conseguimos ser rasos.

Falando dessa personagem, eu digo e confesso: várias vezes me pego queimando de raiva ou se cenho franzido, sinal de reprovação evidente a alguma coisa que ela faça. Barulho, espalhafate, palavrões fora de hora ou conversas com decibéis a mais (logo quando eu estou no auge da concentração); a lista é enorme. Ela é capaz de tirar a paz do ambiente inteiro com uma risada.

Tudo isso poderia ser desnecessário, embora pense - quando estou mais de observadora que de interlocutora - que faz parte do conjunto. E quem parar para uma conversa pontual, um assunto mais controverso – que inclua esforço, trabalho, filho, despesas – vai perceber que há mais o que se observar ali. Vai além de uma ex-hippie (de boutique) declarada, ainda fora de lugar, que já não encaixa na vibe 70’ nem está ainda modelada na realidade dos quase-30. É porque ser mãe não deve ser nada fácil, ainda mais quando o sustento é de uma fonte só; ainda mais quando se é jornalista; muito pior se o tempo (melhor, a falta dele) for seu inimigo-mor. É que me soa louco demais dividir pífias 24 horas com trabalho, carro, jornal, lista de supermercado, roupa, tinta de cabelo, conta pra pagar, cerveja pra beber, problema pra discutir e filho pra ninar.

William Bouguereau (1825-1905)
Admiration Maternelle [Maternal Admiration] - modificado

É interessante observar o “além mar” das coisas e a gente viveria melhor se se desse ao trabalho de esticar a vista. Seria melhor que ser simplesmente rasteiro e atentar apenas ao que salta aos olhos. Oras, isso qualquer um vê, qualquer simplório observador pode constatar. Acho que a graça das coisas está mesmo em olhar além, em dar atenção ao que ninguém atinou, porque aí você acaba sentindo o que ninguém sentiu e nem vai.

Meu ambiente tem sido dos mais férteis e eu adoro a tarefa diária de observar. O bom é tatear a superfície, catalogar a paleta de cores, a trilha musical. Trejeitos, percepções, passados, manias, defeitos, medos. Os pormenores têm me fascinado. Eu observo desbotes de tinta de cabelo, simetrias de barbas, formatos de unhas, o tom da pele, linhas de expressão, contornos de olhos, os entrecortes das veias pelos braços e pescoços. E, acredite em mim, isso diz demais.

Na minha personagem, a alegria transborda até quando está ausente. Ela me parece ter a obrigação de ser feliz, sem qualquer saída, sem outra condição, numa “auto imposição” constante. Tem quem se irrite com isso (já me abusei várias vezes, bom lembrar), mas também é importante notar que isso é somente a camada aparente. Abaixo há muitas outras.

Eu comecei esse texto no carro, voltando da redação pra casa, no início do feriado passado. São momentos em que a cabeça despreocupada por minutos pode mergulhar em algo, mesmo que eu não me dê conta conscientemente. Mas para não perder mais essa viagem, foi uma mão ao volante, outra na caneta, pegando os lampejos antes que eles saíssem pela janela. A inspiração tem lá seus caprichos e a gente que tem que atendê-la, na hora que chega, ou ela vai embora e aqui, no superficial, não vai sobrar nada.

É bom permitir-se mergulhos como esses. Em vários lugares, em muitas almas. Dá sabor novo àquilo que você julgava já conhecer. Uma grata surpresa a cada dia.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Olha pro céu, meu amor...

Eu amo São João por causa das lembranças. Era a época de início de férias e de chegar na casa de vovó Edda e encontrar Monteiro (meu avô materno) ocupado montando uma fogueira bem jeitosa, enorme, que seria acesa no início da noite. Era religioso. Monteiro montava fogueira também para São Pedro, todos os anos.

E chegar na casa de vovó Edda (uma casa grande e querida, no bairro da Ilha do Leite, aqui no Recife) era abrir a mala do carro para tirar uma corda de bandeirinhas ou encontrar alguém (vovó ou uma das minhas tias) colando bandeiras num barbante comprido na mesa da sala - de jornal, de página de revista Veja ou de plástico colorido. 


Era também dia de ver Francisca (a negra querida e materna, de cozinha afável - sim, elas existem fora dos livros) descascando milhos sentada na garagem. Eu ficava lá, de tocaia. Não que gostasse muito de descascar milho (ficava me coçando por causa daquele monte de cabelo), mas adorava catar as lagartas verdes e fazer maldades com elas (Freud explica, calma...).

