Saia desta vida de migalhas Desses homens que te tratam Como um vento que passou
Caia na realidade, fada Olha bem na minha cara E confessa que gostou Do meu papo bom Do meu jeito são Do meu sarro, do meu som Dos meus toques pra você mudar
Mulher sem razão Ouve o teu homem Ouve o teu coração No final da tarde Ouve aquela canção Que não toca no rádio
Pára de fingir que não repara Nas verdades que eu te falo Dá um pouco de atenção
Parta, pegue um avião, reparta Sonhar só não tá com nada É uma festa na prisão
Nosso tempo é bom Temos de montão Deixa eu te levar então Pra onde eu sei que a gente vai brilhar
Mulher sem razão Ouve o teu homem Ouve o teu coração Batendo travado Por ninguém e por nada Na escuridão do quarto Na escuridão do quarto
As coisas por aqui não andam muito fáceis, mas começaram bem mais difíceis. Nem bem cheguei na rodoviária e já lá vieram os aborrecimentos. Bilhete comprado, cheguei à plataforma de embarque, adentrei o ônibus e alguém estava sentado no meu lugar. Tentei argumentar, mas a senhora (de uns 80 anos, calculo, e com elefantíase nas duas pernas) me ignorou. Pacientemente, aguardei por um lugar vago, que acabou sendo um ao lado de uma criança de três anos.
Bem começou a viagem, eu percebi que seriam longas e duras horas. Depois de ver o pequeno troglodita devorando um pacote de biscoitos inteiro, tive que me conter quando ele pôs-se a dormir a achou de esticar as canelas em cima de mim. Praguejei, usei todo meu acervo de palavrões, peguei três comprimidos de Dramin e tomei num gole só. Dose é que não consegui dormir de jeito nenhum, mas fiquei num estágio latente de dormência/demência.
Olhei pro relógio: 3h23. Sem conseguir me mexer direito, tateei na bolsa o meu mp3 e pus Chico Buarque para cantar. E fiquei viajando na dele...
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu...
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim
O resto é seu...
Aí, "trocando em miúdos", eu fiquei filosofando água, observando a estrada que passava pela janela e servindo de encosto pros pés do meu companheiro de poltrona. Mas aí,Guy, é nessas horas que a gente deixa o pensamento fluir. Pode ser bom, mas pode causar um desconforto enorme. Grande parte das vezes, eu fico perdida, pensando em várias coisas ao mesmo tempo. Aí dá uma insônia, uma insegurança danada, um misto de sentimentos que você nem sabe de onde vêm. Pessoas também vagueiam nesses meus pensamentos. Algumas, eu não sei por onde foram; outras, não sei onde coloquei.
Me comunicarei sempre com você. Assim que chegar, recolher a bagagem e reconhecer o entorno, te ligo. Mas vê se te desliga desses problemas aí.
São incontáveis noites de palavras, versos e contos. O desconforto já deu lugar à tranquilidade, da pacificidade daqueles quem têm pouco ou nada para esconder. Do momento propício fez-se um outro da mesma angústia confortável. Aquela frustrante sensação de vislumbre, do mesmo sentimento carnal, espiritual, emocional, imutável.
Pensa, então, depois do fato consumado não-consumado, na origem da lacuna. É porque a perfeição simplesmente não existe, então seria melhor tomar o impulso como conselheiro a ficar calculando o instante certo. Ele nunca chega a não sei que você decida: é esse!
Mas momentos servem para fazer pensar. Não apenas pra refletir sobre o foi ou o que deixou de ser, mas no que será mais adiante. Daqui pra frente... o que será daqui pra frente? É um caminho sem volta, correto?.
É bom quando a gente pára pra pensar, mesmo que pôr os pensamentos no papel não seja das tarefas mais fáceis. Não como antes.
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Nota: Um momento insone em meio a madrugada mais três horas desta manhã e nada. Compreendemos que não dá mais pra racionalizar.
