domingo, 26 de fevereiro de 2012

Indo Além daqui

Depois de tudo, ainda deu pra ser feliz. Mesmo numa overdose de ironia da vida. Por que houve momentos de verdade no caminho, nessa vida, nisso que agora é amor. Tanto faz, por que poderia nem ser. Tinha tudo para não ser. Mas é. E é sempre mais.

Quando vem por perto, depressa, de mansinho, para aconchegar sorriso, para um alisado esquecido. É conjunto unitário, sem igual. Bem que se quis, antes, a distância. Mas isso foi antes. Agora, não tem como, não tem jeito.

Eu não preciso de mapas para amar você, ou regras, ou medições. É sem tamanho, de todo jeito, por todos os lados. Com sim ou não. Com gritos, com espelho; no ritmo que der, que vier.

Tanto faz, virou paz, virou destino, virou mais. Tem um abraço, devagar. Beijo e beijos.

UMA IMAGEM, para bom entendedor. E basta

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Insultos infames sem pecados

A realidade não é para os fracos. Nós, os fracos, quanto postos diante dos fatos, trememos, tergiversamos, fingimos que a conversa não é conosco. Na década de 40, quando já insultava nos palcos sudestinos, Nelson Rodrigues fazia das infâmias públicas pedras que eram atiradas contra ele mesmo - porque a maioria era capaz de jurar de joelhos, com as palmas das mãos juntas, que jamais viu ou pensou algo semelhante ao que suas tramas escancaravam. Eram ofensas. Mas infâmias alardeadas geram reações que, aposte, têm maioria de concordância; o que sobra fica de aceite com aquele riso cínico abafado de quem não tem lá muita coragem de assumir.

Na última apresentação do último dia do Janeiro de Grandes Espetáculos, a história de "A mulher sem pecado" pareceu óbvia. E de tão óbvia, uma surpresa. A ótima montagem da Cia de Teatro Arlecchino, de Minas Gerais, é apresentada em cima de um cenário simples: porta, escada e o arcabouço da cena por onde atores entram e saem, se enfrentam, mas não se olham. Há insultos, delírios e cismas que se põem como verdades. Tudo bem Nelson.

Tudo verdade, inclusive as risadas e sussurros da plateia a cada deixa rodrigueana: "toda bela mulher deveria ser uma amante lésbica de si mesma". E não é? Aliás, se a verdade do palco fosse simplesmente essa, Olegário (interpretado por Paulo Rezende) estaria coberto de razão ao apontar Lídia (de Ana Luiza Amparado) como uma adúltera dissimulada. Segunda mulher do (falso) paralítico, Lídia lida com sombras, com dúvidas, acusações. Olhos a cercam por todos os lados, inclusive os do público, porque fica uma dúvida cruel se ela está ofendida como uma ré inocente ou assustada com a verdade. Por fim, está pouco claro se havia qualquer razão em Olegário, mesmo que ele mesmo concretasse que há tipos de mulheres que têm obrigação de ser infiéis. E a mulher de um paralítico, como a sua, seria uma dessas.

Nelson, atesta a história mal contada, era tarado, pornográfico, deturpador dos costumes, denigria a imagem da família e, se assim for, deve estar sendo (sub)utilizado até hoje como norte das produções televisivas. Tempero usual, como sal, das novelas. Mas não vamos adentrar discussões sobre o que se torna (despida) a célula da sociedade nas mãos de Nelson Rodrigues, porque se este é o ano do seu centenário de nascimento, as cansadas análises ficarão ainda mais esgotadas. Vamos nos poupar.

A questão aqui é que, ao perceber Nelson, é mais direto sentir que a vida é bem assim, cheia de dissimulações, de contradições. Que sua podridão, aquela que cai na sua cabeça em algum momento (lembra?), quando você descobriu que as coisas não eram "bem assim", é inerente e faz parte da fórmula. Se por seus traçados não há muitas saídas além da tragicômica, então por onde saem as surpresas, as interjeições e os incômodos que você sente? Onde está o novo na receita que deixava (e deixa) plateias incomodadas e pudicas como estivesse diante do novo inominável?

O problema é que Nelson virou rótulo. Já era, em seu tempo, mas hoje é o narrador dominical de "A vida como ela é..." (assim mesmo, reticente, como se esperasse complemento), que consegue ser muito mais amoral que qualquer reality ou dança modista. Mas quem olha pro umbigo no espelho e é romântico o suficiente para trocar as reticências de Nelson por um leve e assumido ponto (.)? Dizendo de outro jeito, a realidade é para quem aguenta sua força. Mas a moral é leve.