Dia 23 de junho também era dia de ver vovó moendo milho num moedor manual, de manivela, que ela prendia na bancada da cozinha. O processo consistia em tirar os grãos do sabugo com uma faca, colocar os grãos (que saíam enfileirados e eu achava interessantíssimo) no moedor e pegar aquela massa moída pra fazer canjica e pamonha. Eu gostava mais de canjica, ainda quente, mas achava a pamonha curiosa, vestida "a caráter". Francisca era mestra em fazer aquele pacote com a palha do milho. Era por causa disso que ela dizia: "tente tirar a palha inteira, senão não dá pra fazer pamonha". E eu ia com o cuidado e experiência de neta mais velha.

E eu achava aquele moedor de ferro o máximo. Tinha que fazer muita força e minha boa vontade de ajudar acabava logo. Mas ali não tinha corpo mole. Ajudar não era só questão de opção. Todo mundo fazia parte da festinha.

Mas então painho saía pra comprar fogos - traques de massa, aliadas, bolas metralhas, vulcões, três tiros, estrelinhas -, Monteiro descia com a radiola e os LPs de Gonzagão e mainha vestia a gente de matuta. Com detalhe: enquanto todo matuto junino tem muitas pintinhas nas bochechas, Juliana e eu tínhamos apenas uma, de um lado. Sabe lá Deus o porquê...

Receber Karina (nossa única prima na época - que ainda é de terceiro grau, sobrinha-neta de Monteiro) era outro detalhe junino. E tem um último que eu não posso esquecer: invariavelmente, todos os anos, eu me queimava. Fosse por me fazer de sabichona e querer soltar "fogos de adultos", fosse por achar que podia com a fogueira de Monteiro. Sempre terminei o São João com uma lembrancinha chamuscada!

Hoje, eu sinto cheiro de fumaça e uma saudade danada. Acabei de comer um pedaço de pamonha que mainha comprou não sei onde. Nem é a mesma coisa, mas o São João do "seu" João (o primeiro nome de Monteiro) era tão bom que a lembrança não poderia ser ruim.

**



Musique-se



Noites brasileiras

Ai que saudades que eu sinto
Das noites de São João
Das noites tão brasileiras na fogueira
Sob o luar do sertão

Meninos brincando de roda
Velhos soltando balão
Moços em volta à fogueira
Brincando com o coração
Eita, São João dos meus sonhos
Eita, saudoso sertão

domingo, 19 de junho de 2011

Still writing a bad romance




I want your love and
I want your revenge
You and me could write a bad romance
(Oh-oh-oh--oh-oooh!)
I want your love and
All your lover's revenge
You and me could write a bad romance

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Diploma? A gente tem!

Fez dois anos: estava apreensiva, assistindo ao Jornal Nacional, quando a repórter, direto de Brasília, avisou que o Supremo Tribunal Federal tinha derrubado a obrigatoriedade do diploma de jornalista. Na hora, a raiva foi tão grande que eu sacudi a almofada na televisão e chamei Gilmar Mendes de todos os nomes feios que vieram na minha cabeça. Logo depois, imagem de outro ministro, chamando jornalismo de arte... Arte?

Pois bem. Por ora, estamos na mesma. Periodicamente, recebo o informativo virtual da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), falando da PEC (o tal Projeto de Emenda Constitucional), que revalidará o diploma (se meu São Assis Chateaubriand permitir). Antes garantido por uma emenda (termo muitíssimo adequado), o diploma de jornalista teria sua própria lei. Será reconhecido por lei... vejam só... como se jornalismo fosse pouca coisa. Como se fosse favor.



Eu investi muito na faculdade e morro de orgulho do meu diploma. Orgulho danado de ser jornalista e ter compromisso, de fato. Já recebi tanta crítica por isso. Chamaram-me de positivista, infantil, ingênua - mas todo jornalista tem lá seus rótulos e eu nem ligo pros meus, enquanto forem esses.

É triste que alguém que estudou tanto para chegar onde chegou (imagino eu, sobre o Gilmar Mendes) bata o martelo e determine que seja dispensável estudar para exercer uma profissão tão socialmente importante. Se a sociedade não puder exigir que nós, Imprensa, tenhamos formação universitária, estudo, base, vai exigir o quê? É triste que a gente viva em um país que aprove retrocessos. E antes que falem de novo, não estou puxando sardinha pro meu lado. Eu continuo com meu diploma, com meu salário, com meu cargo de repórter, mas me  preocupo com a condução do Estado, aquele que acha normal não estudar, acha normal fazer de qualquer jeito, na base do remendo. O velho jeitinho, que já perdeu a graça faz tempo.

Você pode até dizer que compromisso, ética, honestidade e qualquer outro item do bom jornalista não se aprende na faculdade; mas ajuda, garanto. Mas, por enquanto, não se preocupe. A imensa maioria (perdoe-me a redundância, mas preciso dar ênfase) dos profissionais que conheço - da equipe da qual participo e de outros jornais - são sérios, competentes, comprometidos (dentro de suas restrições - lembremos sempre que jornal é empresa e empresas têm vontade própria) e bem formados. Diplomados.