Passei o ano inteiro lendo trechos do livro “Clara Nunes – Guerreira da Utopia”, de Vagner Fernandes. Não, o livro não é ruim, pelo contrário, é uma história instigante de alguém que criou a si própria, mudou tudo e ganhou a todos. É a história de Clara Francisca, mineira, que virou Clara Nunes, brasileira. Brasileiríssima.
Em sua narrativa, Vagner abre espaço para todos aqueles que conviveram com a cantora Clara Nunes, mas também com a Clara mulher, fã, ídolo, irmã, amiga, esposa. Criou merecidos floreios, destrinchou uma infância pobre, seu apogeu pela Música Popular Brasileira (da música romântica, passando pelo forró e pelo samba, sua marca) e a apoteose. A vida de Clara foi um samba, partido de altíssimo nível, que deixou seus registros em muitos outros ritmos.
Quando li o capítulo que conta sobre sua morte, fiquei voltando ao início, como se tentasse mudar o fato consumado. Talvez por ser muito difícil de acreditar que tudo aquilo que foi Clara tenha se esvaecido por tão pouco. Como não pôde ser mãe (devido a cistos no útero), sobrou-nos da cantora sua voz, seu misticismo, sua figura marcante. Não tenho como ponderar a comoção que sua partida gerou, aos 39, mas sendo ela tão presente e baseada nos relatos do autor, arrisco-me a dizer que foi uma perda irreparável. Primeiro, por que ela não deixou herdeiros sangüíneos nem musicais; segundo, por que ninguém, jamais, conseguiu imita-la. Ficou um enorme vácuo.
Em tempo: Clara Nunes morreu em abril de 1983, depois de sofrer um choque anafilático durante uma cirurgia de varizes. Passou 28 dias em coma até ser declarada morta pelos médicos. Curandeiros, rezadeiras, pais-de-santo, gente de todo tipo de amontoou no hospital querendo levar cura à cantora.
Tudo bem. Não houve quem substituísse Maysa ou Elis (apesar de Maria Rita). Também não enxergo suplentes para Gal, Betânia, Nana Caymmi. Talvez estejamos numa entressafra, salvo algumas minguadas exceções.
Abaixo, um dos grandes sucessos de Clara, Feira de Mangaio. Excelente interpretação de alguém que cantava com gosto e com alma. "Clara Nunes - Guerreira da Utopia" é uma leitura mais que recomendada àqueles que apreciam a boa música.
Salve Clara Nunes!
Sobre Clara:
“À Clara foi negado o direito de ter um filho. À Clara foram negados tantos direitos em troca dos aplausos que ganhou aqui e pelos cantos do mundo”
Tom de Clara:
“Você passa, eu acho graça/ Nessa vida tudo passa e você também passou...”
Clara, por Clara
“Cantar pra mim é como respirar, eu não saberia viver sem isso.”
Segundo os organizadores do protesto, os cocos representam a cabeça humana. De acordo com a ONG, esse é o alvo mais freqüente nas mortes violentas no Rio. (Foto: André Teixeira / Ag. O globo)
Eu não gosto se ser repetitiva ou ficar reproduzindo os assuntos mais comentados do momento. Mas, é impossível fugir do óbvio nesse momento e comentar com um e com outro sobre a morte de Marcelo Silva (mais conhecido como ex-marido de Susana Vieira).
Eu li algumas matérias e posts em blogs famoso. Inclusive, assisti a um vídeo ridículo que mostrava o corpo do falecido, bem trajado em uma sunga Diesel. O blog comentava que o ex-PM morreu como tinha vivido: de sunga branca.
Enfim...
Agora há pouco, li algo mais interessante sobre o ocorrido. Então, resolvi abrir espaço aqui para o pensamento alheio. O texto foca pra outro lado, assim como eu gostaria de ter feito...
Eu concordo com "envelhecer dignamente". Embora use anti-rugas desde os 20, não almejo ser uma senhora à Vera Fisher - esticada e bancando a garotona (nada contra, Dona Vera...).