Leve, leve

domingo, 29 de janeiro de 2012

"Anjo pornográfico" - trechos

Nasce Suzana Flag


"A história começava com um casamento entre uma jovem feia e ingênua e um viúvo dominador que não conseguia esquecer a primeira mulher - linda, inteligente, fabulosa -, todos morando numa fazenda isolada. Até aí era um plágio de 'Rebecca, a mulher inesquecível', de Daphne de Maurier, que Nelson vira no filme de Hitchcock com Joan Fontaine e Laurence Olivier. (Os moleques chamavam o filme de 'Recível, a mulher inesquebeca'.) Mas, dali para frente, sentia-se o dedo rodrigueano: a primeira mulher morrera estraçalhada por cachorros em uma situação misteriosa. O viúvo, aleijado de uma perna, tinha um irmão irresistível que passara a dar em cima da nova cunhada. Esse irmão tinha uma amante escondida na floresta e, dentro da casa da fazenda, havia uma prima a fim do viúvo. Os dois irmãos tinha uma mãe dominadora e as subtramas ficam por conta de um pelotão de irmãs solteironas e virgens.

Leão Gondim, entusiasmado, rugiu OK. Os seis capítulos começariam a sair enquanto Nelson seguiria fazendo outros, para ter sempre alguns à frente. Precisavam de um título - e de um pseudônimo, porque Nelson, o autor 'sério', não queria assinar o folhetim. Para que não tivesse dúvida, deveria ser um pseudônimo feminino. Freddy concordou, mas achava que deveria ser um nome inglês - se fosse brasileiro, ninguém leria. Nelson insistia num nacional, algo assim como Suzana, nome da mulher de seu primo Augusto. Freddy cedeu e forneceu o sobrenome.

Daí nasceu 'Suzana Flag'. Com essa assinatura, o título do folhetim só pode ser aquele: 'Meu destino é pecar'."

sábado, 28 de janeiro de 2012

"Anjo pornográfico" - trechos

Vestido de noiva


"Depois de praticamente inventar o teatro brasileiro, o autor de 'Vestido de noiva' viu-se na avenida Rio Branco, escura e deserta, caminhando feito um zumbi em direção à leiteria Palmira, no largo do Carioca. Ele, sua mulher, sua cunhada Julieta e sua sogra foram comer o 'jantar Avenida' da leiteria: bife, batata frita e dois ovos. (Pediu pão por fora.) O resto do elenco fora comemorar na chique sorveteria 'A brasileira', na Cinelândia.

E sabe porque Nelson não foi com os outros para 'A brasileira'? Porque não tinha dinheiro.

Não lhe faltaria, evidentemente, quem disputasse a primazia de pagar por ele. Mas, naquele momento, ainda não se dera conta de que, fechado o pano de 'Vestido de noiva', ele deixara de ser o miserável que se tornara desde a morte de Roberto*.

A morte de Roberto. Quando Nelson pegou o bonde e volta para a praça Bandeira, já eram quase duas da manhã de 29 de dezembro de 1943. Sem tirar nem pôr - nem um dia, nem uma hora, talvez nem um minuto - completavam-se catorze anos que seu irmão morrera."

Livro de Ruy Castro
*Roberto Rodrigues, um dos irmãos mais velhos de Nelson, que fora assassinado pela recém-desquitada Sylvia Seraphim. Digamos que estava de pé no lugar errado, na hora errada. O tiro foi fatal.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Fragmentos (1)

Mastigar bem esta vida é a primeira lição para não morrer engasgado. Os dias passam, viram anos bem rápido e você só vai ter tempo de  aprender uma página de cada vez. Ou aprende, ou a lição vai se repetir lá na frente. Invariavelmente.

Tornei-me homem cedo. Fui pai cedo e não tive outra saída. Dali a meses, minha vida mudou totalmente. Era a hora de pôr a cabeça no lugar, mas o que eu fiz foi ter outro filho. Aos 20 e poucos, tinha mais duas bocas, além da minha, para alimentar. Fazia-me de bom filho para parecer bom pai, mas, na verdade, só conseguia ser bom profissional. A vida boêmia também ia bem e a oficial se desfez.