PARA NÃO PERDER O HUMOR
Jornalista é um bicho excêntrico, divertido. Então, mesmo falando de coisa séria, cabe uma leveza aqui. Outro dia, estava defendendo a vocação. A do jornalista, acredite, é forte:


Sem vocação, você faz medicina, pelo dinheiro.
Sem vocação, você pode até fazer administração, para tentar colocar ordem em qualquer coisa que aparecer. Não que o emprego vá ser tudo de bom, mas ele existirá...

Mas, sem vocação, você faz jornalismo? Pra quê? Não tem dinheiro, não tem emprego e, acredite em mim, não tem glamour.


Tacy Viard, na época do fim da obrigatoriedade, andava propagando uma frase da sabedoria popular: Diploma, "você não vale nada, mas eu gosto de você".


Duda Rangel, do "Desilusões perdidas", consegue colocar humor nessa coisa toda de ser jornalista. Para lembrar essa data marginal, ele entrevistou o diploma de jornalismo. Lê aqui.

sábado, 11 de junho de 2011

Retrô-IC

Reviver, reeditar...


Estava tirando o pó dos arquivos do blog e desenterrei uma entrevista ping-pong que fiz com Lobão em 2007, ano em que ele lançou seu álbum acústico. Aliás,um excelente álbum, um dos meus preferidos.


Dessa entrevista, destaquei o trecho abaixo. Lobão é um cara fácil, acessível, sem frescura. Clicando aqui, você vai diretinho pra entrevista, na íntegra.
O Brasil não sabe conviver com vanguarda, com pensamentos de renovação, sabe? Você vê o Ariano Suassuna, por exemplo, é um poço de atraso, apesar de ser um cara genial. Tem uma obra maravilhosa, mas como pensador, é um atraso para o Brasil. Pior é que o cara é um erudito, porra. Então, imagine a besta fera que está no senado nacional, um parlamentar ou um governante que mal tem o segundo grau completo?

sábado, 4 de junho de 2011

5% dos extremamente pobres são crianças de PE

PIB brasileiro tem 29% destinado a políticas sociais

TATIANA NOTARO

Pobreza extrema é um “estado de privação de um indivíduo cujo bem estar é inferior ao mínimo que a sociedade a qual ele pertence julga obrigada a garantir”. No Brasil, es­se conceito envolve lares cuja renda por pessoa seja inferior a R$ 70 por mês. Em seminário, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostrou que, em 2009, 11,7% dos pernambucanos estavam dentro desse conjunto, contra os 5,2% da média nacional. Pior: mostrou também que entre os brasileiros “extremamente pobres”, 5% são crianças pernambucanas com idade entre 0 e 12 anos. “A pobreza tem a cara da criança nordestina”, atestou o diretor de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea, Jorge Abrahão de Castro.



Nesses casos, o auxílio maior vem do repasse direto de renda do programa Bolsa Família. Contrariando a ideia de que o assistencialismo corrói os cofres públicos, Castro disse que 29% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é destinado às políticas sociais; 0,4% ao Bolsa Família. Mas a porcentagem é “irrisória” só nos gráficos. Para se ter ideia, o programa cobre 74% das famílias extremamente pobres em Pernambuco.

Castro diz que, por conta da Previdência Social, quase não há idosos em situação de extrema pobreza e que os programas visam “corrigir uma distorção de anos”. “O crescimento das décadas de 60 e 70 foram a ‘índices chineses’ com distribuição de riquezas com taxas de crescimento africano”, comparou. Nesse degrau da extrema pobreza, predomina 51% de desocupados e inativos (pessoas que não estão procurando emprego).

“Quando alguém arruma alguma coisa, é sem carteira. É muito grande a fragilidade no mercado de trabalho para essa parcela da população”, descreveu. Nunca é pouco lembrar: na escala da pobreza, os mais atingidos são as crianças. Na sequência, os adultos e os jovens. E essas pessoas, diz Castro, só vão sair da pobreza com a melhoria do mercado de trabalho e, sim, com o Bolsa Família. “Não dá para abandonar o programa”, enfatiza.

SEM MISÉRIA
Com o plano Brasil Sem Miséria, anunciado na última quinta-feira, o governo Dilma Rousseff reforça a erradicação da pobreza extrema como meta e promete retirar 16 milhões de pessoas dessa situação. E o plano mostra as peças: transferência de renda, inclusão produtiva e acesso a serviços públicos básicos, como educação, saúde e energia elétrica.