Segue:
BARBARA GANCIAO
O que as maduras querem?
Que tipo de troca terá existido entre a atriz Susana Vieira e esse pobre rapaz de vida desperdiçada?
CAFAJESTE, TOSCO , aproveitador, truculento, drogado, imoral... De uns meses para cá, Marcelo Silva, 38, ex-marido de Susana Vieira, 66, encontrado morto em um apart-hotel da Barra da Tijuca na manhã de ontem, vinha sendo chamado de tudo um pouco.Recentemente, em seu programa matutino, a apresentadora Ana Maria Braga chegou a sugerir que a melhor coisa que ele poderia fazer seria "desaparecer da face da terra".
Ex-policial militar com histórico de agressão física contra mulheres e internação por dependência de drogas, Marcelo não parecia muito preocupado com sua reputação.Ao sair de mala e cuia da casa de Susana, no mês passado, ele declarou: "Hoje sou um homem aliviado. O que adianta comer picanha argentina num restaurante chique e não digerir a comida? Hoje, eu como alcatra num restaurante barato e tenho uma boa digestão".
Não sou do tipo que transforma capetas em santos só porque eles passaram desta para melhor. Mas, quer saber? Marcelo Silva, que Deus o tenha, com todas as suas fraquezas e limitações, não é o principal problema desta triste novela.Vamos e venhamos: o que Susana Vieira e outras mulheres maduras como ela procuram? O que a atriz estava querendo quando se casou com um rapagão enxuto, dependente de drogas e 28 anos mais jovem do que ela? Amor eterno? Estabilidade conjugal? Um bezerrinho para chamar de seu?A metáfora sobre a alcatra e a picanha utilizada por Marcelo Silva pode não ser digna de constar do livro de etiqueta de Marcelino de Carvalho, mas pulula de franqueza.Ou será que existe algum homem sarado na faixa dos trintinha que prefira uma picanha de 66 anos a uma alcatra de 27 -a idade da amante de Marcelo que acabou se tornando o pivô da separação?
Com o advento do botox e das várias técnicas de recauchutagem (e de reposição hormonal) hoje disponíveis para quem se recusa a envelhecer com dignidade, a mulherada passou a acreditar que bastou ter dinheiro e o telefone de um bom dermatologista para adiar o inevitável.Mas um dia a casa cai. E se não cai, ficam todas com a cara das senhorinhas daquele filme "Mulheres Perfeitas" ("The Stepford Wives", 2004), que parecem saídas da mesma cadeia de montagem.Freud já não perguntava o que as mulheres querem? Pois, tudo ao mesmo tempo é que não dá para ser. Ou bem a endinheirada poderosa se contenta com prazeres pontuais da carne ou opta pelo companheirismo (e conseqüente enfado) que um relacionamento maduro é capaz de proporcionar.
Veja: não estou tecendo julgamento, longe de mim, mas a curiosidade me corrói as paredes internas do estômago. Sempre que vejo esses casais em que um dos cônjuges é bem mais velho do que o outro, eu me pergunto: sobre o que será que eles conversam? O que será que a Ana Maria Braga cavaqueia com seu mais recente marido? Que tipo de troca terá existido entre Susana Vieira e esse pobre rapaz de vida desperdiçada? Sobre que assuntos o Olacyr de Moraes confabula com suas jovens amigas?
Ainda no mesmo clima saudosista do post anterior, vim registrar aqui minha surpresa com a notícia de que a Turma da Mônica também cresceu! Li a chamada e logo pensei: "como assim?? Até tu, Mônica??".
Pois é...