Mas o pontilhar do meu trajeto era tão frouxo, tão irracional, que eu fui incapaz de voltar à casa um, jogar os dados e jogar do mesmo jeito. A ponto de. Anos depois, lá estava eu: bem acima do peso, mais velho que meu RG mostrava, muito mais boêmio que poderia cogitar. Hoje, faço planos porque planejo morrer cedo e não posso deixar todas essas bocas desamparadas.

Tornei-me também uma mulher sozinha. Arrumei tantas brigas, disse tantos impropérios que só consegui desfazer laços. Hoje vivo em um nó. Pego-me lembrando de quando as netas eram crianças e fazia parte do roteiro que meus filhos as trouxessem para mim. Da dama que fui, seguiu-se um casamento forçado, mais filhos que os dedos de uma mão, mortes, agouros e uma língua ferina. Dela, sobrou pouco de mim. Só me reconheço nas fotos da parede: dali eu ainda posso ser o que queria ter sido. Eu era muito.

(continua, qualquer dia breve.)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Musique-se

A flor e o espinho
Paulinho Moska


Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor...


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

2011, esse mestre

Fazer balanço do ano é perceber que as coisas mudam rápido, que a vida traça sua cartilha e é capaz de mudar cenários e desfazer certezas. Foi necessário que o ano de 2011 terminasse mesmo, por completo, e que outro chegasse acelerado, para que pudesse ser descrito; uma tentativa de deixa-lo fazer valer até seu último instante. Foram mais de dez dias de balanço, e nada. A única necessidade, por ora, é talvez poder catalogar para o futuro, para não esquecer que as coisas mudam. Sempre.

Dois mil e onze foi um ano que, literalmente, começou mostrando ao que vinha. Em seus primeiros segundos, no dia 1° de janeiro, surgiu para ensinar que há decisões que, por mais difíceis que sejam, precisam ser tomadas, e que há muitos pontos finais nessa vida. Só que os pontos finais requerem maturidade e ela não vem sem dor, sem dúvidas.

Nos seus primeiros segundos, 2011 abriu sua primeira página, deu um tapa na cara e disse: vai, escreve aí pra nunca mais esquecer. E aquela lição foi relembrada por todas as suas 360 e poucas páginas seguintes, sem titubear.

Aquele 2011 também teve algumas doses fortes de decepção; ensinou que o que é veneno pode (e deve) virar antídoto. A mágica está bem aqui: mãos, pés e uma cabeça pra pensar. Mostrou também que há surpresas boas no meio da multidão e que genética não dá predisposição ao amor, não é determinante de caráter e jamais será lei para o afeto.

Mas 2011 veio também para acalentar. Reiterou que sentimentos mudam, que as pessoas se remodelam dentro de você e que isso pode fazer com quê muitas sumam, tal como fumaça. Vapor, aliás, que se esvai sem rastro. Foi um ano que corrigiu a si mesmo, controlou seus caminhos e manipulou uma parte da vida.

Mais que isso, 2011 fechou sua contribuição assinalando que os tempos são outros, principalmente quando lições são definitivamente aprendidas. Amigos da vida renascem, laços são refeitos ou desfeitos. Abriu, então, precedentes para que seu sucessor seja uma época de provas, literalmente: ensinamento aprendido e posto em prática. Ficam votos de notas altas, voos altos.


Notas altas, altos voos

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Motivos para amar...

NELSON RODRIGUES

"(...)
Dona Amália passou os olhos sobre as folhas de cadernos, quase caíram-lhe os óculos ao ler uma delas e, por via das dúvidas, selecionou duas vencedoras e não uma. A primeira, de um garoto chamado Frederico, cujo sobrenome não passou à História, contava o passeio de um rajá no seu elefante. A outra - a de Nelson - era uma história de adultério. Um marido chega de surpresa em casa, entra no quarto, vê a mulher nua na cama e o vulto de um homem pulando pela janela e sumindo na madrugada. O marido pega uma faca e liquida a mulher. Depois ajoelha-se e pede perdão.

Quando recebeu e leu para si a redação de Nelson, dona Amália tirou os óculos e olho-o como como se tivesse diante de um aluno que ela nunca tinha visto. (...) A redação de Nelson não tinha como não ser premiada, mas não poderia ser lida em classe. Então premiou-se também a do rajá no elefante e só esta foi lida. Mas, intimamente, Nelson sabia que havia sido o único vencedor.