Apostando em uma série de fatores, Maurício de Souza lançou uma nova revista, a Turma da Mônica Jovem, que já choca só pela capa. Afinal, nenhum fã da turma está totalmente preparado para ver Mônica e Cebolinha trocando beijos adolescentes, né? Olha só:
"FORTES EMOÇÕES" Capa do exemplar, já nas bancas
Eu sou tradicional, ainda mais quando se trata de coisas tradicionais. Confesso que fiquei incomodada com essa nova proposta teen (odeio esse termo) pra Turma e muito mais pelo fato da Mônica (meu quase alter-ego) não ser mais "baixinha, dentuça e gorducha". Aí, o próprio Maurício explicou o porquê da minha angústia:
"(...) Mas é capaz que os mais velhos falem: 'pecado, isso não poderia ter acontecido. Meus ídolos de infância envelheceram, eu eu também envelheci'".
Ok, Maurício... me mate!
A versão crescida da Turma da Mônica ainda está em "teste" e traz os nossos personagens em versão adolescente, estilo mangá.
Primeiro beijo de Mônica e Cebolinha
Pra ler a matéria completa, basta clicar no título desta postagem. Adianto logo: Cascão tomando banho, Maurício, não dá!!!
Hunf!!!!
E eu/ Gostava tanto de você/ Gostava tanto de você...
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Musique-se
Turma da Mônica Composição: Indisponível
Sou a Mônica, sou a Mônica Dentucinha e sabichona Sou a Mônica, sou a Mônica Tão teimosa e tão mandona Quando diz que sim, quando diz que não Mostra ter opinião Fico sempre falando e brincando Na sua imaginação
Ela inventa tudo que é brinquedo Com a turminha gosta de brincar Se as meninas têm algum segredo Logo vêm correndo me contar
Se alguém sorrir, se alguém sorrir Aí nossa turma pode vir Se alguém chorar, se alguém chorar Estou sempre eu para ajudar Mas se algum menino me contrariar Vou mostrar que eu não sou boba não Vou lhe dando uma coelhada E ele vai até cair no chão.
Aquele ciclo diário de amanhecer e alvorecer camufla o passar do tempo em meio à rotina. Os dias passam e carregam semanas, meses, anos... e, se você não for um exímio observador, nem se dará conta disso.
E ele continuou a passar. Você cresceu, viu suas mudanças físicas e nem se deu conta de que estava envelhecendo, apesar de nem se reconhecer mais nas fotos de anos trás. E quando, finalmente, percebeu o tempo, lamentou-se por todas as coisas que deixou de fazer, por todas que renegou para depois. Aí nessa hora, lembrou de pessoas que passaram, de oportunidades perdidas e de tantas outras coisas.
O problema é que, de tanto ver os dias amanhecerem e anoitecerem, de tanto ver o amanhã chegando, você se aquieta e vira mero expectador. Sentado, lamenta demais e reage de menos.
Por esses dias, comecei a perceber que não vou mesmo conseguir segurar o tempo. Já vi os primeiros sinais de idade nos meus pais, vejo amigos de infância casando e me pergunto onde estava que não vi as coisas acontecerem?
De hoje em diante, ficarei bem atenta às horas do dia, cientes que elas são tão parte da vida quanto os sonhos e planos que almejamos para o futuro.
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Fiquei por três dias cozinhando esse texto até postá-lo aqui. Não sabia exatamente o que ele queria dizer, mas achava que não tinha mais nada a acrescentar. Acho lições de vida tão inúteis quanto as de moral e seria totalmente dispensável, como assim é, que eu tornasse este texto uma lição de como enxergar as coisas.
Creio que não somos nós que fazemos nossas escolhas, mas que elas também nos fazem. Eu sou resultado de cada uma das minhas escolhas; e mesmo que, aqui, não queira a elas creditar qualquer predicado, não me arrependo de qualquer uma delas.
Hoje, recebi por e-mail um vídeo muito inspirador. Era o que eu precisava para me fazer compreender aqui. Acesse:
Alvorada lá no morro, que beleza Ninguém chora, não há tristeza Ninguém sente dissabor O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo (a alvorada )
Você também me lembra a alvorada Quando chega iluminando Meus caminhos tão sem vida E o que me resta é bem pouco Ou quase nada, do que ir assim, vagando Nesta estrada perdida