Duplamente, aliás, porque começara a redação com uma frase - "A madrugada raiava sanguínea e fresca" - tirada quase "ipsi literis" de um verso do batidíssimo soneto "As pombas", de Raimundo Correia. E dona Amália não percebera ou fingira que não.

O detalhe do plágio é importante porque, tanto quando a opção pela adúltera, esconde - ou, por outra, não esconde - um diabolismo que, até então, só dona Caridade, mãe da menina Ofélia, enxergara em Nelson, quatro anos antes. O adultério, em si, nem tanto: não há criança de subúrbio que não tinha sido contemporânea de um caso desses sem se impressionar. E as histórias como aquela, talvez com desfechos menos trágicos, eram frequentes na rua Alegre e adjacências, onde florescia uma vizinhança particularmente abelhuda e fofoqueira. O excepcional era Nelson ter se atrevido a pô-la em palavras numa redação escolar.

(...)"

*De "Anjo pornográfico", de Ruy Castro

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

No meio do caminho, uma mão

Que se chame ONU ou qualquer outra coisa. Pode ter o meu nome; ou o seu.
Para ler a história do pequeno grande Minhaj, esse somaliano de fibra, clica aqui.

E você ainda diz que não acredita em milagres?

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Quais são suas saudades?

Estudei a vida toda no mesmo cantinho e aquele lugar está entre as maiores saudades que eu tenho na vida. Não do espaço, mas dos momentos; a sorte é que não tenho saudades das pessoas, que estão todas aqui. Mas eu ainda lembro dos jogos de futebol dos meninos, das partidas de dominó (deles), das aulas de educação física, das partidas de basquete, das fardas iguaizinhas, de cumprimentar "seu" Pedro, "seu" Henrique, "seu" Passira, "seu" Vicente. Saudades do pão de queijo da cantina, do cheiro de tinta guache, do vestiário da natação, das aberturas dos jogos internos...

Tenho muitas saudades nessa vida, ainda no início.

Morro de saudade da casa de vovó Gilcéia, um prediozinho caixão super charmoso na rua dos Navegantes, em Boa Viagem. A fachada era pintada de salmon, tinha janelões amplos e um corre-mão convidativo. Foi o meu primeiro reduto de boemia, que me ensinou aquela matemática: (pessoas amadas) + (boa música) + (muita comida) = felicidade plena. O edifício Julieta nem existe mais, mas eu ainda tenho a maior atração por prediozinhos caixão, charmosos e com cara de lar.

Morro de saudade do quintal de vovó Edda, o maior dos mundos, o reino da fantasia, a floresta, o reduto do jamais esquecido Apolo, companheiro fiel, como todo canino o é. Dos coqueiros (do coqueiro de cocos amarelos, imexível), das goiabeiras, das flores de vovó e do cantinho onde eu plantava caroço de feijão. Ah, as fogueiras de São João.

Vivo com saudades da casa da Barbie montada debaixo da bancada, daquela brincadeira incansável com Juliana. De montar a escola, arrumar mochila da todos os nossos 15 filhos, de fingir que a Xuxa era a empregada da Barbie e de achar muito estranho que a Chuquinha cabeçuda fizesse as vezes de filha. Eduardo, meu primeiro filho, continua no quarto. Hoje meio mofado, meio esquecido, com cara de pidão em cima da estante. Ele não viaja mais, nunca mais ganhou uma muda de roupa...

Saudade também de tardes de cinema aos domingos e de conversa boa, numa inocência de que as coisas poderiam progredir. De acreditar que não tinha como haver distância ali, que não tinha como não dar certo. Saudades dos suspiros e de achar que ele era a melhor coisa do mundo.

É, meu amigo
Só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor...


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

ROCK in RIO - eu disse que ia, eu fui

No voo de volta do Rock in Rio, vim pensando em como a sensação sobre as coisas mudam. Fiquei na fissura de ir ao festival porque ouvi, ainda pequena, a história da minha tia, Gilka, que foi para a primeira edição, de 85, meio sem querer (a gente contou essa história aqui). Tinha também aquela coisa Cazuza, "Pro dia nascer feliz" e algo do tipo Woodstock felings. Não foi bem assim.

Vamos combinar que, vislumbrando um festival de rock, uma programação excessivamente eclética dá ares de "vale tudo" (por dinheiro). Se estamos falando de rock, é no mínimo honesto que se corra (para longe) de tipos como Cláudia Leitte, Ivete Sangallo, Shakira, Rihanna e cia. ltda. Tenho nada contra, embora não consuma esse tipo de música, mas destoa excessivamente e nada disso tem a ver com rock. Comprei o ingresso no primeiro lote, ainda em 2010 (como registrei aqui), mas fui ficando desanimada a medida em que era divulgada a programação. Fiquei imaginando como seria ir a um festival de rock pra ficar vendo o povo pulando ao som de versos como "eu quero mais é beijar na boca". E, pra mim, quase tão importante quanto quem está no palco é quem está na plateia e público misturado acaba com o tesão da coisa.

E se você fosse projetar seu próprio festival de rock, que faria com o quesito areia + água = lama? Defina como quiser, mas pra mim, piso é coisa de boate e grama sintética, de campo society. Claro que aquele tapete de grama plástica quebrou o maior galho para descansar as pernas, mas também quebrou o climão. É tudo "confortável" demais para um festival de rock. Ok, pode dizer que Woodstock ficou em 69, mas você há de convir, tem tudo a ver.

Confesso que fiquei torcendo por um toró daqueles para desmanchar escova de gente modista metida a roqueira, mas que vai pra um evento daqueles montada num salto (!) e trabalhada na maquiagem tipo "baladinha" para ficar cantarolando aquele som meio emo do Cold Play. Sério: quase me senti um E.T. por ser do parco grupo de meninas que não tem cabelos loiros-e-alisados-quimicamente. São Pedro não me atendeu, mas eu adoraria ter visto nêga correndo da chuva pra não deixar o reboco cair.

Estou parecendo uma velha resmungona, mas é a ponta de frustração que me sobrou depois do Rock in Rio. Até porque, se o slogan era "por um mundo melhor", eu não vi nada de enaltecedor na quantidade de lixo (a proposta de sustentabilidade foi pelo ralo, porque papel era bóia) e nos preços absurdos das coisas (R$ 13 por um sanduíche - leia-se hamburguer, pão e queijo. Pra ter molho, mais R$ 2 | No mínimo R$ 80 por uma camiseta-souvenir de malha | R$ 5 por um copo de refrigerante de 300 ml), principalmente com aquela quantidade gigante de grandes patrocinadores: Claro, Itaú, Sky, Coca-cola, Niely Gold, Correios e até uma versão exclusiva de um perfume Paco Rabanne.




Pô, Frejat... de terninho?
FREJAT
Eu já confessei que escolhi o dia 1º de outubro por causa de Frejat. Gosto de Elton John, mas além dele não ser nada rock, estava super mal acompanhado no primeiro dia. Lobão, que era minha esperança, nem entrou na programação. Aliás, Frejat fez um show ótimo, mas ele continua, pro grande público, como a parte viva de Cazuza (e bastou cita-lo pra galera gritar). E ele ajudou, quando começou com "Exagerado", música de Cazuza na qual ele nem tem parceria. Na hora eu achei estranho, mas Frejat anda "diversificando" o repertório nessa fase da carreira solo, na proposta "Essa tal felicidade", fazendo a linha intérprete que é um desperdício. A surpresa pra mim foi ele cantar "Malandragem" (nunca tinha visto/ouvido) - aí sim, dele e de Cazuza - e a participação de Rafael, filho dele (de Frejat, claro), que toca guitarra muito bem. Mas, na boa, quando ele entrou no palco de terno, eu já perdi 5% do tesão. Confesso de novo: adorei o show! Skank (uma das bandas favoritas da minha irmã, Juliana) e Zeca Baleiro também fizeram bem o trabalho de palco.

AMÉM
Quem aproveitou o slogan positivista do Rock in Rio 2011 foi a comunidade evangélica do Rio de Janeiro, que pregou que, "Por um mundo melhor", "só com Jesus". A frase foi exaustivamente repetida em cartazes ao longo do caminho até a Cidade do Rock e distribuída em bilhões de panfletos-poluidores (claro, quem guarda panfletos?) com um textinho bizarro que li por cima, até eles misturarem religião com música e colocarem Jesus no meio.

No momento, eu estou vendo o show atrasadíssimo dos Guns'n Rose, que termina esta edição do Rock in Rio. Axl atrasou mais de duas horas e eu acho muito bem feito, já que a organização do festival, enaltece demais os artistas gringos. Sim, eles já anunciaram que o próximo Rock in Rio já está marcado, para setembro de 2013. Ingressos, claro, já podem ser comprados. Se vou? Aí é outra história.